Conluio com os bandidos
PCdoB revela ainda mais sua política oportunista na continuidade da frente ampla mesmo com o exemplo da derrota na Câmara dos Deputados
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Baleia Rossi e o golpista Michel Temer | Foto: reprodução
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Baleia Rossi e o golpista Michel Temer | Foto: reprodução

No portal de notícias da internet do PCdoB foi publicado um editorial com o título de Avanço pelo caminho da frente ampla, onde apesar da derrota acachapante nas eleições para presidência da Câmara dos Deputados é comemorado como uma forma de luta para ‘garantir’ a vitória contra o fascismo e Jair Bolsonaro.

O editorial explica de maneira confusa como que uma derrota escancarada pode ser considerada para um caminho ‘futuro’ para a vitória. A posição do PCdoB apresentada diz “Há confrontos políticos cujo resultado encerram paradoxos. A disputa à presidência da Câmara dos Deputados é um deles. Bolsonaro venceu e se fortaleceu com a vitória de Arthur Lira (PP-AL). Tem o desafio de realizar, daqui por diante, uma espécie de governo de coabitação com o Centrão, um arranjo prenhe de contradições. Entre elas, surgirá, nas próximas semanas, parlamentares cobrando promessas não cumpridas provenientes do imenso balcão montando pelo Palácio do Planalto para barganhar votos pró-Lira”.

E continua “Eis, então, o paradoxo. A candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) foi derrotada por uma margem grande de votos. Todavia, abriu uma trilha importante à oposição: o caminho da frente ampla, que é o único capaz de impor derrotas ao neofascismo de Bolsonaro e, também, o único que pode forjar uma maioria no eleitorado capaz de derrotá-lo em 2022, caso ele siga como presidente da República até lá”.

Ao contrário da posição do PCdoB, a frente ampla não se mostrou nenhuma vitória nem agora e muito menos no futuro contra o fascismo. A mudança da posição do centrão para o lado do governo Bolsonaro se deu por uma grande barganha política onde esse setor não possui uma ideologia definida, mas uma posição de apoio a Bolsonaro em troca de cargos e emendas milionárias.

Todos os argumentos apresentados pelo centrão e reforçados de maneira equivocada pela esquerda parlamentar de unidade contra o fascismo, o autoritarismo, defesa da democracia e a luta pela vida se desfez instantaneamente nas negociações com Jair Bolsonaro. Ao contrário da afirmação do PCdoB, o centrão faz parte e apoia o governo Bolsonaro e se utiliza de ser “oposição” para barganhar.

Na primeira oportunidade se aliou ao fascismo e deixou somente a esquerda na defesa da frente ampla e de um candidato da direita golpista, como Baleia Rossi.

Outro ponto que tem que ficar claro para os ativistas e militantes de esquerda e que ficou provado nas eleições da Câmara dos Deputados é que essa ‘briga’ entre Jair Bolsonaro e o chamado centrão não passa de uma briga entre prostitutas políticas porque não tem divergências de fato, apenas uma forma de garantir uma fatia dos recursos públicos para a direita.

Em outro parágrafo, o editorial afirma que “A Frente Câmara Livre e a candidatura de Baleia Rossi criaram as condições para que, dentro e fora do Congresso Nacional, se forme um vigoroso movimento de frente ampla. No imediato, em torno da luta pela vacinação célere da população, do retorno do auxílio emergencial e da defesa da democracia. No futuro, a depender das circunstâncias, quer seja no primeiro ou no segundo turno, na convergência de forças que liberte o Brasil do desastroso tirano neofacista que está arruinando o país e a vida do povo brasileiro”.

O que não fica claro no artigo é como a derrota fortaleceu a frente ampla dentro e fora do Congresso Nacional se a esmagadora maioria da frente ampla debandou para o governo Bolsonaro e para o lado do fascismo. Uma posição completamente falsa.

Ao contrário do que diz o PCdoB, a frente ampla e sua derrota na Câmara de forma alguma é uma maneira de lutar contra o fascismo ou de enfraquecer o governo Bolsonaro. A frente ampla demonstrou na prática que apenas fortalece o fascismo ou o governo Bolsonaro porque esse centrão apoia o governo e suas medidas. A direita e o governo que andava cambaleante diante do agravamento da crise, saiu das eleições da Câmara com uma aparente unidade para que Jair Bolsonaro continue na presidência e nos ataques aos trabalhadores e ao patrimônio nacional.

Um dos motivos do PCdoB, um partido de esquerda, para falsificar mais uma fez os acontecimentos para continuar defendendo a política falida da frente ampla é sua intenção de continuar querendo ficar a reboque e apoiar um candidato da direita golpista para as eleições em 2022. A continuidade da frente ampla no Congresso Nacional é o caminho para o apoio a uma candidatura da direita golpista tradicional apoiada e de plena confiança da burguesia sob a desculpa de vencer Bolsonaro. Podendo apoiar Rodrigo Maia, João Doria, Luciano Huck para derrotar Jair Bolsonaro, ou seja, se apoiando com os responsáveis por Bolsonaro contra Bolsonaro.

Essa posição oportunista do PCdoB é um rebaixamento total de um programa de um partido que se diz de esquerda. Propagandear e se orgulhar de uma politica de defesa do regime golpista, de alianças com a direita que são os “pais” de Jair Bolsonaro e que são responsáveis pelos ataques a população é uma traição a classe trabalhadora e a luta contra o golpe de estado.

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