Tudo pela “frente ampla”
Portal dos “comunistas” se mostrou otimista com a evolução da pandemia “controlada” pela direita
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Outdoor produzido por apoiadores de Bolsonaro em Recife | Foto: Reprodução

Nesta semana, tomamos conhecimento do artigo escandaloso “Pandemia vai passar. Brasil registra queda no contágio”, publicado pelo Vermelho, o portal oficial do PCdoB, no dia 21 de agosto. O texto, que mais parece uma propaganda oficial do governo federal, tamanho o seu otimismo com uma pandemia que continua matando mais de mil pessoas por dia, baseia-se em alguns dados genéricos para afirmar que o coronavírus estaria deixando o País.

O texto assim apresenta a sua tese:

“O Brasil registrou 1.054 novas mortes pelo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo balanço divulgado hoje pelo Ministério da Saúde. Agora, o país soma 113.358 óbitos pela covid-19 desde o início da pandemia. Já o número de infectados subiu para 3.532.330, com 30.355 novos diagnósticos confirmados pela pasta entre ontem e hoje. É o menor balanço diário para uma sexta-feira desde 12 de junho, quando foram registrados mais 25.982 casos. Esta é uma importante sinalização da pandemia, se mantida a consistência dos números. Mais que o número de óbitos, o número de contágios é definitivo para definir o impacto da pandemia na sociedade. Menos contágios significam menos exposição dos brasileiros ao vírus, reduzindo a possibilidade de mortes”.

Os dados apresentados não contêm demonstração científica alguma de que a pandemia esteja regredindo no País. As mil mortes diárias, confirmadas pelo próprio texto do PCdoB, deveriam ser, em si, uma demonstração de que a situação continua muito dramática. Em segundo lugar, é preciso levar em conta que o PCdoB está se baseando unicamente nos dados oficiais para extrair a sua análise — dados amplamente falsificados e manipulados. O governo Bolsonaro jamais teve como política testar a população e, dessa forma, é incapaz, mesmo que quisesse, conhecer a situação real da COVID-19 no Brasil. Em terceiro lugar, mesmo que os dados estivessem corretos, uma pequena diminuição no número de casos não demonstra, necessariamente, que a pandemia estaria se enfraquecendo. É natural que haja momentos de menor contágio, sem que a pandemia esteja deixando de afetar o País. Por exemplo: se a doença matou uma quantidade maior de idosos e é nesse grupo que ela se manifesta, é natural que haja uma queda no número de registro dos contágios. O que não quer dizer que o vírus não continue se espalhando. Por fim, além de toda a desconfiança em relação aos dados, é preciso dizer que a direita está promovendo a reabertura da economia em todo o País, o que, em hipótese alguma, poderá reduzir o contágio.

A análise hiper-otimista da pandemia no País, muito mais do que refletir a ignorância do PCdoB, também serve de justificativa para que a direita continue implementando a sua política genocida. Ao mesmo tempo em que o portal Vermelho diz que a pandemia “vai passar”, dá voz a um funcionário do governo Doria que se vale dessa tese para afirmar que não é necessário vacinar o povo:

“(…) Foi assim que o médico expressou seu otimismo em entrevista ao portal Vermelho, ao discutir a possibilidade de uma vacina. “A vacina não resolve tudo. Não sabemos se teremos vacina. E terceiro que talvez nem precisemos da vacina”, diz ele, numa afirmação surpreendente”.

O tipo de propaganda que o PCdoB faz, portanto, além de ser falsa, pois não se baseia em dado concreto algum, favorece apenas aos interesses da burguesia. A esquerda, em meio a um regime político golpista e a um governo da extrema-direita, deve ter como papel principal denunciar a política dos capitalistas e convocar os trabalhadores para enfrentarem os seus algozes. A propaganda de que “a pandemia vai passar”, por outro lado, causa o efeito oposto: o de que o regime está atendendo aos interesses do povo e combatendo a COVID-19. Nesse sentido, o artigo não pode ser entendido como um artigo informativo, mas sim uma propaganda do regime político e de um governo da extrema-direita.

Isso tudo demonstra que, na ausência de um programa para enfrentar a crise econômica e o coronavírus, o PCdoB acabou ficando a reboque da burguesia. Nada mais natural: na medida em que não procura enfrentar a direita, acaba sendo arrastado para a política da burguesia. E a operação que serve como isca para arrastar o PCdoB e os setores mais direitistas da esquerda nacional tem nome: a “frente ampla”.

Quanto mais a crise se aprofundar, maior a tendência de a burguesia perder o controle da situação, maior a tendência e uma revolta contra o regime. E é justamente por isso que, para a burguesia, a situação sempre deve ser a mais estável possível — ou, pelo menos, aparentar a maior estabilidade. O Brasil pode explodir a qualquer momento, o número de desempregados é cada vez maior e a pandemia segue sem solução. Mesmo assim, a aparência de tranquilidade do regime é uma questão crucial para que os capitalistas mantenham o seu domínio.

Como os setores mais direitistas do PCdoB, pela sua natureza carreirista e pequeno-burguesa, estão a procura de um acordo com a burguesia — um acordo impossível, baseado em ilusões —, esses setores estão interessados em fazer a propaganda da estabilidade da pandemia. Caso contrário, caso a aparência corresponda à realidade e o ambiente se tornar caótico, a burocracia direitista que controla o partido será confrontada com os setores mais radicais, que não querem a política de conciliação com os golpistas.

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