Progressista?
PayPal suspende conta da KKK: um ataque às liberdade democráticas
Uma artimanha que confunde e engana muita gente
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Progressista?
PayPal suspende conta da KKK: um ataque às liberdade democráticas
Uma artimanha que confunde e engana muita gente
Fachada exterior da sede do PayPal em San José, Califórnia (AP)
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Fachada exterior da sede do PayPal em San José, Califórnia (AP)

O serviço de pagamentos online PayPal, na última sexta-feira (30/08), decidiu suspender uma conta usada para arrecadar fundos para o grupo fascista norte-americano, Cavaleiros Brancos Leais da Ku Klux Klan.

A decisão veio depois que ativistas contra os “grupos de ódio” fizeram pressão para que o serviço bloqueasse a conta do destinatário, usada para o financiamento de atividades da organização racista, como o envio de materiais a seus apoiadores e a realização de comícios públicos.

Vêm crescendo nos últimos anos, em todo o mundo, as práticas de perseguição, repressão e censura levadas a cabo para combater os chamados “grupos ou discursos de ódio”. Na internet em especial, é cada vez mais comum o bloqueio de perfis e páginas nas redes sociais (Facebook, Twitter, YouTube etc.) sob tal pretexto.

É preciso destacar, no entanto, o caráter extremamente perigoso e reacionário dessas práticas.

Como se trata de uma medida dirigida contra uma organização de extrema-direita, fascista, pode parecer, à primeira vista, que se trata de algo progressista, tendente a favorecer a esquerda, a classe operária, os explorados e oprimidos da população. Não é o caso, todavia. PayPal, Facebook, Twitter, YouTube, entre outros, são na realidade plataformas controladas por grandes conglomerados capitalistas, sobretudo norte-americanos, que não possuem o mais remoto interesse em favorecer a esquerda, a classe operária, os explorados e oprimidos da população. A luta em abstrato contra os “grupos de ódio” não é senão um fachada por detrás da qual a burguesia mundial esconde os seus verdadeiros interesses de classe.

O real interesse aqui é apertar o cerco sobre os poucos espaços de relativa liberdade que ainda restam na sociedade e, em particular, na internet. Para tanto, a burguesia se vale de uma manobra, uma artimanha, que confunde e engana muita gente, inclusive de esquerda: a campanha se inicia mirando alvos fracos e, por assim dizer, “consensuais” para, depois, atingir os alvos fundamentais. Primeiro, busca-se um alvo cuja perseguição não só despertará pouca resistência, como também ampla aceitação. É o caso das organizações neonazistas, de supremacistas brancos etc. Mais tarde, porém, a perseguição se volta contra aqueles que foram e sempre são os alvos preferenciais da sanha capitalista: a classe operária, as massas oprimidas e suas organizações. Hoje, é a vez da Ku Klux Klan, uma organização fascista, ser cerceada. Amanhã, será a vez das organizações de esquerda, operárias, comunistas, anarquistas, antifascistas, e assim por diante.

Justamente porque não se interromperá na Ku Klux Klan, mas se alastrará por todas as esferas até alcançar a organização dos explorados, é preciso denunciar mais esse ataque contra os direitos democráticos da população.