Urbana-PE
Empresários tiraram do bolso uma “pesquisa” que diz que o transporte público não é meio de contágio
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Integração da Macaxeira, no Recife | Foto: Reprodução

No dia de ontem (4), uma das pesquisas mais canalhas dos últimos anos apareceu estampada nos jornais pernambucanos. O “estudo”, que foi encomendado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), tenta comprovar que o transporte público não é um meio de transmissão do coronavírus.

Para os que não conhecem, a Urbana-PE é o sindicato patronal dos tubarões das empresas de transporte coletivo em Pernambuco. É um conhecido inimigo de todo tipo de mobilização por parte dos rodoviários. Na greve geral de 2017, a Rede Globo chamou um representante da Urbana-PE para comentar, ao vivo, as manifestações dos trabalhadores contra o governo Temer. Por comentar, entendamos, obviamente, atacar ferozmente. Nas greves próprias dos rodoviários, mesmo conduzidas pela burocracia pelega da Força Sindical e da CSP/Conlutas, a Urbana-PE sempre procura a Justiça para determinar a ilegalidade das paralisações.

Ao mesmo passo que é uma organização repugnante, uma espécie de associação para esmagar todos os direitos dos rodoviários, a Urbana-PE é, ao mesmo tempo, uma grande inimiga de toda a população pernambucana, Isso porque vive pressionando o governo de Pernambuco para aumentar as tarifas e para permitir todo tipo de mal-trato nos meios de transporte.

Somente com base nessas considerações, ninguém deveria levar minimamente a sério um “estudo” que seja encomendado por esse sindicato dos patrões. E se formos olhar mais detalhadamente para a pesquisa, podemos perceber claramente que o método “científico” da Urbana-PE não conseguiria ser apresentado nem mesmo em uma feira de ciências da terceira série.

O único dado que a pesquisa apresenta é o de que o número de óbitos supostamente teria diminuído ao mesmo tempo em que o número de pessoas utilizando o transporte público teria aumentado. Primeiramente, é preciso olhar com bastante ceticismo o número de óbitos, uma vez que são controlados pelo governo do estado, e o governo nitidamente procura apresentar um cenário tranquilo para justificar a reabertura da economia. Em segundo lugar, no período apontado, houve uma série de transformações. Vários setores da economia foram reabertos. Sendo assim, qualquer um desses setores poderiam alegar que a reabertura não afetou o contágio por coronavírus: as academias, a construção civil, os shoppings centers, as lojas, enfim, todos podem alegar que a política de reabertura não afetou em nada a pandemia. No fim das contas, a única conclusão a que podemos chegar é a de que a única coisa que permite o contágio seria o isolamento social, o que é um absurdo total.

Em uma declaração, um representante da Urbana-PE resumiu bem suas intenções para com a pesquisa: “nós queremos tirar o medo das pessoas de andar de ônibus”. Dito de outro modo, os capitalistas querem tirar o “medo” do povo de um genocídio por causa da pandemia de coronavírus.

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