Pastor Cláudio, assassino da ditadura, revela muito sobre quem são os pastores evangélicos

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Pastor Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS (Departamento da Ordem Política e Social), hoje pastor da Assembleia de Deus, foi um dos encarregados em assassinar militantes do PCB e incinerar os corpos. Em seu livro, “Memórias de  uma Guerra Suja”, ele relata que levava os corpos torturados até a morte pelo DOI-CODI até uma usina em Campos (RJ) para incinerá-los e sumir com as provas.

A cinematógrafa Beth Formaggini, que havia realizado um documentário com o grupo Tortura Nunca Mais sob o nome de Memórias Para Uso Diário, encontrou no livro a possibilidade de responder perguntas que os familiares dos desaparecidos carregam consigo há décadas: onde, por que e como.

Claudio Guerra hoje reafirma seu compromisso com Deus e a religião, e diz ter medo da direita de hoje. Sua intenção com o livro é ajudar as pessoas a entenderem o que foi a ditadura, porém sabemos que está sendo revelado uma pequena pasta sobre a ditadura, existem enormes salas de arquivos sobre o regime que não descobrimos ainda.

Durante o documentário, o psicólogo que questiona o pastor vai destacando o quanto lhe agradava o status que sua função trazia: poder, acesso a figuras importantes – conta que o governador passava para tomar cafezinho na sala dele -, ao mesmo tempo se defendeu alegando que era apenas um funcionário do Estado e “sua bandeira era seguir ordens” (o mesmo que dizia o torturador Brilhante Ustra).

Dentre as operações que participou está a Operação Radar, que foi responsável por matar 19 militantes do PCB. O convite para participar veio do Coronel Perdigão e do Comandante Vieira.

Após se envolver na operação e matar pessoalmente diversos militantes e supostos militantes, foi convidado para dar sumiço em corpos vindos diretamente do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).

Passou-se a ditadura e não podendo esconder sua podridão e pilantragem sob a bandeira do patriotismo e da burocracia, está em uma igreja evangélica que extorquindo dinheiro dos fieis atrás de bandeira da religião e da fé. Certamente mais de seus colegas possuem negócios obscuros escondidos debaixo do tapete. Essas igrejas são verdadeiros poços de enriquecimento ilícito. Não é uma exclusividade da Assembleia de Deus, e não se restringe apenas aos protestantes, a igreja católica tem crimes milenares, e o Vaticano tem muitos quartos escuros.

Em 2009, o pastor e político Magno Malta enviou um cobrador de ônibus, Luiz Alves de Lima, para a cadeia sob pretexto de pedofilia com a própria filha. Foi uma manobra para se promover através da CPI da pedofilia que ele presidia na época. O trabalhador era inocente, mas o laudos foram corrompidos pelo ex-senador e as provas só vieram a surgir ano passado. Luiz Alves foi torturado brutalmente na cadeia para que confessasse crime que não cometeu, perdeu a visão em um olho e ficou com severas cicatrizes no corpo, Magno chegou inclusive a assistir pessoalmente algumas sessões de tortura, segundo a denúncia. Outros escândalos estão no histórico do pastor, o “caso dos sangues sugas”, meio milhão de reais em gasolina etc. Alguns desses casos foram retratados no Diário Causa Operária.

Outros pastores notórios pelas histórias cabulosas em que estão envolvidos são Marco Feliciano e Silas Malafaia. O primeiro justifica as mazelas que assolam o continente africano com uma maldição divida de Cam. Ao invés da destruição histórica que os europeus causaram no continente: as guerras, massacres, roubos e a exploração centenária, ele atribui a culpa ao fato dos africanos serem amaldiçoados.  Além de atacar os negros ele também vai pra cima da chamada comunidade LGBT, estes seriam doentes e teriam que passar pela “cura gay”. Malafaia também ataca ferozmente os negros, os homossexuais, e as mulheres.

Os três casos citados (Malta, Feliciano e Malafaia) se enriqueceram ilicitamente, adquirindo patrimônios milionários em um curtíssimo espaço de tempo. Essas pessoas usam a fé para cegar os trabalhadores e extorquí-los, e usam a demagogia para esconder os escândalos.