Partido Social-Democrata rompe com Merkel e expõe a intensa crise do regime político alemão

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No último domingo (2), Andrea Nahles  renunciou a líder do Partido Social Democrata (PSD), assim como de chefe de bancada no Parlamento. A crise nas eleições europeias abalaram o partido mais antigo da Alemanha (1863). A crise interna dentro da partido só aumentou com a crise europeia e a corda rompeu para o lado de Andrea.

O PSD está há seis anos em uma grande coalizão com o partido de Angela Merkle, o Christlich Demokratische Union Deutschlands (União Democrata-Cristã da Alemanhã), e isso tem sido caso de um disputa interna entre a ala esquerda do partido e a ala direita que atualmente o lidera. O desempenho eleitoral do PSD vem decaindo cada vez mais, perderam as eleições  em Bremem, estado dominado pelo partido a mais de 70 anos, e seu desempenho foi irrisório na Baviera e em Hessen. Além do mais, sua votação nas eleições para o Parlamento Europeu foi igualmente pífio, obtendo 15,8%, 11 pontos a menos do que nas eleições de 2014.

O partido de Merkel também encontra-se em crise. Annegret Kramp-Karrenbauer, atual líder do CDU desde o afastamento de Angela, está flertando com a extrema-direita do partido gerando um cisão interna do partido.

A renúncia de Nahles pode por um fim à participação do SPD na coalizão, fragilizando ainda mais um governo já em crise, provocando novas eleições.

A tendência política na Europa é de crise total dos partidos tradicionais. A queda drástica no desempenho eleitoral desses partidos vem sido acompanhada com a ascensão da extrema-direita como mostrou-se na últimas eleições para o Parlamento Europeu.

Os partidos sociais democratas do velho continente continuam com sua velha política de conciliação com a alta burguesia, e por isso afundam junto com os partidos tradicionais diante da crise do imperialismo europeu. A ausência de um partido revolucionário está dando espaço para os fascistas usarem-se da demagogia para crescer na crise.

A renúncia de May no Reino Unido, a ascensão da extrema-direita italiana e espanhola, o fracasso de Macron e a crise de Merkel são capítulos siameses da crise política europeia. Em todos esses capítulos nota-se a falência da social democracia europeia.