Censura
Imperialismo usa o caso dos manifestantes no Capitólio para atacar ainda mais os direitos democráticos da população americana
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WASHINGTON, DC - MARCH 27:  U.S. President Donald Trump listens while meeting with women small business owners in the Roosevelt Room of the White House on March 27, 2017 in Washington, D.C.  Investors on Monday further unwound trades initiated in November resting on the idea that the election of Trump and a Republican Congress meant smooth passage of an agenda that featured business-friendly tax cuts and regulatory changes. (Photo by  Andrew Harrer-Pool/Getty Images)
Boi de piranha para a política imperialista | Foto: Reprodução

Contrariando uma série de preceitos, quase dogmas da sociedade burguesa, a rede social Parler foi definitivamente desativada na última segunda-feira (11). O cancelamento se deu após uma verdadeira operação de morte por asfixia contra a rede social, o que foi feito pelos principais monopólios da internet: Google, Amazon e Apple.

Rede social usada por muitos apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Parler foi criada sob o lema da “liberdade de expressão”. Em função disso, a rede não possuía moderação no conteúdo de seus usuários, o que permitia difusão de mensagens extremistas, razão alegada pelos monopólios para sufocar a rede.

Alvo da censura do imperialismo durante a verdadeira campanha de guerra que marcou as eleições presidenciais americanas, o jornalista americano radicado no Brasil, Gleen Greenwald, comentou o caso em seu perfil no Twitter:
“Você sabe quantas das pessoas presas em conexão com a invasão do Capitólio eram usuários ativos de Parler? Zero. O planejamento foi feito em grande parte no Facebook. Tudo isso é um pretexto estúpido para silenciar os concorrentes por motivos ideológicos: apenas o começo”, escreveu o jornalista.

Greenwald usou o caso para lembrar que a acusação padrão adotada pelos monopólios, de que a rede usada pelos seguidores de Trump deve adotar moderação contra postagens que incitam a violência, é mero pretexto para “silenciar os concorrentes por motivos ideológicos”.

 

“Aproximações sucessivas”

Obviamente, é fácil ter um desprezo profundo, até nojo pelo conteúdo produzido pela extrema-direita. Contudo, diante da natureza do conflito em questão, os sentimentos despertados pela extrema-direita acabam tendo um papel secundário, especialmente dado a verdadeira ameaça que se manifesta: a censura.

O esquematismo usado para medir forças como as representadas por Trump não podem ser aplicadas no caso, sob pena de a população acabar submetida ao silêncio forçoso sobre tudo o que atente contra a política burguesa.

Não custa lembrar que no Brasil -e em muitos países-, a censura começou a se restabelecer em torno dos difusos “crimes contra a honra”, de modo a criminalizar falas consideradas difamatórias. Atingindo elementos descartáveis da direita -geralmente extremistas- recentemente tivemos no País o caso do jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro “A pirataria tucana”, condenado pela 4ª Vara Federal de São Paulo à pena de sete anos e dez meses de reclusão.

Da mesma forma, o imperialismo vem fazendo uso de Donald Trump, e da extrema-direita americana, para aprimorar ainda mais a censura. Primeiro com notificações nas redes sociais, depois com censura explícita a determinados conteúdos até o banimento virtual realizado recentemente, que apagou perfis das redes monopolistas e segue impedindo este público de se organizar em redes sociais independentes.

Na mira da censura, longe do que as aparências indicam, não está Trump ou a extrema direita, mas as vozes discordantes do regime político decadente, que ficam por meio destas medidas autoritárias, impedidas de manifestar sua insatisfação livremente.

 

O mito da livre concorrência

Como lembrado por Gleen Greenwald, o caso traz também o problema da livre-concorrência. Um dos dogmas mais usados pelos defensores do capitalismo, segundo a mitologia difundida pela direita, qualquer um poderia empreender e criar algo melhor do que o padrão encontrado no mercado, ganhando assim sua porção na riqueza.

Obviamente, esta é uma etapa histórica superada pela ascensão do imperialismo, que consistiu exatamente na superação da livre concorrência pela implementação do controle de conglomerados monopolistas sobre os mercados antes disputados. Exatamente que o caso Parler nos lembra.

Além dos interesses políticos, os interesses comerciais explicam a asfixia dos grandes monopólios da internet sobre possíveis concorrentes, como a rede apoiada por Trump fatalmente seria.

A desculpa, naturalmente, é a melhor possível para confundir incautos mas não muda o fato de que os monopólios, Google, Apple e Amazon, conseguiram impedir o surgimento de um concorrente de peso.

 

Independência

Divulgado como a vitória da democracia contra a intolerância, o caso Parler lembra um dos problemas mais contundentes enfrentados pela classe trabalhadora: a crise das direções. Não se trata de um problema novo mas ganha contornos mais definidos quando a política do imperialismo e a das direções burocráticas da esquerda se confundem.

Afinal, a liberdade de expressão constitui um dos grandes avanços da humanidade na luta contra o absolutismo, expressão política dos regimes pré-capitalistas. Parte integrante do regime de terror que submetia os povos destas sociedades, é natural -de uma certa forma- que o imperialismo busque a mesma política para sustentar a sua própria versão de terror. A loucura é a esquerda apoiar tais arbitrariedades.

No Brasil, tivemos o exemplo relativamente recente da Ditadura Militar, regime de terror implementado após o Golpe de 1964 e que terminou submetendo o País a uma censura brutal, dedicada a atacar o desenvolvimento cultural da população pela proibição da livre circulação de ideias.

Com o exemplo histórico recente esquecido, fica claro que existe uma subordinação da pequena burguesia à direita, o que constitui um grave problema político à classe trabalhadora. Os trabalhadores devem superar a crise de suas direções, confusas a ponto de apoiarem um retrocesso político como a censura, o que longe de trazer algum benefício às massas, trará derrotas enormes. A história é clara neste ponto.

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