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Polícia, Igreja e o fascismo.
Parceria entre Universal e PM mostra o caráter reacionário das igrejas
Não é que o projeto de poder da extrema direita agora pauta a segurança pública e o “povo de Deus” como um via segura para o sucesso do fascismo no regime e nas eleições?!
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Polícia, Igreja e o fascismo.
Parceria entre Universal e PM mostra o caráter reacionário das igrejas
Não é que o projeto de poder da extrema direita agora pauta a segurança pública e o “povo de Deus” como um via segura para o sucesso do fascismo no regime e nas eleições?!
Programa Universal nas Forças Policiais (UFP), projeto desenvolvido congregação do bispo Edir Macedo
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Programa Universal nas Forças Policiais (UFP), projeto desenvolvido congregação do bispo Edir Macedo

A congregação do bispo Edir Macedo, aprovou em 2018, um projeto que defende “os ensinamentos da Bíblia nas forças de Segurança Pública, Forças Armadas e órgãos governamentais”. É chamado de UFP (Universal nas Forças Policiais), e está sob a coordenação de um ex-capelão da PM maranhense, o major Ronivaldo Negreiros, o Roni. Segundo ele, a meta é dar “livramento e força” a policiais e familiares, alvos do programa que alcançou cerca de um milhão de pessoas em 2019.

E parece mesmo que o projeto anda dando certo para o ex-capelão, que tem mantido a igreja cheia no culto da manhã, quando oferece, ao final, um bom café para os policiais frequentadores do projeto.

É claro que este projeto não caiu do céu. O projeto de poder da direita, e do qual a extrema direita e o grupo de Bolsonaro muito lucrou com isso, está fortemente amparado pelo seguimento evengélico da população brasileira. E os números do crescimento desse pessoal justifica todo esse investimento, que, aliás, ao lado, da fraude nas eleições que incluiu a prisão de Lula. Em 1980, os evangélicos eram 6,6% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, o número passou a 15,4%. Em 2010, somavam 22,2% dos brasileiros — ou cerca de 40 milhões de eleitores. A maior parte dessa população fica no Sudeste. Uma pesquisa realizada pelo Ibope em 11 de setembro mostrou que Bolsonaro tinha 33% das intenções de voto entre os evangélicos. Na pesquisa de 1º de outubro de 2018, esse número saltou para 40%.

Bolsonaro alinha-se com o setor conservador brasileiro – do qual os evangélicos são parte importante – em pautas como o combate ao aborto e ao casamento gay, o direito à  eutanásia, as questões de gênero e a descriminalização das drogas.

Mais de 60 milhões de brasileiros se dizem evangélicos. No Congresso, a Frente Parlamentar Evangélica conta atualmente com 195 deputados federais e 8 senadores inscritos.

O UFP é mais um reforço nessa direção, com a particularidade de envolver a questão da segurança pública, que, ao que tudo indica, deve ser o debate mais forte para as eleições deste ano. 

Não pode passar despercebida a aprovação pelo Senado do  pacote anticrime do Ministro golpista Sérgio Moro, e que contém uma série de mudanças na legislação penal. Inclusive, a questão mais polêmica do projeto, a prisão em segunda instância, e que, depois da decisão do STF de que a prisão só poderá acontecer depois do trânsito em julgado das condenações, o debate ganhou impulso no Congresso, até pela soltura do Lula, que não deixa de ser um problema nas eleições para muita gente, inclusive da esquerda pequeno burguesa, que pretendia o seu eleitorado.

Colocar a polícia dentro da Igreja Evangélica é, certamente, parte desse projeto de poder que aposta no fortalecimento de ideologias de uma sociedade conservadora e fascista. É a formação de uma verdadeira mílicia de extrema direita sob orientação dos pastores evangélicos ligados a Bolsonaro.