Haddad defende o “tripé”
Em artigo para o jornal Folha de S. Paulo, Fernando Haddad defende o tripé econômico e a política neoliberal, além de criticar Dilma. É um movimento de aproximação da direita.
Fernando Haddad e Rodrigo Maia após coletiva de imprensa das bancadas do PT na Câmara e no Senado contra a transferência do ex-presidente Lula. #DefendamLulaUrgente Foto: Ricardo Stuckert
Fernando Haddad e Rodrigo Maia, do DEM. Foto: Ricardo Stuckert |

Membro da ala direita do PT, o ex-candidato à presidência Fernando Haddad publicou uma matéria no jornal direitista Folha de S. Paulo que é digna de nota. No artigo, que tem o título enigmático Economia, Haddad defende explicitamente a política do chamado tripé econômico, ou seja, a política neoliberal. O chamado tripé econômico, que é defendido com unhas e dentes pelos economistas neoliberais e pela direita, prevê o câmbio flutuante, o superávit primário e a meta de inflação. Em suma, amarrar completamente a economia do país aos interesses do imperialismo estrangeiro.

Ao defender o tripé, o professor destaca que tanto FHC, quanto Lula e Dilma obedeceram à esta política. O que ele não diz é que os governos do PT mantiveram o tripé por que são governos de conciliação de classe. E que se por um lado os governos petistas tenham aplicado de fato uma política neoliberal na economia, isto se dava em uma escala bem menor que no governo tucano anterior, ao passo que os programas sociais implementados pelo governo atenuavam os impactos dessa política. Tanto é assim que os grandes capitalistas logo impuseram Henrique Meirelles para o comando da economia logo no primeiro mandato de Lula. Era a garantia de que o governo do PT não faria nenhuma “loucura” que desagradasse os interesses fundamentais do imperialismo.

Embora aparentemente tenha mudado suas considerações à respeito do impeachment de Dilma, afinal, Haddad dizia que golpe era uma palavra muito forte, o intelectual ainda critica no artigo a presidenta golpeada. Para Fernando Haddad, o erro de Dilma foi enfraquecer a base fiscal, o que teria quebrado o “sagrado” tripé econômico. Assim, a política de desonerações fiscais, como o chamado Supersimples, a recusa de Dilma de aumentar as tarifas energéticas, etc., foi um erro. Quer dizer, para Haddad, ao invés de favorecer empresas nacionais, através da redução de tarifas e impostos, quem sabe Dilma devesse ter mantido uma política neoliberal, favorecendo ainda mais os grandes capitalistas internacionais. Não se trata aqui de defender a política implementada à época por Dilma; para o PCO, um Partido comunista e revolucionário, a tarefa na realidade é quebrar o tripé econômico e a política neoliberal imperialista no Brasil de conjunto. No entanto, devemos observar que a política defendida por Haddad está claramente à direita da defendida por Dilma, mesmo que em ambos os casos sejam tentativas de administrar o Estado capitalista.

Finalmente, se a culpa é de Dilma, deveríamos colocar na conta dela a própria crise capitalista de 2008, o que é evidentemente uma conclusão cretina. Não se pode imaginar que se tratava de um problema administrativo, que enfraqueceu o governo Dilma e que finalmente levou ao golpe de 2016. A crise econômica fez com que o imperialismo resolvesse derrubar não só o governo do PT mas diversos governos nacionalistas mundo afora. Ao defender de forma explícita o tripé econômico e a política neoliberal, e ao mesmo tempo atacar o próprio governo petista, Haddad busca aprofundar a sua política de aproximação dos neoliberais, tucanos e outras espécies do gênero.

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