Questão de “convicção”
Para o golpista presidente da Câmara, genocídio não é motivo para derrubar Bolsonaro mas “pedalada fiscal” sim, demonstrando, mais uma vez, a inviabilidade absoluta da frente ampla
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Foto: Reprodução/TV Cultura
Rodrigo Maia no Roda Viva. Quase 100 mil mortos não é crime | Foto: Reprodução/TV Cultura

O Brasil se aproxima de 100 mil mortos pela política genocída levada a cabo pelo regime, o número de doentes ultrapassa 2,7 milhões, a crise econômica não tem precedentes na história do País, que pela primeira vez viu um contingente desocupado superior ao ocupado, situação inclusive que não tem paralelo no planeta. Mas o que é isso perto de “pedalada fiscal”?

Esta é a conclusão que chegamos acompanhando o raciocínio de Rodrigo Maia (DEM-RJ), em entrevista ao “Roda Viva”, programa de entrevistas da TV Cultura. Durante a apresentação, o presidente da Câmara afirmou que “impeachment é uma coisa que devemos tomar muito cuidado, não pode ser instrumento para solução e crises. Tem que ter um embasamento para essa decisão e não encontro ainda nenhum embasamento legal.” Sobre Dilma, “não me arrependi, a questão do impeachment da presidente Dilma estava dado, votei a favor com muita convicção e tenho até hoje essa convicção”.

Ainda que de um ponto extremamente legalista (e limitado), não é verdade que faltem elementos materiais para acusar o golpista Bolsonaro. O que realmente falta aqui é exatamente a convicção, e não apenas dele mas dos patrões: a burguesia. Dispostos a quebrar a ordem jurídica, estabelecida por eles próprios, a classe burguesa precisava derrubar a presidenta Dilma e prender o ex-presidente Lula para permitir a imposição de seus interesses, que não são outros mas os que Bolsonaro vem colocando em prática desde a posse. Em grande medida, o governo bolsonarista representa uma continuidade com o governo Temer e esclarece a quem tem dúvidas que não se trata da política formulada pela cabeça do golpista mas a política da classe. E para garantir a manutenção destes interesses, a burguesia tem em Rodrigo Maia outro instrumento destacado.

Mais habilidoso do que o capitão reformado, a colaboração de Maia tem se revelado gigantesca, especialmente no campo das manobras realizadas para domesticar a esquerda, que no Congresso tem se mostrado completamente anulada e nos espaços públicos, uma força reacionária, muitas vezes atuando abertamente contra a mobilização popular, em uma capitulação que em grande medida, se deve à dependência da esquerda pequeno-burguesa à burguesia mas também, as manipulações de Maia.

Esta diferença entre as posições defendidas por Maia, entre crimes reais de Bolsonaro e invenções grotescas como “pedaladas fiscais” contra Dilma têm de ficar muito clara aos trabalhadores, estudantes e setores mais vanguardistas dos movimentos populares, por que reforça o limite concreto da chamada frente ampla, na medida em que estabelece uma submissão da esquerda aos interesses da burguesia.

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