Demissões em massa
Não pode deixar de bandeja a demissão dos trabalhadores da Ford, é preciso um plano das direções do movimento operário contras as demissões, sob a coordenação da CUT
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Protesto de funcionários da Ford de Camaçari | foto: Tiago_Caldas
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Protesto de funcionários da Ford de Camaçari | foto: Tiago_Caldas

Dado com algo irreversível, dirigentes dos sindicatos dos metalúrgicos, onde se localizam as fábricas Ford no País procuram “negociar” com a montadora a situação das mais de 5 mil demissões se utilizando de métodos já comprovadamente fracassados, como ocorreu no caso do fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo.

Conforme o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, na segunda-feira (18), tem reunião com representantes da Ford para tratar da situação. O objetivo é tentar ainda, de alguma forma reverter a saída da fábrica de Camaçari. Mas os dirigentes estão preparados para negociar um acordo “justo” referente às indenizações dos funcionários.

De acordo com a direção do sindicato, há um esforço para ver empresas que possam comprar as fábricas da multinacional norte-americana, desta forma, na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, viajou com uma comissão integrada pelo governador Rui Costa, para visitar e se reunir com as embaixadas de Japão, Índia e Coreia, com o intuito de buscar empresas interessadas em ocupar as instalações do parque industrial da Ford, recuperando os milhares de empregos que vão ser deixados pela montadora americana.

Na quarta-feira (20) e quinta-feira (21) também os dirigentes terão atividades relacionadas a Ford e aos funcionários, sendo reunião com O Ministério Publico do Trabalho (MPT) e assembleia com os trabalhadores.

A política da direção do sindicato em relação aos 5 mil trabalhadores diretos, os trabalhadores indiretos, bem como, seus familiares, nesse sentido, é de lavar as mãos diante da atitude criminosa da Ford, onde deveriam impulsionar uma luta que envolva a ocupação da fábrica entre outras medidas que garanta a reversão das demissões.

Atitude calhorda para com os trabalhadores

A Ford no entanto, depois de demitir os operários, na última segunda-feira (18) convocou os empregados das fábricas que fechou no país para que retornem ao trabalho para produzir peças de reposição, segundo os sindicatos que representam os metalúrgicos das unidades.

Conforme artigo da venal Globo de ontem (19), A Ford está mandando comunicados, mas a adesão está zero, está tudo parado, ninguém está indo (dar expediente). “A fábrica precisou alugar um galpão porque na região de Simões Filho (BA) porque não tinha gente para descarregar mercadorias de 90 caminhoneiros aqui em Camaçari”— afirma Julio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.

As negociações que não solucionam a situação dos trabalhadores

A Ford já fechou dois parques industriais, sendo um no bairro do Ipiranga e outro mais recente, em São Bernardo do Campo, na cidade do grande ABC. A burocracia sindical, da mesma forma que faz agora, tentou fazer com que outras montadoras assumissem as fábricas, em aliança com o governador de São Paulo, João Doria, do golpista PSDB que, prometeu resolver a situação, com sua política tanto cínica, como demagógica, dizendo que iria negociar com a Caoa a venda da fábrica, mas depois que não deu certo, negou qualquer participação na transação. Hoje, no local onde era a Ford de São Bernardo do Campo, prédios estão sendo construídos no local e os milhares de trabalhadores demitidos, simplesmente são estatísticas de desemprego no País, fazendo parte do exército de 14.2 milhões de desempregados.

É preciso, antes de mais nada, que as direções sindicais não continuem na política de deixar seus sindicatos fechados, em férias, que seja discutida uma política em âmbito nacional, com plenárias, assembleias, que a CUT abra uma discussão em todas as categorias de como enfrentar as demissões.

Por uma campanha nacional

A Corrente Sindical Nacional Causa Operária, está chamando ao ativismo classista a cerrar fileiras, sair à luta, para colar cartazes, distribuir panfletos contra as demissões e privatizações, defendendo a redução da jornada de trabalho, ocupação etc.

É preciso impulsionar essa perspectiva nos locais de trabalho, nas entidades sindicais, nos movimentos de luta, nos bairros operários, entre outros meios, através da constituição de Comitês de Luta contra o desemprego.

É o único caminho para sairmos vitoriosos.

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