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Para que serve a unidade entre as centrais?
paulinho da forca
paulinho da forca

Há uma ideia muito perniciosa que está impregnada no interior de todo um setor da esquerda brasileira. Esta ideia se baseia em um argumento que à  primeira vista parece irresistível: para fazer avançar a luta contra a direita seria necessário construir uma frente mais ampla possível. No entanto, como pergunta o título desta matéria, para que serve a unidade da CUT e as demais “centrais” sindicais?

A Força Sindical e a UGT, por exemplo, são “centrais” sindicais que na realidade não passam de um instrumento nas mãos dos grandes capitalistas. O caso da Força Sindical é muito pedagógico. Paulinho da Força, do Solidariedade teve um papel de destaque em toda a articulação golpista. Como na imagem da matéria, Paulinho trabalhou ativamente pelo impeachment de Dilma. Em seguida, ele integrou a base do governo golpista de Michel Temer, e recentemente, o Solidariedade votou em quase uma unanimidade a favor da destruição da aposentadoria, com a exceção do próprio Paulinho. Como a principal liderança da Força Sindical e do Solidariedade, podemos imaginar que esta votação na câmara dos deputados se tratou na verdade de uma manobra para preservar a imagem do Paulinho da Força.

Além disso, tivemos a oportunidade de ver na prática aonde essa política de unidade leva a luta da esquerda. Ao mesmo tempo em que articulou e votou pela aprovação da destruição da previdência no congresso nacional, a presença da Força Sindical na organização dos atos do dia 1º de maio e do 14 de julho levou a uma profunda confusão e desorganização destes atos. No caso do 1º de maio, o ato em São Paulo contou com a presença de cantores de sertanejo bolsonaristas, enquanto que no 14 de julho, a Força Sindical fez uma campanha de que não deveria ter ato e também não compareceu ao mesmo, sabotando a atividade. Os sindicatos ligados à  Força sequer paralisaram as atividades.

Outro ponto que devemos discutir é um fato incontestável. A única central sindical real no Brasil é a CUT. O motivo é muito simples. O que justifica a existência de uma central sindical é que ela tenha a capacidade de organizar uma greve geral, que agrupe um amplo setor de categorias de trabalho.

Alguns argumentarão que embora essas “centrais” não tenham de fato uma política adequada para a esquerda, não poderíamos ignorar as bases que estão agrupadas em seus sindicatos. Este argumento é correto. O problema é que o movimento de luta contra o golpe deve se dirigir diretamente a estas bases, e não chamar as suas direções para “construir” uma greve geral. Até porquê estas direções na realidade tem uma influência muito menor sobre as suas próprias bases do que se imagina, sobretudo em momentos de crise como o que vivemos no Brasil hoje.

Conforme afirmado no início desta matéria, a única central sindical real no Brasil é a CUT. Não apenas porque a CUT possui uma gigantesca quantidade de categorias de base, agrupando em seu interior quase 4 mil sindicatos, mas também porque é uma central que foi construída na luta real contra o regime militar, e não um aparato sindical construído com fins no mínimo duvidosos. Não há sentido em buscar uma aliança com setores que tentam confundir e boicotar a luta. A esquerda e o movimento popular não tem como progredir dessa forma. Para que a união seja efetiva a soma deve ser positiva. A união com a Força Sindical e a UGT, e outras centrais da direita, só contribui negativamente.