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Tarso e a politica da direita
Para onde vai o PT?
Todo o golpe foi feito, para destruir o PT e destruir o Lula. PT que polarizou todas as eleições, inclusive a última, polarizará as próximas também. Destruído está o centrão.
Por Ramiro Furquim/Sul21
Tarso e a politica da direita
Para onde vai o PT?
Todo o golpe foi feito, para destruir o PT e destruir o Lula. PT que polarizou todas as eleições, inclusive a última, polarizará as próximas também. Destruído está o centrão.
Lula, continua a ser o fator determinante da política nacional para o próximo período
Por Ramiro Furquim/Sul21
Lula, continua a ser o fator determinante da política nacional para o próximo período

Por Nivaldo Orlandi

Declarações diversas tornam claro o jogo político que se trava no momento.

Sintomática a entrevista de Rodrigo Maia/DEM, presidente da Câmara dos deputados, dada à GloboNews, em 05/02. “É preciso a união do centro, ou seja, da direita que historicamente domina o regime político no pais. Caso contrário, descambaria a situação. No segundo turno se repetiria em 2022, o enfrentamento de um lado o PT, de outro Bolsonaro”.

Todas as eleições. Desde fim da ditadura militar. Sempre houve enfrentamento, com o PT. Collor x Lula em 1989. Em 1994, Lula x FHC, candidato tirado do chapéu, plano real;  1998, FHC x Lula; Finalmente PT ganhou as 4 eleições seguintes, enfrentando sempre um candidato da direita, com o bloco centrão, ativo em todas as oportunidades.

A novidade na declaração de Maia, foi incluir como um partido de centro, o PDT de Ciro Gomes. Maia, incluiu como possível candidato da união dos partidos de centro, Ciro Gomes, que nas eleições de 2018, foi apresentado, como sendo candidato da esquerda.

Qual a importância da declaração de Rodrigo Maia?

 

O golpe e o desmoronamento do centrão

A crise política provocada pelo golpe, provocou o desmoronamento dos partidos fundamentais do regime político brasileiro, os partidos do centrão, PMDB, DEM, PSDB.

Eles procuraram recuperar posições do regime político através do golpe. Promoveram o impeachment ilegal, sem base jurídica, retiraram Dilma Roussef.  Ao invés de recuperar o poder, acabaram se esvaziando ainda mais.

Parecia algo natural, para o centrão recuperar o poder. Em 2014, quase ganhara a eleição com Aécio Neves. Com o golpe, tiraram o PT do poder, e o natural seria que alguém do centrão fosse o beneficiário do golpe, alguém do PSDB, PMDB ou DEM. Ao invés de chegar ao poder, o centrão se afundou ainda mais.

A manobra para tirar o PT, tirar a esquerda, tirar o movimento operário, da situação política geral, exigia uma forte polarização. Com a polarização, parte do centrão, se deslocou da direita para a extrema direita. Dilma afastada. Nova eleição, o centrão, tentou evitar a polarização entre o PT e a extrema direita. Desesperada campanha por elenão, fracassou. Centrão desolado teve que apoiar Bolsonaro.

A partir de 2019, embora o centrão domine o congresso nacional, com Bolsonaro no governo, correm o perigo de serrem engolidos definitivamente, pela extrema direita. Daí o chamado do presidente da câmara pela unidade das forças de centro. Unidade que uniria forças do bolsonarismo, como por exemplo citado por Maia, o governador de São Paulo, João Dória. Elementos de extrema direita, tanto quanto Bolsonaro. Somente não sendo da corrente bolsonarista. Assim como, Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro. Nem Doria, nem Witzel, deixam nada a dever a Bolsonaro. Talvez somente menos estridentes do que Bolsonaro.

Primeiro problema, o chamado centro carece de apoio popular para realizar essa grande operação. O “centro”(na verdade, a direita) não possui sustentação popular. Daí a manobra para a escolha de um possível candidato diferente dos típicos nomes do centro. Buscam então, um possível candidato avulso, tipo Luciano Huck, candidato estilo Collor para tentar enganar o eleitor com a idéia, de que o apresentador de TV, não tem passado político. Apresentador vindo do além. Nome para defender a política do Centro, sem relação com o centro. É disfarce da política do centrão. Outro candidato possível, Doria. Doria que em 2018 apresentou-se como o bolsodoria. Serve para mimetizar a extrema direita. E ainda, Ciro Gomes, em 2018, apresentado como de esquerda, candidato apresentado até para substituir lula.

 

Problema do centrão: como enfrentar o PT e o bolsonarismo

 

Rodrigo Maia coloca como desafio, reestruturar o centro, pra enfrentar dois problemas, o PT e o bolsonarismo. Óh dúvida cruel! O centrão precisa se apresentar, como bolsonarista, como independente, ou, como esquerdista. Pois se, o centrão apresentar um candidato tradicional do PMDB, do DEM, do PSDB, com nenhum apelo popular, nem dá para disfarçar. Possibilidade de sucesso nenhum. É bom lembrar: o centrão fracassou totalmente com Temer, estigmatizado como produto do golpe. Política destrutiva de Temer comprometeu definitivamente o centrão.

Na eleição 2018, Bolsonaro, rompeu com o centrão. Parte do centrão e Bolsonaro deslocaram-se para a extrema direita. A manobra do centrão é visa fazer com que a direita tradicional (PMDB, DEM, PSDB) recupere o espaço perdido para a extrema direita.

 

O centrão é a direita

 

O centrão é o bloco político que procura fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. Bolsonaro é apoiado pelo centrão. Leva adiante esse ataque. Bolsonaro, às vezes, procura se deslocar da política do centrão, que é a política neoliberal. Crise do centro é decomposição do regime capitalista brasileiro. Decomposição já vinha há tempo. Com o golpe, centro desmoronou de vez. Desesperada manobra, é para reaborserver o bolsonaro. Recuperar o espaço da direita organizadamente ligada ao bloco. Sem a camarilha política de Bolsonaro. Sem os militares.

 

Salvar o Centrão, usando a Esquerda

 

Outra variante política, a tentativa de salvar o centrão, usando a esquerda. Não o Ciro Gomes, que é candidato típico do centrão. Salvar com a esquerda que transita no âmbito político do PT. Alas do próprio PT e o PCdoB.

Vê-se a desenvoltura da movimentação do PCdoB, com o governador do Maranhão, Flavio Dino, tentando viabilizar a política de frente ampla. Visa constituir um bloco como candidato da esquerda com o apoio do centrão, com o pretexto de, unir as forças  ditas civilizadas contra a extrema direita. Nenhuma preocupação com a extrema direita em si. É um esforço do setor da esquerda, com candidato de esquerda, apoiada pelo centrão. Última preocupação dessa frente é o Bolsonaro.

É comum a esquerda manobrar com a burguesia. Essa esquerda se aproxima da direita quando a direita está liquidada. Quando a direita para se salvar precisa de uma cobertura de esquerda, e se coloca como “alternativa ao bolsonarismo”. Essa esquerda burguesa e pequeno burguesa se presta a isso, para que possa ter acessos ao governo para satisfazer sua clientela, nos seus interesses políticos e econômicos. Flávio Dino e o “Movimento 65”, uma fachada para que a esquerda se apresente como esquerda direitista. Apresentando-se com a cor verde e amarelo, a aliança com a direita fica facilitada. Políticas esquerdistas, que essa candidatura eventualmente fizer, será uma perfumaria, a cereja do bolo. PCdoB, quer presentar-se como os “comuns”. Isso lembra muito a Europa com nomes tipo cyriza, na Grécia, Podemos na Espanha, uma esquerda genérica. Esquerda que ao invés de se apoiar na classe operária, se apóia na classe média, com aspirações democráticas de segunda linha, direitos de mulheres, população LBGT, tudo em um sentido reacionário.

 

Salvar o centrão com a direita do PT

Significativa a participação do ex-governador Tarso Genro, líder da direita do PT. Porta voz dos governadores do PT do Nordeste. A proposta dessa direita é se apresentar como alternativa política de uma esquerda sem a ala lulista. Um processo parecido com a proposta de frente ampla do PCdoB. Governador da Bahia, Rui Costa é sustentado por forças do centrão. Seria uma transposição, ou ampliação, do governo direitista da Bahia para, o nível nacional.

Tarso oferece como modelo, a Frente Ampla do Uruguai. A que mais se integrou não só com a burguesia em geral, mas com a burguesia imperialista. No Uruguai, a Frente Ampla teria permitido que a extrema direita ganhasse a eleição, mas sem avanço do fascismo, o que não é verdade. O governo de extrema direita do Uruguai, está propondo uma série de leis para confiscar as liberdades democráticas. Direita lá, já tem até, dois ministérios.

A tese de Tarso Genro é a de que o PT deve relacionar-se de forma amistosa com o imperialismo. Que o PT “seja bonzinho, bom rapaz, não corrupto”.  Bonzinho como Tabaré Vázquez , daí tu não atrai o fascismo”. Mas, se PT fizer o contrário, como Lula, querer dominar o pré-sal, esse pecado desperta a extrema direita e o fascismo. Para o ex-governador gaúcho, o PT precisa ser uma esquerda amiga dos EUA, daí o PT não atrairia o fascismo. Sob a perspectiva da ala direita do PT, é fazer do PT, algo parecido com a Frente Ampla do Uruguai. Um PT submisso ao imperialismo, mais adaptado ao regime político. PT deveria toda a luta deixar de lado, nada de defender direitos trabalhistas, defender a CLT. PT deveria amoldar-se à políticas mais modernas. Trabalhadores perdem toda renda, mas ganharia algo como uma bolsa família. PT deveria se entregar a política neoliberal. Abandonar a luta. Sucumbir ao bolsonarismo. Transformar o PT num partido de direita. Um PT mais PSDB, mais Maia, Doria, etc. PT deveria se transformar em uma espécie de PDT. Governadores do PT do nordeste poderiam muito bem estar no PSB ou PDT, e não faria diferença nenhuma. Essa é a política da ala direita do PT.

 

Querem que o  PT se livre do movimento operário e de Lula

Há um problema para a ala direita do PT. Não basta ter conjunto de governadores direitistas, precisaria dentro do PT, um movimento para o PT se reorientar nesse sentido. O que atrapalha essa manobra é a vinculação do PT, com a CUT, MST, sindicatos. Para ser vitoriosa essa manobra, o PT deveria quebrar a influência dos movimentos operários e sociais. O PT precisaria ter independência diante dos movimentos operários, os movimento populares. PT não é assim. PT detém um poder real, graças ao vínculo com sindicatos, MST, CUT. Para a manobra da direita do PT ser vitoriosa, PT precisaria livrar-se, também de Lula. Lula que, por si só, é maior que o PT. Cortar a cabeça do Lula.

A manobra de Tarso esbarra também no suposto bloco civilizado, de centro, PSDB, DEM, PMDB. Eles continuariam a atacar ferozmente os trabalhadores, a CUT, MST, sindicatos. Manobra teria que superar esses  elementos de contradição. Tendência seria explosão dentro do PT. Tarso Genro antevê isso. Daí joga a toalha. Nem à festa dos 40 anos do PT compareceu.

Todo o golpe foi feito, para destruir o PT e destruir o Lula. PT que polarizou todas as eleições, inclusive a última com o candidato reserva Haddad, polariza de novo as próximas eleições. Lula, mesmo preso, mesmo sem direitos políticos restaurados, continua a ser o fator determinante da política do próximo período.