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Acidentes com amônia
Para manter o lucro, JBS coloca trabalhadores em riscos constantes
No dia oito de novembro, mais um acidente com vazamento de amônia ocorreu em frigorífico do grupo JBS/Friboi, em Sidrolândia. Em setembro operários também foram hospitalizados
Vazamento de amônia em frigorífico - Dyego Queiroz G1
Acidentes com amônia
Para manter o lucro, JBS coloca trabalhadores em riscos constantes
No dia oito de novembro, mais um acidente com vazamento de amônia ocorreu em frigorífico do grupo JBS/Friboi, em Sidrolândia. Em setembro operários também foram hospitalizados
Trabalhadores saindo de frigorrífico devido a vazamento de gás: Dyego Queiroz/G1.
Vazamento de amônia em frigorífico - Dyego Queiroz G1
Trabalhadores saindo de frigorrífico devido a vazamento de gás: Dyego Queiroz/G1.

No último dia 8 de novembro de 2019, o frigorífico JBS/Friboi de Campo Grande teve vazamento de gás amônia.

O acidente, algo que pode-se classificar como tragédia anunciada, uma vez que os patrões têm conhecimento da inevitabilidade de que ocorra vazamentos com amônia, mesmo em locais que tenham um maior controle de segurança e manutenção, o que não se pode dizer dos frigoríficos, principalmente do grupo JBS/Friboi, considerado como o campeão de acidentes e doenças relacionados às péssimas condições impostas aos trabalhadores.

Nesse dia, segundo um funcionário, que não quis se identificar, ele chegou ao local às 7h e “já havia tumulto”. Aproximadamente 40 minutos depois, todos os trabalhadores já haviam sido retirados do prédio. Conforme informações do próprio frigorífico, o Corpo de Bombeiros foi acionado pouco antes das 8h e quatro viaturas de resgate foram encaminhadas ao local. (Campo Grande News – 08/11/2019)

Em setembro, ou seja, há pouco mais de um mês, na cidade de Sidrolândia, 73 quilômetros de Campo Grande, vários trabalhadores de outro frigorífico da JBS foram hospitalizados pelo mesmo motivo, de vazamento de amônia.

Falta de segurança e proteção é o que impera nos frigoríficos

Os efeitos podem ser catastróficos aos trabalhadores. Conforme dados da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), a amônia possui maior perigo quanto à saúde, fogo e reatividade com outros materiais, principalmente ácidos.

Os efeitos adversos à saúde humana: o amoníaco, devido à liberação de amônia, pode ser sufocante e de extrema irritação aos olhos, garganta e trato respiratório. Dependendo do tempo e nível de exposição, podem ocorrer efeitos que vão de suaves irritações às severas lesões no corpo, devido a sua ação cáustica alcalina. Exposições às altas concentrações – a partir de 2500ppm por um período de 30 min. – pode ser fatal. O contato do Amoníaco pode causar severas queimaduras nos olhos e pele. Extensas queimaduras podem levar à morte. Principais partes atingidas: olhos, pele e sistema respiratório.

Quem pretende usar amônia para manter seu sistema de refrigeração, deve ter um projeto, baseado em normas e códigos de engenharia, ficar atento à manutenção periódica e fazer o controle da operação de forma adequada. Os equipamentos devem ser bem dimensionados e instalados, além de testados antes de começar a operar, de forma a proteger seus funcionários. No entanto, para os patrões nada disso interessa ou interessa muito pouco. O que lhes dizem respeito são os baixos custos oferecidos na utilização, resultando assim, na diminuição dos custos, aumentando o lucro e o volume de dinheiro em suas contas bancárias.