Armar a população
O agricultor Erasmo Alves Teófilo, liderança na Volta Grande do Xingu, na Amazônia, está marcado para morrer, a sociedade precisa se organizar para se defender.
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Erasmo Alves Teófilo, liderança na Volta Grande do Xingu | Foto: Fábio Erdos

Não é a primeira nem a última vez que líderes de movimentos sociais são ameaçados de morte, quando não se chega às vias de fato, principalmente no município de Anapu (PA), onde a missionária Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros, um inclusive na cabeça em fevereiro de 2005, aos 73 anos. Agora o líder do movimento agrário da região e integrante da Comissão Pastoral da Terra, Erasmo Alves Teófilo, de 32 anos e que sofre de paralisia infantil, pois não tinha acesso a vacina e luta pela vida de cerca de 54 famílias de agricultores e pescadores na Volta Grande do Xingu,está recebendo com grande recorrência, ameaças de morte e tem pouco com que contar para evitar o homicídio.

Outra ocorrência parecida, foi a do Padre Amaro que era parceiro de Dorothy Stang na equipe da Comissão Pastoral da Terra em Anapu. Após uma série de denúncias feitas por fazendeiros, ele foi preso no dia 4 de março de 2018, condenado por crimes de esbulho possessório (quando uma propriedade é tomada forçadamente por um terceiro), extorsão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Uma criminalização indevida, pois na verdade todos nós sabemos quem são os verdadeiros ladrões de terra e criminosos da região, tanto que o padre foi levado à mesma penitenciária onde Regivaldo Galvão cumpria condenação por ser mandante da execução de Dorothy.

Embora Erasmo tenha afirmado: “Eu acredito. Especialmente na lei federal. Se não acreditasse, eu não estaria aqui”. Vivendo numa terra em que a lei é o mais forte, esta lei que se diz que está acima dos indivíduos, representada pela constituição, em “defesa” da coletividade. Sendo sacaneado milhares de vezes, de alguma forma misteriosa ele acredita na lei. “Um homem que trabalha para um dos grileiros das áreas em disputa foi até a casa onde Erasmo vive com os pais, já velhos, e a companheira. Antes de chegar lá, já tinha batido numa mulher e disparado três tiros. Uma das balas passou rente a uma vizinha que voltava da igreja. Diante da casa de Erasmo, o capanga do grileiro gritou e xingou. Queria que Erasmo saísse para falar com ele. A família se trancou dentro de casa”. Conta Erasmo tremendo em sua cadeira.

A violência na Amazônia aumentou no final de 2019: “armamento dobrou com Bolsonaro e a violência só aumentou”, diz o líder do movimento de uma das regiões mais sangrentas do país, e com o governo fascista no poder, os grileiros estão mais à vontade para ameaçar, bater e inclusive para matar. Sabendo das impunidades, mais de uma pessoa ouviu um deles dizer: “Nenhum juiz tem poder sobre mim”.

Erasmo conseguiu inimigos combatendo a grilagem para gado de corte e trabalhando para garantir terras para as famílias. Isso lança um alerta: que se faz necessário organizar a população com armamentos para se proteger e também para proteger líderes como Erasmo, reagindo aos ataques da direita à altura.

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