Para juíza, negro parece bandido

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Segundo a juíza Lissandra Reis Ceccon, da 5ª vara criminal de Campinas, Klayner Renan de Souza Masferrer não se encaixa no “estereotipo padrão de bandido, pois ele possui pele, olhos e cabelos claros não estando sujeito a ser facilmente confundido”.

O pedido de condenação do caso é de 2013, a decisão é de julho de 2016 mas vem ganhando repercussão nos últimos dias, nas redes sociais.

 

Diferente dos outros bandidos

 

O réu foi condenado a trinta anos de prisão por latrocínio, de acordo com testemunhas Masferrer atirou em um homem e em seu neto. Para os familiares da vítima, o suspeito foi facilmente reconhecido pois ele não seria “igual aos outros bandidos”.

Após a tentativa de roubo do veículo, Romário de Freitas Borges levou dois tiros e foi a óbito, seu neto Arthur Borges também ficou ferido. Em nota sobre o caso, o tribunal de justiça de São Paulo (TJSP) informou que não cabe se posicionar sobre os meios e fundamentos utilizados pela magistrada em sua decisão, e qualquer interferência pode ferir a autonomia e liberdade de julgamento dos juízes.

A juíza diz informou que não vai se manifestar sobre o assunto, porque o processo corre sob sigilo na justiça.
A decisão de Lissandra que agora é acusada de racismo, mostra claramente o caráter elitista e racista do judiciário brasileiro em relação aos negros do país, que nos dias de hoje classifica e julga de acordo com a cor da pele.

O racismo desfila pelos tribunais, e de uma forma ainda mais escancarada ele sobe as favelas e periferias brasileiras, com os milhares de casos de assassinatos de jovens pretos pelos policiais todos os dias.

Para o Presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB do Rio, Humberto Adami, “qualquer um que for julgado por essa juíza pode alegar que é suspeita, porque não tem isenção para julgar. É importante aprofundar se a pessoa que vai proferir a decisão já tem impregnado no seu eu, na sua forma de funcionar, uma ideia formada que acha que o sujeito tem cara de bandido porque é preto”.

Uma situação muito comum

Um fato entre tantos outros que também ficou conhecido em 2018, aconteceu no estado de Ohio nos Estados Unidos, onde um juiz mandou tapar a boca de um homem negro com fita adesiva em seu próprio julgamento, Franklin Williams 32 anos, foi condenado por roubo e fraude de cartão de credito e recebeu uma sentença de 24 anos.

Ainda em 2018 em Duque de Caxias, baixada fluminense, tivemos o caso da advogada Valéria Lucia dos Santos que foi algemada e retirada do tribunal por dois policiais, que cumpriam as ordens da juíza Ethel Tavares de Vasconcelos, sendo que existe legislação federal que veda a prisão do advogado no exercício da sua profissão, salvo em caso de crime inafiançável, o que não era o caso.
Portanto é preciso denunciar e destacar o caráter racista da justiça golpista e a necessidade de mobilização dos negros através de organização popular, afim de impedir o massacre que se alastra sob a população negra no Brasil e em todo o mundo, diante do avanço da crise política.