De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (28) por fontes envolvidas com as negociações, a companhia norte-americana Chevron concordou em comprar a refinaria de petróleo da Petrobrás localizada em Pasadena, no estado do Texas (EUA).
Essa unidade tem espaço suficiente para o fluxo de “shale oil” (petróleo de xisto) na região e consegue produzir até 112 mil barris de petróleo por dia (112.000 bpd).
Segundo essas mesmas fontes, a companhia deve divulgar o acordo para a compra da refinaria ainda neste trimestre.
A Petrobrás deu início ao processo de venda de Pasadena em fevereiro do ano passado. A empresa alegou que a compra da refinaria “teria deixado para a estatal um prejuízo de mais de meio bilhão de dólares”, o que “justificaria” a venda da mesma.
Diante desse acontecimento, este Diário vem lembrar que foi justamente a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás em 2006 que se tornou um “argumento” da direita para perseguir o governo do PT, acusando-o de tomar essa ação como sendo parte de “um grande esquema de corrupção”. Esse episódio foi utilizado como um pretexto dos golpistas para inventarem a “Operação Lava-Jato” e “investigarem” a Petrobrás, a maior estatal do Brasil. Atacando a Petrobrás, a direita chegou na ex-presidenta Dilma, retirando-a do seu cargo e dando início ao golpe de Estado que está em andamento no nosso país, através do processo fraudulento do impeachment.
Na verdade, a acusação de que a Petrobrás era suspeita de um grande esquema de corrupção foi forjada pelos golpistas, com o apoio do imperialismo e dos grandes capitalistas, para quebrar a estatal e torná-la mais fácil de ser entregue aos grandes monopólios internacionais, acionistas do mercado financeiro e empresas estrangeiras, como é o caso da própria Chevron.
Além disso, a WikiLeaks, que é uma organização internacional sem fins lucrativos, e que há alguns anos tem trazido ao grande público diversas informações sensíveis e confidenciais de governos e corporações mundo afora, revelou uma conversa por telegrama entre José Serra (PSDB) e Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da Chevron, ocorrida em dezembro de 2009. Na época, as petroleiras norte-americanas não ficaram nada satisfeitas com a mudança no marco de exploração do pré-sal aprovado no Congresso durante o mandato do Lula, e Serra, que era pré-candidato às eleições presidenciais do ano seguinte (2010), prometeu que, caso as vencesse, alteraria essa regra. O economista Geraldo Biasoto, um dos responsáveis pelo programa de governo do tucano, confirmou na ocasião que a proposta era mesmo de revogar o marco regulatório.
As informações que foram trazidas à tona pela WikiLeaks demonstram que, há muito tempo, a burguesia nacional, alinhada aos interesses do imperialismo e agindo como verdadeiro serviçal, tinha a meta de atacar a esquerda e derrubar o governo do PT. Removendo seu governo ficou muito mais fácil acabar com as conquistas dos trabalhadores e os direitos democráticos do povo, entregando, assim, as riquezas naturais e o patrimônio nacional ao capital internacional, garantindo o seu lucro, como estamos vendo agora no caso da venda de Pasadena para a Chevron.
O processo fraudulento do impeachment de Dilma foi feito exatamente para dar início ao cumprimento desse objetivo, e Temer foi colocado para realizar essa tarefa. Como seu governo não tinha nenhum tipo de legitimidade, autoridade e popularidade, a burguesia forjou as eleições, de forma a deixar o líder nas pesquisas, o ex-presidente Lula, de fora da corrida eleitoral, e colocou um governo improvisado, que é o governo Bolsonaro, que talvez possa consumar o plano para atacar os trabalhadores e entregar as riquezas produzidas no país.
A única saída viável para essa situação, derrotar o golpe de Estado e por fim à entrega do patrimônio nacional é a luta do povo, por meio de uma ampla mobilização popular. Mobilizar a campanha contra o governo Bolsonaro e chamar os trabalhadores e o conjunto da população para exigir a imediata libertação do ex-presidente Lula.





