Para isso serviu a intervenção: militares torturaram outros três presos em quartel no RJ

tortura

Da redação – Continuam os casos de denúncias de tortura por parte de presidiários no Rio de Janeiro, contra os militares golpistas e interventores. Três homens relataram ontem (05) em audiência na Central de Assessoramento Criminal (CAC) do Tribunal de Justiça, que foram mantidos dentro do quartel do Exército na Zona Oeste do Rio em agosto do ano passado, onde foram espancados com ripas de madeira e submetidos a ações típicas de uma ditadura militar.

Os casos somam até agora um total de sete denúncias, onde os homens detidos nas operações das Forças Armadas no Complexo da Penha explicitaram as atividades ilegais dos interventores.

Algo intrigante nestes casos é o fato de que os militares de hoje se utilizam de técnicas de terror como os militares de 1964, mantendo dentro do quartel, na 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar, uma “sala vermelha” onde praticam os atos de verdadeiros fascistas.

Os homens, Jefferson Luiz Rangel Marconi, de 26 anos, Marcos Vinícius do Nascimento, de 21, e Ricardo da Conceição Glória, de 33, já haviam denunciado, durante audiência de custódia dias após a prisão, que haviam sido agredidos pelos militares. Agora, surge mais um fato novo que é a comprovação de tortura dentro das dependências militares.

“Eles me colocaram numa cadeira, virado para a parede, e começaram a fazer perguntas. Achavam que, só porque moro lá, sou obrigado a saber de tudo. Como não sabia, me batiam com uma ripa nas costas e na cabeça. Me fizeram comer papel. Perguntaram que gosto tem. Eu disse ‘nenhum’. Depois botaram spray de pimenta no papel e mandavam eu comer. Depois falavam: “Agora tem gosto, né! Responde o que a gente quer”,  disse Jefferson ao juiz competente.

Isso mostra qual foi o objetivo e a serventia da intervenção militar no Rio de Janeiro: espalhar o terror contra a população pobre e trabalhadora, para fazer um intenso treinamento para um intervenção militar a nível nacional, espalhando tais brutalidades para todo o território. Uma ação fascista.

É preciso uma ampla denúncia contra os militares golpistas, pois, está mais do que claro que estão implantando uma ditadura militar no país, preparando abertamente um golpe contra os trabalhadores. Essas práticas de torturas são fascistas, típicas da extrema-direita e vistas em diversos lugares pelo mundo onde o imperialismo organizou golpes de Estado e a destruição das organizações operárias.  

Os trabalhadores devem organizar Comitês de Autodefesa e começar a mover suas bases para as ruas, para enfrentar o golpe de Estado através da força e derrotar esses inimigos da população.