Rodoviários de Recife na luta
Trabalhadores dos transportes realizaram ato por direitos em frente a empresa de ônibus. Imprensa burguesa e patrões não gostaram
FG
Rodoviários lutam por seus direitos na capital | Foto: Wellington Lima/JC Imagem
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Rodoviários lutam por seus direitos na capital | Foto: Wellington Lima/JC Imagem

Nesta madrugada, na capital em Recife, um grupo de trabalhadores rodoviários realizou um protesto em frente à garagem da empresa Metropolitana, impedindo a saída de coletivos.

O Sindicato dos Rodoviários denunciou que o ato é devido a problemas referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) enfrentados por funcionários demitidos da empresa.

Ônibus que são verdadeiras latas de sardinha, filas, atrasos de horários e aglomerações são rotina para o povo pernambucano, mas a prefeitura em conluio com o governo, o poder público no geral, produz um verdadeiro morticinio da população enquanto o povo está superlotado. E quer culpar essa responsabilidade nos ombros dos trabalhadores grevistas.

Segundo a imprensa golpista, que entrou em contato com Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), eles informaram ter pedido ao Sindicato dos Rodoviários “que se abstenha de promover paralisações no serviço”. De acordo com o consórcio, 172 coletivos foram retidos na garagem da empresa Metropolitana devido à manifestação.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Aldo Lima, o protesto foi organizado pelos próprios trabalhadores que foram demitidos. “Os trabalhadores foram penalizados com as demissões logo na primeira semana de pandemia. Esses trabalhadores tiveram a informação da empresa que estariam sendo desligados da empresa, só que até agora não receberam nada. A empresa demitiu alegando falência, porque o intuito da empresa é lucrar em cima da pandemia para não pagar corretamente as verbas rescisória de todos os trabalhadores”, criticou.

Aldo Lima afirma que a principal demanda da paralisação é para que seja cancelada as demissões e os profissionais sejam reintegrados à empresa. “Os trabalhadores estão desde o mês de março sem receber nada. Pessoas passando fome, sem pagar o aluguel e a empresa simplesmente não quer pagar. Já teve decisões judiciais com 14 ações civis públicas, tuteladas pelo Ministério Público do Trabalho contra todas as empresas que praticaram as mais de 3.000 demissões. Só aqui na empresa Metropolitana foram 382 demissões, sem aviso prévio e sem o pagamento da multa rescisória e dos 40% do FGTS. Essas ações vem com o intuito de cancelar as demissões porque há uma fraude nesse processo de demissão“, denunciou.

As insinuações de que a resposabilidade pelos problemas enfrentados recaem aos trabalhadores que se manifestam por seus direitos deve ser constrastadas com a declaração do secretário fascista Marcelo Bruto, responsável pela pasta do Desenvolvimento Urbano na grande Recife. Ele afirmou cinicamente: ”Passageiro sabe que está melhor do que antes da pandemia‘.

Estas declarações reforçam o comprometimento do poder público de conjunto com a burguesia com o genocídio causado pelo governo federal, que coloca o país com atualmente um número de cerca de 1 milhão de casos de covid 19 e beirando aos 50 mil óbitos, sem contar as subnotificações, que triplicariam os números.

Neste cenário grave, finalmente, se colocar contra esses governos de destruição, se manifestando nas ruas, tornou-se questão de sobrevivência para os trabalhadores. É vida ou morte. Portanto, o ato realizado pelos rodoviários é um acerto e deve ser incentivado, replicado por todas as outras categorias que também estão sendo esmagadas neste momento.

É preciso seguir o exemplo dos rodoviários de Recife, que tomaram corretamente ao pé da letra a palavra de ordem originada pelos operários chilenos, que diziam “Se podemos trabalhar, podemos protestar”.

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