Novos bárbaros
O governo Bolsonaro condena a cultura nacional, notadamente sua matriz africana como forma de ampliar a dominação imperialista no país
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Orixás de Djanira de Mattos e Silva | Foto: Divulgação

Por decisão do Governo Federal, a obra Orixás, da artista Djanira de Mattos e Silva, foi retirada do salão nobre do Palácio do Planalto. O óleo sobre tela de 1,12 metro de altura e 3,61 metros de largura representa, em vivas cores, divindades das religiões de matriz africana e afrobrasileira, parte integrante do espírito nacional. A obra em exposição no salão nobre do Palácio pelo menos desde 1999 foi retirada — a última vez que foi vista exposta no Palácio foi no fim de 2019 —- para o arquivo do Palácio, agora fora de exposição, trancafiada no arquivo.

A atitude dos Bolsonaros, que vivem ilegitimamente no Palácio, em relação à condenação da obra, pois é disso que se trata, não é naturalmente uma questão de preferência estética ou qualquer tecnicidade relativa a preservação da obra de arte, como alegou o governo, mas uma questão política da maior importância.

Trata-se de uma investida contra a cultura nacional, a cultura popular em especial e a elementos próprios da identidade nacional, fora o cunho claramente racista desta atitude, cujo sentido é atingir a comunidade negra do País e seu imenso legado para a conformação da cultura brasileira.

Djanira Mattos e Silva foi uma artista modernista que retratava em sua obra a vida do povo, o trabalho, as festas populares, a religiosidade, além do tema sacro que marca sua carreira.

O escritor Jorge Amado, de quem a pintora foi amiga, escreveu sobre sua obra, para o catálogo de uma exposição em 1958, as seguintes considerações: “Sendo um dos grandes pintores de nossa terra, ela é mais que isso, é a própria terra, o chão onde crescem as plantações, o terreiro da macumba, as máquinas de fiação, o homem resistindo à miséria. Cada uma de suas telas é um pouco do Brasil. No dia que se escrever a história da arte brasileira, vai-se dizer de Djanira que sua pintura nasceu do povo, cresceu com ele, com ele se tornou poderosa e densa de drama e de pura alegria”.

Não é propriamente contra a artista que se voltam os Bolsonaros, mas contra o povo brasileiro e sua cultura, não somente contra o negro e sua religião, o é também, mas contra a cultura popular nacional, contra a identidade nacional que se expressa na cultura comum. É uma política fascista, a de considerar inadequada, degenerada, a expressão cultural do grupo a qual se quer atacar, dominar.

É o colonialismo, o apagamento de uma cultura e a imposição de outra, alienígena, no caso de Bolsonaro um representante direto dos interesses norte-americanos que aliás nem mesmo tenta esconder, como meio de dominação, de atingir a personalidade de um povo, seu amor-próprio. O poeta antilhano, Aimé Césaire, escreveu sobre o colonialismo: “Eu, eu falo das sociedades esvaziadas de si próprias, de culturas espezinhadas, de instituições minadas, de terras confiscadas, de religiões assassinadas, de magnificência artística aniquilada de extraordinárias possibilidades suprimidas”.

O ataque econômico, político e repressivo do governo de traidores da Pátria, o que um crime segundo qualquer legislação, vem sempre acompanhado do ataque a cultura, ao espirito nacional. Esse é o sentido da extrema-direita menosprezar a cultura e o povo brasileiro e impulsionar essa ideologia de desprezo, esse também é o sentido da política “cultural” do governo.

Um ataque que começa com a tentativa de desqualificação da matriz africana de nossa cultura nacional, que é também um elemento de afirmação da opressão racial, que se estende a cultura popular do nordeste, a cultura operária, etc,. ao mesmo tempo a exaltação de tudo o que é próprio da dominação imperialismo, de tudo que é inautêntico, fruto apenas da intervenção do dinheiro, ou seja, condena-se tudo que é belo, bom e exalta-se tudo que é podre e torpe.

O governo Bolsonaro mostra-se a cada passo que é preposto do imperialismo com o objetivo de submeter o país ao imperialismo como se fossemos uma colônia, ao mesmo tempo tenta submeter o povo a um regime análogo a escravidão, atacando duramente os direitos sindicais e políticos. Para defender a cultura nacional, a expressão cultural do negro e de todos os setores que a conformaram é preciso por abaixo governo de ignorantes e bárbaros, inimigos do povo e da cultura brasileira, uma das mais ricas e importantes do mundo.

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