Mais um saque contra o povo
Acionistas do Bradesco vendo sua fatia do bolo um pouco menor, recorre novamente aos cofres públicos
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Povo passando pelo detector de metais como medida de evitar assalto no banco. Ironia da vida | Foto: Reprodução

O Banco Bradesco sofreu uma queda em seu lucro líquido (o ganho que a empresa tem depois de realizar todos os descontos obrigatórios), em 40,1% no segundo trimestre de 2020 ante o período de 2019 para R$3,9 bilhões, ou seja, os acionistas estão recebendo menos dinheiro em suas contas.
Nos primeiros três meses do ano o lucro havia caído 39,8%. No entanto, comparando o primeiro trimestre com o segundo deste ano, o lucro teve uma alta de 3,2%.
Essa queda foi o suficiente para que o banco pudesse usá-la como desculpa, para aumentar as reservas para calotes e cobrir os casos de inadimplência decorrente dos danos econômicos da pandemia do coronavírus. Isso é o que consta na justificativa mas se levantarmos o histórico de inadimplência do país, essa era a nossa realidade muito antes da pandemia mundial, e o banco já havia separado um volume 86% maior de recursos em março para tentar conter os impactos da pandemia– dobrou as provisões feitas entre abril e junho em relação ao mesmo trimestre de 2019.
É importante salientar que os empréstimos para pessoas jurídicas (PJ) registraram alta de 16,4%, para R$425,1 bilhões, com o crédito subindo 18,2% no período, para R$ 310,2 bilhões – esses PJs são apenas as grandes empresas, pois as pequenas e médias empresas estão com muita dificuldade de elencar o quadro de contemplados por esses créditos.
Em entrevista o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, faz uma série de declarações “recheadas” de desculpas esfarrapadas e que é a cara dessa burguesia: “a provisão adicional foi feita conservadoramente com base na incerteza sobre a extensão e a dimensão total da crise do coronavírus”. Pois é, estão usando “conservadoramente” o dinheiro que é do povo.
E mais: “As provisões acontecem sempre em função da expectativa de perdas futuras da carteira de crédito e são embasadas em informações históricas e prospectivas. Estamos bem provisionados para o momento, mas continuaremos seguidamente avaliando o cenário e fazendo novos ajustes se for necessário”. Acreditamos que o Bradesco esteja de fato “bem provisionados”, sr. Lazari, só que isso jamais deveria ocorrer com o dinheiro dos cofres públicos.
E Lazari contempla os leitores com a cereja do bolo: “”O cenário econômico ainda é difícil, mas dá para dizer que aparentemente o pior momento já passou”. Para o CEO da Bradesco e principalmente para o seus acionistas, o pior já passou mesmo, mas de longe essa é a realidade da população que ocupa o andar de baixo da nossa sociedade.
A “cara de pau” desses parasitas é tamanha, que eles não tem o menor pudor de dar essas declarações estapafúrdias em entrevistas.
Essa desculpa esfarrapada de queda em seu Lucro Líquido, não passa de mais uma manobra, que é uma prática comum dos bancos para embolsar o dinheiro que tem recebido a mais do governo em momento de pandemia. As pequenas empresas são as que mais estão sofrendo com a queda em seus faturamentos e absolutamente ninguém saiu para socorre-las, muito menos o Estado.
O número de desempregados maior do que o de empregados, o país enfrentando uma pandemia histórica nunca vivenciada por esta geração, pessoas sendo despejadas nas ruas por não terem como pagar aluguel e, muitos dos que ainda tem onde morar, sofrem com problemas de saneamento e acesso ao mínimo de infraestrutura básica.Mas o nosso governo anda preocupadíssimo em socorrer bancos, cujo os acionistas sequer moram em nosso país e que vivem de exploração da classe trabalhadora, cobrando juros sobre juros, tornando as dívidas impagáveis e fazendo com que o povo vire escravo dessa classe dominante, deixando evidente o cenário ditatorial que essa burguesia impõe à sociedade.
Por essa razão é urgente a estatização do sistema financeiro, como única forma de acabar com a especulação de crédito e, evitar que apenas meia dúzia de parasitas tenham suas peles salvas em momentos de crise.

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