São Paulo
Principal vetor de contaminação da Covid-19 é ignorado sistematicamente pela imprensa e pelo Estado
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Vagão de metrô durante a pandemia | Foto: Reprodução
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Vagão de metrô durante a pandemia | Foto: Reprodução

Ao longo do último fim-de-semana – na capital, feriado prolongado com o aniversário da cidade na segunda-feira -, foi atualizada extraordinariamente a classificação em fases das regiões em que o plano do governo do estado para administrar a flexibilização da quarentena, o Plano São Paulo, divide o estado. Mantidas, em dias úteis, as regras normais das fases em cada região em horário comercial, das 6 às 20h, foi determinada a adoção generalizada da fase vermelha nos feriados e fins-de-semana e entre as 20h e 6h em dias úteis.

Esta medida apenas alimenta a campanha que procura pôr na conta do cidadão médio a culpa pelo aprofundamento da pandemia, isentando os parasitas golpistas aos quais chamamos “poder público”. Entre agosto e novembro, estes, que enquanto a pandemia permanecia fora de controle, apoiados em informações fabricadas sobre a melhoria da situação, sabotavam hospitais de campanha [https://www.causaoperaria.org.br/genocidio-avanca-e-covas-fecha-hospitais-de-campanha/] e que, durante o mês de dezembro, forçaram artificialmente a manutenção da fase amarela em 16 das 17 regiões, claramente por razões eleitorais e econômicas, nas duas oportunidades culparam o posterior endurecimento da quarentena na falta de consciência e disciplina da população, nas confraternizações familiares e nas poucas grandes festas.

É nos transportes públicos, cuja frota foi cortada logo no início da pandemia e nunca mais, apesar da flexibilização da quarentena, retornada à situação normal, tomados só na cidade de São Paulo por mais de 8 milhões de pessoas, diariamente aglomeradas ombro a ombro, em que ocorre a maior parte das contaminações, apesar das precárias medidas e equipamentos de proteção individual. Os trabalhadores, maior parte da população, que se mantiveram de uma forma ou de outra ocupados – do contrário não tendo como sobreviver – sendo as principais vítimas da devastadora crise econômica e da pandemia, são colocados diariamente pelos capitalistas, seus governantes e sua imprensa, como os grandes culpados por estas duas crises.

A última medida do “científico” João Doria, passando muito longe do problema central, ao lado da sua recente importação de um ínfimo lote de vacinas apenas para promover sua candidatura à presidência para 2022, é mais um jogo de cena para esconder a completa inação de seu governo, responsável por uma a cada quatro mortes pela doença no País.

Ou seja, para além da propaganda da direita, que pouco se importa com o destino da população, e da esquerda pequeno-burguesa, escravizada pela política de colaboração com a direita golpista. Restringir a locomoção das pessoas não irá ter resultado algum no combate à pandemia, dado que o mesmo governo mantém a maior aglomeração possível todos os dias nos transportes coletivos de metrôs e ônibus superlotados. Logo, é uma farsa que não terá qualquer resultado diferente de aumentar a repressão da população, enquanto esta morre de coronavírus, devido à política genocida dos governantes “científicos”, como Doria.

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