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Guilherme Boulos, dirigente do Movimento dos Sem Teto, o MTST, lançou no último sábado sua pré-candidatura à presidência da república pelo PSOL. A candidatura de Boulos, assim como as outras candidaturas da esquerda, como a de Manoela Dávila, pelo PC do B, desempenha o papel muito definido no atual cenário político, de ajudar a direita a criar a ilusão de que existe no País um funcionamento democrático regular, que o País não se encaminha para uma ditadura ainda mais reacionária, sob a tutela dos militares. Tudo estaria em sue lugar, mesmo com a iminente prisão e a cassação da candidatura do ex-presidente Lula, maior liderança popular do País e líder absolutao nas pesquisas eleitorais.

Nesta situação de “normalidade”, o caminho seria discutir supostos programas e propostas da esquerda.

Nada poderia ser mais falso e mais reacionário.

Boulos é mais uma “alternativa” da esquerda, desejada pela direita que gostaria de ver uma parcela dos trabalhadores e da juventude desistirem de lutar contra o golpe e contra a prisão de Lula e passarem a apoiar pseudos candidatos da esquerda, apoiados pela direita.

Soma-se assim ao candidato majoritário desse “campo alternativo”, do PDT, Ciro Gomes (ex-PSDB, PPS, PSB etc.) que vem ganhando destaque na imprensa golpista para tacar Lula e defender os militares e sua intervenção no Rio de Janeiro. Ciro Gomes, como bom direitista que é, não quer polarização, não quer que a população reaja ao golpe. Como declarou, defende a união “entre coxinhas e mortadelas”, ou seja, defende que o povo aceite o golpe e viva sob a política de terra arrasada da direita.

Guilherme Boulos, pré-candidato pelo PSOL, segue também a mesma política. Vale lembrar que o principal impulsionador da campanha de Boulos é o cantor Caetano Veloso e sua esposa Paula Lavine, o cantor esteve presente no evento de lançamento da candidatura de Boulos. Ambos, Caetano e sua esposa, foram os maiores propagadores da política de “união” da direita e da esquerda, de maneira oportunista e demagógica, defenderam e defendem que é preciso parar com a denúncia do golpe e caminhar para uma aproximação com a direita, com os coxinhas verde e amarelos, em nome da “harmonia” no país. Como se fosse possível entrar em um acordo com a direita em um momento que o país caminha abertamente para um golpe militar, no qual os direitos da população serão todos esmagados.

Trata-se de mais uma candidatura fora da realidade da polarização que só tende a crescer, diante dos planos da direita de aprofundar o regime golpista -inclusive com o golpe militar – e da inevitável reação de amplas parcelas dos trabalhadores e da juventude contra a ofensiva golpista, contra a intervenção militar, contra a prisão de Lula etc.

Nesse sentido, a candidatura Boulos, assim como a de Manoela D´Á villa, não têm nenhum peso no cenário político, a não ser servir aos interesses da direita. Isso ficou muito claro, por exemplo, no destaque que os jornais golpistas, como a Folha de São Paulo, deram ao evento de lançamento da candidatura de Boulos.

São candidaturas que tentam passar a imagem de que estão mais à esquerda do que o PT, mas não lutam concretamente contra o golpe, não denunciam o violento ataque do imperialismo e da direita contra o Partido dos Trabalhadores e sua principal liderança e único candidato da esquerda que tem condições de impor uma derrota eleitoral à direita, no caso de que as eleições ocorressem não como uma fraude total, apenas para legitimar o golpe.

Não falam nada do avanço do golpe em direção a uma ditadura militar, estão atrás única e exclusivamente de tentar tirar uma casquinha da campanha da direita contra o PT e auferir vantagens eleitorais e outras, diante do agravamento da crise.

Trata-se de mais um candidato abutre que, com apoio da Globo e de outros setores da direita, quer se beneficiar da operação de destruição do PT pela direita, é uma política de apoio ao golpe de estado.

Nesta empreitada Boulos que lançar mão do PSOL, partido já acostumado a servir de “barriga de aluguel” para políticos profissionais embalados pela direita como Heloísa Helena, Randolfe Rodrigues e tantos outros que usaram a legenda para ganhar alguma projeção e servirem aos interesses eleitorais da burguesia.

 

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