Para derrotar a gangue de Bolsonaro é preciso uma grande campanha para libertar Lula

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As denúncias publicadas nesta quinta-feira (dia 18), sobre o gasto ilegal de milhões pela campanha de Jair Bolsonaro, na compra de pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp constituem mais uma evidência do caráter fraudulento das eleições cujo primeiro turno aconteceu no último dia 7.

Segundo publicou a Folha de S. Paulo, “cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. Os contratos são para disparos de centenas de milhões de mensagens”. Tal iniciativa constitui doação de campanha feita por empresas, prática – largamente usada, por meio de caixa 2 – que está vedada pela legislação eleitoral.

Evidenciando que há uma crise no interior da burguesia, diante da possível vitória de Bolsonaro e controle do Executivo pelos militares, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, anunciou que as “fake news de Bolsonaro podem ter alterado resultado do primeiro turno“.  Na mesma linha, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, ligado ao PSDB, publicou em seu Facebook: “É fraude, simplesmente fraude”, afirmando, que “não é razoável que um candidato se eleja com base na fraude, e nada seja feito para impedi-lo”.

Na mesma direção, o presidente do PDT, Carlos Lupi, anunciou que o partido que teve como presidenciável Ciro Gomes, “quer entrar com uma ação junto à Justiça Eleitoral a fim de pedir anulação das eleições 2018“.

O Partido dos Trabalhadores publicou Nota, em que comunica que “requereu nesta quarta (17), à Polícia Federal, uma investigação das práticas criminosas do deputado Jair Bolsonaro” e que “levará essas graves denúncias a todas as instâncias no Brasil e no mundo”.
A manipulação das eleições por meio de milhões (e muito mais milhões ou bilhões do que está sendo denunciado) por parte da chapa do golpe militar e demais partidos burgueses, nas redes sociais e na imprensa golpista, não são – nem de longe – o único e decisivo fator marcante das eleições mais fraudulentas de toda a história do País.
Elas foram marcadas pela fraude inicial e decisiva, de cassar ilegalmente, em aberta violação da Constituição, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que liderava com ampla margem de folga as pesquisas de intenção de voto e ameaçava ganhar as eleições já no primeiro turno, obtendo mais do que a soma de votos de todos os demais candidatos. Isso tudo, depois de um processo criminoso que levou à sua condenação sem provas e prisão ilegal, próxima de completar 200 dias.
O uso ilegal das redes, veio para completar a manipulação das pesquisas, a ausência de campanha eleitoral, imposta pela justiça eleitoral, a cassação de centenas de candidatos e os decisivos “milhares” das urnas eletrônicas que fizeram de elementos semi desconhecidos e sem campanha real os campeões mundiais de votos e garantiram a eleição de dezenas de militares e outros elementos dos órgãos repressivos, de organizações fascistas como o MBL etc.
Uma parte da esquerda se iludiu com a participação de Haddad no segundo turno, colocada sob a pressão dos setores da esquerda que assumiram o comando da campanha do PT depois da desistência da candidatura de Lula (forçada por ameaças de militares).
Os que assumiram o comando já defendiam há meses que Lula fosse substituído por um “plano B”, um outro candidato aceitável pela burguesia golpista e agora anunciam a possibilidade de uma “redenção” do País, por meio do voto.  É a ilusão na possibilidade inexistente de derrotar nas urnas a direita fascista que apenas nas duas últimas semanas realizou mais de 60 ataques contra militantes da esquerda, mulheres, negros, sem terras, homossexuais etc. em todo o País.
Os golpistas não têm nenhum motivo para respeitar uma vitória do PT em 2018 sendo que eles mesmos jogaram na latam de lixo os votos de mais de 54,5 milhões de brasileiros, há dois anos, quando derrubaram por meio de um golpe de Estado a presidente Dilma Rousseff para colocar em seu lugar um governo sem voto algum, tutelado pelos militares.
As novas denúncias, que expõem muito parcialmente a farsa das eleições, não podem ser apuradas e “punidas” como clamam alguns, pelos setores do regime golpista que comandaram a fraude: o judiciário e a imprensa golpistas, a Polícia Federal e todo os apoiadores da chapa do golpe militar, que integram a gangue de Bolsonaro-Mourão.
Os que escondem Lula, não defendem o fim dos processos da Lava Jato e a libertação dos presos políticos, também não têm autoridade e disposição para encarar uma campanha que leve à derrota cabal da direita e de seus ataques contra os trabalhadores e a economia nacional.
Para obter essa vitória não adianta comparecer às urnas viciadas no próximo dia 28, munido de boas intenções ou intensificar a campanha não paga nas redes para tentar se contrapor à campanha bilionária patrocinada pelos donos dos golpistas.
É preciso sair às ruas e exigir a liberdade imediata da maior liderança popular do País, que seria capaz de, com sua liderança, unir toda a esquerda que luta contra o golpe (não apenas por votos), unir a imensa maioria dos explorados e suas organizações de luta, em um movimento gigantesco que aja, pelos meios necessários, para colocar a gangue de Bolsonaro no seu devido lugar, que não é no Planalto, no comando do País.