Para derrotar a extrema-direita é preciso mobilizar a segunda Conferência de luta contra o golpe

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As eleições desse ano demonstraram, na prática, o aprofundamento do golpe de Estado dado contra a presidenta Dilma Rousseff em 2014. De lá para cá a direita golpista vem impondo um verdadeiro regime de exceção e de destruição dos direitos do povo. O golpe deu sequência a uma série de medidas antipopulares, como a reforma trabalhista, a tercerização, a PEC dos gastos, privatização das empresas nacionais, como a Embraer, o pré-sal, etc. Para conseguir impor seu projeto neoliberal do imperialismo contra o povo, os golpistas tiveram que modificar o regime politico, suas instituições, no sentido de ir, aos poucos, instaurando uma verdadeira ditadura contra a população e suas organizações de luta, como os sindicatos e os partidos de esquerda.

O exemplo mais claro desse fato foi a prisão, sem qualquer prova, por meio de um processo fraudulento, do ex-presidente Lula, principal liderança popular do pais. Para prender Lula, os golpistas, por meio do Supremo Tribunal Federal, modificarão a constituição, permitindo que uma pessoa condenada seja presa em segunda instancia, quando a lei determina que qualquer cidadão só pode ser preso quando seu processo for transitado em julgado, ou seja, ter transcorrido as três instancia da justiça.

Uma verdadeira arbitrariedade contra os direitos democráticos de todo o povo brasileiro. Ao mesmo tempo, os militares foram cada vez mais tomando conta do regime politico nacional, por meio das diversas operações militares ocorridas nos últimos dois anos no pais, a intervenção militar no Rio de Janeiro, a qual resultou, dentre outras mortes, no assassinato da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco.

Os militares passaram a controlar o executivo, por meio do Gabinete de Segurança Institucional, ocupado pelo general Sérgio Etchegoyen e, mais recentemente, passaram a ter o controle também do judiciário, cujo o assessor do atual presidente, Dias Toffoli, e um militar, o general Fernando Azevedo e Silva e também do legislativo “elegendo” a maior bancada militar dos últimos anos

Nesse sentido as eleições desse ano foram uma continuação de todo esse processo golpista. Marcadas por uma implacável perseguição a esquerda, tendo como ponto central a impugnação ilegal da candidatura do ex-presidente Lula, líder disparado de todas as pesquisas. O processo eleitoral foi marcado pela fraude completa, onde o dono do golpe, o imperialismo, manipulou, censurou, por meio dos tribunais, perseguiu, reprimiu, ou seja, impôs uma verdadeira ditadura para garantir a vitória de um candidato que irá continuar a politica golpista de destruição dos direitos da população.

A provável “vitoria” do candidato fascista Jair Bolsonaro, portanto, é consequência de todo esse processo golpista que vem se aprofundando nesse ultimo período. A extrema-direita fascista que hoje sai às ruas para tentar intimidar a esquerda, a militância e toda a população, é fruto do golpe de 2016, o qual vem impondo esse verdadeiro estado de exceção contra o povo.

A principal lição que fica para a esquerda e suas organizações, portanto, é que não há como travar a luta contra a direita por dentro das instituições do regime burguês. Estas já esta todas sob controle da direita. A luta terá que ser travada por meio da mobilização popular, ou seja, pela ampliação e fortalecimento dos comitês de luta contra o golpe.

Nesse sentido, para a próxima etapa, será necessário impulsionar a mobilização popular contra os golpistas, algo que está na ordem do dia, dado que a direita não tem qualquer apoio e a eleição de um candidato do golpe nada mais foi que o resultado de uma manobra e da fraude organizada pela própria direita.

Desse modo, uma tarefa central nesse próximo período de luta será a convocação e a organização da II Conferencia Nacional Aberta dos Comitês de Luta Contra o Golpe e contra o Fascismo. A Conferência visa agrupar todos aqueles setores que se mobilizaram e se mobilizam contra os golpistas e em defesa da liberdade de Lula, toda militância, ativistas e organizações que se agruparam em torno dos comitês de luta contra o golpe e vem travando a luta nas ruas contra a direita golpista.

Nesta Segunda Conferência serão debatidos os próximos passos da luta contra o golpe, dado o avanço da extrema-direita. É necessário, portanto, nas próximas semanas reunir os comitês de luta em todas as cidades e organizar a convocação e as caravanas para participar desta etapa decisiva da luta contra o golpe.