Mais um vez Boulos
Valério Arcary acusa o PCO de sectário e mentiroso, mas não argumenta sobre o que está colocado sobre a candidatura de Boulos; resposta ao dirigente do PSOL, parte 1
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Boulos é representante da frente ampla na esquerda. | Arquivo.
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Boulos é representante da frente ampla na esquerda. | Arquivo.

Em sua coluna no Esquerda online, portal na internet da corrente interna do PSOL, Resistência, Valério Arcary afirma que o PCO “invariavelmente, exagera, extrapola, deturpa e até falsifica as posições dos outros” ao realizar suas polêmicas. A crítica de Arcary está direcionada a um editorial do Diário Causa Operária chamado “O que a direita quer com Boulos?”, publicado na edição da segunda-feira, dia 27.

E qual seria esse “exagero” do qual nos acusa Arcary? Ele cita um trecho do editorial do DCO, o qual citaremos da maneira como é apresentado pelo dirigente do PSOL: “Boulos não é uma ameaça para a direita (…) Ele faz o jogo da direita (…) É uma peça central das manobras da burguesia(…) Boulos, nesse sentido, é a versão municipal da operação que levantou o nome do coronel cearense Ciro Gomes (PDT) nas eleições de 2018. E, ao fazer o PT desaparecer de maneira indolor, toda a massa petista seria pacificamente levada para ser controlada pela direita”.

Diante dessa colocação, Arcary afirma que “trata-se de uma provocação: ‘peça central das manobras da burguesia?’” E continua: “nada, absolutamente nada, pode explicar a conclusão de que a candidatura do PSol seria “uma peça central das manobras da burguesia”. Denunciar a candidatura Boulos/Erundina, militantes dignos e abnegados, como agentes de uma manobra da burguesia não é um debate político, é um ataque desonesto. Ou, para responder nos termos que merecem, uma mentira, uma calúnia, uma infâmia.”

Como podemos ver, as colocações do PCO são, para Valério Arcary, dignas de gritaria: “sectarismo”, “desonestidade””, “mentira”, “calúnia”, “infâmia”. Muitos adjetivos, nenhum argumento do dirigente da corrente Resistência.

Há também os adjetivos positivos em relação a Boulos e Erundina, “abnegados militantes”, mas eles também não explicam os argumentos colocados no editorial do DCO.

Arcary escreve com espanto que a chapa Boulos-Erundina é chamada de “peça central” de uma manobra da burguesia. Deixemos que o próprio editorial do DCO nos esclareça essa questão: “Ele [Boulos] faz o jogo da direita. É um elemento de confusão utilizado por ela contra o movimento popular” e mais adiante “é algo que pode ser verificado, por exemplo, na recente participação – lado a lado – com ninguém menos que FHC e outros escroques da política de privatização e destruição da economia nacional e das condições de vida da classe trabalhadora.”

Seria uma mentira a partricipação de Boulos na frente ampla? Arcary sabe que não. Ele mesmo já criticou em uma de suas colunas a aliança com a direita na frente ampla, mas parece que quando o assunto é eleição vale-tudo para justificar uma política oportunista.

Arcary não explica nenhum dos argumentos colocados no editorial do PCO. Aliás, essa tem sido uma caractarística da esquerda pequeno-burguesa há muito tempo: diante das críticas do PCO, silêncio. É fato que Arcary rompeu esse silência, provavelmente sentiu necessidade de defender a candidatura “abnegada” de Boulos, que sua corrente no PSOL apresenta como sendo grande salvação eleitoral para São Paulo.

Os adjetivos de Arcary ao editorial do PCO, a ausência de argumentos e contra-argumentos, a distorção dos fatos, tudo isso prova uma realidade inversa daquela que Arcary procura apresentar em seu artigo: vemos que, nesse debate, se tem alguém que está “extrapolando” na crítica é Valério Arcary, não o PCO.

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