Para Bolsonaro, denunciar que antepassados foram escravizados é “coitadismo”

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Para o candidato fascista Jair Bolsonaro o problema do negro, e de outros setores oprimidos no país, não passa de “coitadismo”. Em entrevista à TV Cidade Verde, afiliada do SBT no Piauí, Bolsonaro defendeu que não deve haver nenhuma política destinada a minimizar e menos ainda suprimir situação social de inferioridade imposta ao povo negro, que é uma população oprimida pelo Estado nacional, e que racismo se combate com silêncio.

Segundo o candidato fascista, políticas destinadas a, mesmo que, minimizar a opressão do negro na sociedade brasileira são na verdade formas de promover uma divisão social. “Beneficiar” o negro, enseja o racismo, isso sim dividiria a sociedade em raças. Citando o pai-João Morgan Freeman, ator norte-americano, que teria afirmado que se combate o racismo apenas não falando dele, terminou com a tradicional demagogia da direita de que somos todos iguais e as diferenças sociais se fundamentam no mérito de cada um, quem se empenhou “logicamente vai ter uma vida mais tranquila do que quem não se dedicou”.

A concepção de Bolsonaro é profundamente racista e não seria exagero classificá-la como de tipo nazista, classificar a luta do povo negro pelos seus direitos democráticos contra a opressão que sofre, que é clara e evidente na sociedade, de“coitadismo” denota que para Bolsonaro o negro ocupa hoje o lugar que lhe é  devido e não lhe é permitido subverter a ordem, que para ele é natural.

Na ideologia racista de Bolsonaro, que é um elemento fundamental para a dominação de um povo, o negro deve aceitar passivamente o tratamento, político, social etc., que lhe é  imposto, pois este corresponde a sua “natureza”, negá-la é agir como um “coitado”, exigindo benefícios e privilégios diante de sua coitadisse.

Outro aspecto que expõem essa concepção nazista; racista é a ideia da meritocracia em abstrato, enquanto o branco, do ponto de vista racial, é livre para desenvolver-se e ascender socialmente, o povo negro é perseguido pelo Estado nacional, que cassa seus direitos democráticos, o impede de desenvolver-se, de ascender socialmente etc., simplesmente por ser negro. Defender a meritocracia nessa condições é simplesmente justificar e defender a opressão do povo negro com argumento distorcido e de tipo racista. 

O negro ao não se submeter a opressão, ao lutar por seus direitos, pela igualdade substantiva e ao denunciar a opressão racial no país contra si desde os tempos da colonização, quando se estabelece a escravidão do negro,  representa para burguesia golpista; a classe dominante, um grande terror, pois a luta do negro, maioria do povo brasileiro, é imediatamente contra ela.

Por isso, dentre outro motivos, a burguesia golpista não se furtou em apoiar um candidato abertamente racista, apoiado pela Ku Klux Klan.  É necessário organizar o povo negro para a batalha que vem contra seus inimigos mortais, o golpe e o fascismo.