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Renato Farac

Renato Farac

2020: ano do latifúndio

Para barrar a violência no campo é preciso derrubar Bolsonaro

Dados de violência no campo em 2020 mostram uma ofensiva do latifúndio, mas também uma tendência de mobilização

Tempo de Leitura: 2 Minutos

Despejos foram corriqueiros em 2020. – Foto: reprodução

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Nessa semana a Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou o seu relatório anual e trouxe dados sobre a violência no campo em 2020 no 34° Relatório de Conflitos no Campo Brasil. O relatório traz dados importantes de serem analisados e muitas informações que revelam a situação da população do campo.

Neste artigo vamos nos concentrar nos dados que estão sendo pouco divulgados, mas que são importantes para ter uma posição correta do que ocorreu. Em 2020, como já dissemos neste Diário, houve uma redução drástica nos números de ocupações de terra e novos acampamentos como uma política das direções dos movimentos sindicais e de luta pela terra em não se chocar com o governo Bolsonaro e os latifundiários. Os dados apontam que foram o menor número de ocupações de terra, retomadas e formação de novos acampamentos dos últimos cinco anos.

Essa política de recuo foi tomada com várias justificativas como por exemplo Bolsonaro tinha apoio de amplos setores da sociedade, perdemos a luta ideológica, e o principal deles é que não havia disposição dos trabalhadores em se mobilizar contra Bolsonaro.

Mas os dados divulgados pela CPT revelam que 2020 houve quase o triplo de manifestações a mais que em 2018 e representou o maior número de mobilizações dos últimos 10 anos. Foram 1.301 manifestações realizadas em todo território nacional, com 243.712 pessoas envolvidas. A CPT considerou manifestações como sendo as “ações coletivas dos trabalhadores e trabalhadoras da terra que protestam contra atos de violência sofrida ou de restrição de direitos, reivindicando diferentes políticas públicas e ou repudiam políticas governamentais ou exigem o cumprimento de acordos e promessas”.

Essas manifestações mostram que há uma enorme tendência de mobilização dos trabalhadores contra a extrema direita e o governo Bolsonaro. Essa tendência mostra o total repúdio ao governo Bolsonaro e a sua política de ataques a luta pela terra. Inclusive as manifestações de rua mostram que há a possibilidade real de derrubar Bolsonaro e os golpistas através da mobilização popular e não pelo parlamento se unificando com setores da direita golpista como o “centrão” que é totalmente contra a mobilização popular e contra a luta pela terra.

Toda essa violência está sendo estimulada e financiada pelo governo Bolsonaro e a direita para retirar os direitos de trabalhadores sem-terra e indígenas. O governo golpista dá o sinal para suas milícias formadas de pistoleiros e pessoas que tem interesse no esmagamento da luta pela terra para terem acesso a minérios, madeiras e terras que hoje estão nas mãos de comunidades tradicionais e trabalhadores sem-terra

Não há uma maneira de conviver pacificamente com Bolsonaro e muito menos aguardar até 2022 para derrotá-lo nas próximas eleições presidenciais. Até lá, a violência no campo poderá atingir níveis muito maiores que os atuais e as organizações dos trabalhadores e indígenas estarem esmagadas pela ditadura bolsonarista.

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