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Antônio Carlos Silva

Nada de mobilização

Para a esquerda, “fora Bolsonaro” só serve para fazer demagogia

Quando a jogadora de vôlei Carol Solberg falou Fora Bolsonaro na TV, a esquerda correu para elogiar o ato da esportista, mas a coisa para por aí, nas eleições, a esquerda silencia

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Na semana passada, a jogadora de vôlei de praia, Carol Solberg, após vencer a disputa pela medalha de bronze com sua parceira, Talita Antunes, na primeira etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia (CBVP) no Rio de Janeiro, pegou o microfone do repórter da Sportv que os entrevistava e falou “só para não esquecer: Fora Bolsonaro!”. Dada ao vivo e pegando os editores do canal pago da Rede Globo de surpresa, a declaração “viralizou” nas redes sociais.

A primeira conclusão do acontecido é que a enorme repercussão do caso, o amplo apoio recebido pela jogadora e a própria declaração bastante espontânea de Carol novamente mostram muito claramente a profunda impopularidade do governo Bolsonaro. Essa impopularidade vem desde o golpe e se aprofunda com o governo de extrema-direita de Bolsonaro, um inimigo declarado do povo.

A palavra de ordem é tão popular que a jogadora sentiu à vontade para falar em rede nacional. Mais ainda, pela própria declaração, “só pra não esquecer…” Carol considerou quase como uma obrigação usar aquele espaço para denunciar o governo.

Não à toa, a direita voltou sua carga repressiva contra a jogadora. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) publicou uma nota de repúdio à declaração da jogadora. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou a jogadora, o que pode resultar em uma multa absurda de 100 mil reais.

Essa é mais uma lição do caso: a direita precisa calar qualquer manifestação política porque sabe que pode se alastrar. Essa é a causa da censura. Não há nenhuma justificativa legal que impeça uma atleta de se manifestar, apenas a ditadura do atual regime político brasileiro.

Carol Solberg deve ser defendida pela esquerda e a censura contra ela deve ser duramente denunciada.

Dito tudo isso, o caso da jogadora trouxe à tona uma terceira lição. Escancarou novamente a política demagógica da esquerda pequeno-burguesa. Expliquemos melhor.

O vídeo com Carol Solberg pedindo “fora Bolsonaro” foi compartilhado e elogiado por todos os setores da esquerda. Tudo muito bonito, mas para por aí.

Esses mesmos setores da esquerda que gostam de elogiar quando algo assim acontece ficam calados quando se trata de levar adiante uma política real de luta contra Bolsonaro.

Olhando a coisa em perspectiva, toda a esquerda (com exceção do PCO e de companheiros independentes) passou todo o ano de 2019 sufocando a palavra de ordem de “fora Bolsonaro”, que já era propagada aos quatro cantos de maneira espontânea nas manifestações e até em festas e shows, como foi o caso do carnaval.

Depois de passar mais de um ano contra o “fora Bolsonaro” a esquerda passou a adotar, ainda que timidamente, tal palavra de ordem, iludida de que um setor da direita golpista teria aderido ao fim do governo. Uma ilusão! Tanto é assim que, agora que a direita tradicional “fez as pazes” com Bolsonaro, como gosta de falar a imprensa golpista, a esquerda pequeno-burguesa também diminuiu o pouco ímpeto que já tinha para pedir o “fora Bolsonaro”.

Durante a pandemia então, nem precisamos dizer. A esquerda está até agora escondida dentro de casa e se recusa a mobilizar contra Bolsonaro. Mas nas redes sociais, coraçõezinhos para Carol Solberg.

Guilherme Boulos, já se preparando para a eleição e representando a frente ampla com a direita, agiu para desmontar os atos que estavam crescendo para colocar os bolsonaristas para correr na avenida Paulista. Esse foi o “fica Bolsonaro” na prática.

Mas o pior ainda estaria por vir. Chegaram as eleições e o “fora Bolsonaro” foi esquecido, a não ser quando algum candidato está jogando para uma plateia esquerdista. Mas quando se trata de uma campanha real, o fora Bolsonaro está muito longe de ser a preocupação da esquerda.

Os candidatos da esquerda pequeno-burguesa – toda ela do PT, PCdoB a PSOL – incorporam os bons meninos para tentar atrair os votos de algum direitista, quem sabe. Vale até colocar PM na chapa majoritária, como é o caso do PSOL no Rio de Janeiro e do PT em Salvador, entre outros. Quem sabe algum bolsonarista menos convicto não deposita um voto de confiança na esquerda e sua “política de segurança pública”.

Os elogios recebidos por Carol Solberg ficam apenas nas redes sociais, eleição é “coisa séria”, não é lugar de ficar falando “fora Bolsonaro”. Os candidatos do PCO que o digam.

Mal começou a campanha e já são vários casos de censura aos candidatos do PCO porque “não pode falar fora Bolsonaro”. Em Porto Alegre, Luís Delvair, candidato do partido, foi censurado num debate. Em Recife, Victor Assis foi obrigado a retirar um cartaz de “fora Bolsonaro” se não seria excluído do debate. Em Salvador, tentaram obrigar Rodrigo Pereira a alterar um vídeo enviado à imprensa que defendia o “fora Bolsonaro” e a luta pela candidatura de Lula.

O comportamento da esquerda diante disso? Ela está muito preocupada em fazer demagogia, na eleição a esquerda se veste de político burguês para brincar de administrador de municípios, no final das contas, para disputar com a direita quem mente mais e melhor para enganar o povo. Nada de “fora Bolsonaro”, o negócio é parecer um cidadão respeitado, debatendo com a burguesia os seus negócios, enquanto os golpistas destroem o País, jogam o povo na miséria e preparam a fraude eleitoral.

Nas redes sociais, falar “fora Bolsonaro” é bonitinho, dá até voto, mas na eleição é melhor se fingir de gente séria, se fingir de pessoa de família. Afinal, uma das artes da eleição é fingir.

Melhor deixar os radicais do PCO falar em “fora Bolsonaro”. Esse partido de gente que “nem tem propostas para a cidade”, como afirmou uma reportagem de Recife.  No caso do PCO, a esquerda pequeno-burguesa não faz coraçãozinho nas redes sociais e por que? Porque “fora Bolsonaro” só serve se for para fazer demagogia.

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