Para a direção do SindUte, o professor mineiro não pode usar a rede de apoio contra o fascismo nas escolas

Sede-do-Sind-UTE-em-Caratinga

O Partido da Causa Operária (PCO) realizou uma reunião com a coordenação do SindUte/MG, nessa segunda-feira (3), para apresentar a proposta do número solidário tirado pelos educadores em luta.

Inicialmente, a ideia de construir uma rede de solidariedade para apoiar os professores em possíveis perseguições dos partidários da “Escola com Fascismo” foi bem recebida, mesmo que sob a condição da realização de uma reunião com a coordenação do sindicato.

A diretora regional de Minas Gerais, contudo, que chegou algum tempo depois, não só rejeitou a proposta, como caluniou o PCO, chegando a “aconselhar” a companheira que estava realizando a reunião a “ir para um partido melhor”. Por fim, ela se mostrou partidária da LPS, chamando o pelego Pepê, responsável pela política patronal sistemática levada pelo sindicato dos correios, de “o cara”.

Essa posição justifica sua política desmobilizadora que enumerava um sem-número de dificuldades para trabalhar a campanha política junto aos professores, dizendo que “era difícil falar”, “impossível conseguir a atenção dos professores”, de que os professores “só criticavam o SIND-UTE” e de que “eles eram bolsonaristas”. Somando suas críticas ao cartaz tirado para a campanha do “Escola sem Fascismo”, no qual havia o número de apoio solidário, a ela disse que “não se pode chegar para os professores e falar de partido”.

Quando interpelada do por quê dessa afirmação pela companheira do PCO, a diretora afirmou que “eles não gostam de partidos”. “A campanha contra partidos políticos é da direita. Os professores falam isso pois a direita faz campanha, nós da esquerda precisamos fazer campanha também”, foi a resposta da companheira do PCO, sem réplicas por parte da diretora. Ao ser perguntada sobre “qual a política do Sind-UTE em caso de golpe militar?”, a coordenadora foi evasiva, dizendo que todas as políticas do sindicato estão sendo decididas agora em dezembro para serem aplicadas a partir de fevereiro de 2019.

É interessante salientar a disparidade da receptividade ao PCO entre as bases do SIND-UTE MG e sua direção. A bases são amigáveis a política do Partido, inclusive, uma das professoras do sindicato foi a responsável por articular a citada reunião do sindicato com o PCO. Por outro lado, como o exposto, a diretoria do sindicato é bastante reticente, para não dizer belicosa, à nossa política. Fato esse que se explica bem pela forte ligação que possuem com o peleguismo do bando dos quatro, a LPS. No fim da reunião, a diretora disse que “não podia decidir nada e se fosse necessário, que se falasse diretamente com a Beatriz Cerqueira [coordenadora-geral do sind-ute e presidenta da CUT em Minas Gerais], ou que se ligasse para a central do sindicato”. Isso indica bem a tradição da política do pelego, evasiva e capituladora.