Política de terra arrasada
A burguesia, na boca de seu articulista William Waak, pressionou Bolsonaro a passar uma reforma ainda mais profunda contra os servidores
Cerimonia de posse do  presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano.
Montezano defendeu o alinhamento “total” da nova direção do banco com o governo federal, afirmou que a instituição buscará ajudar nos processos de desestatização, abrirá sua “caixa-preta” (promessa de campanha do presidente) e devolverá recursos ao Tesouro Nacional. Brasilia, 16-07-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Dispostos a fazerem tudo contra o povo | Foto: Reprodução
Cerimonia de posse do  presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano.
Montezano defendeu o alinhamento “total” da nova direção do banco com o governo federal, afirmou que a instituição buscará ajudar nos processos de desestatização, abrirá sua “caixa-preta” (promessa de campanha do presidente) e devolverá recursos ao Tesouro Nacional. Brasilia, 16-07-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Dispostos a fazerem tudo contra o povo | Foto: Reprodução

Desde que Bolsonaro passou, em meio à turbulenta crise que paira em seu governo, a sua reforma administrativa vem causando uma intensa insatisfação entre a burguesia e principalmente os setores imperialistas e mais próximos a ele. Isto porque o reforma que Bolsonaro propôs é limitada, para burguesia. Esse duro ataque aos setores mais baixos da burocracia e do funcionalismo público é apenas para a posteridade, isto é, passa a valer apenas para aqueles que irão ingressar ao funcionalismo público. Não àqueles trabalhadores que lá estão.

Um artigo publicado pelo articulista da burguesia William Waak, um dos porta-vozes do grupo Globo e por consequência do imperialismo, no Estadão, cujo título é: “A luta abandonada”. E qual a dita “luta”? É fazer passar na força o projeto do imperialismo no Brasil, que é o projeto do imperialismo imposto pelo Golpe de Estado. E para Waak, que fala em nome da burguesia, Bolsonaro foi incapaz e abandonou esta “luta contra os privilégios”, isto é, não está atacando o suficiente os funcionários públicos que, por sua luta, adquiriram os direitos que lhe cabem.

O texto é uma propaganda neoliberal do começo ao fim. Fala-se em “Estado mínimo”, “luta” para passar reformas mais duras, etc. Mas o seu conteúdo é claro, demonstrar a insatisfação da burguesia com o governo genocida. Ao mesmo tempo não se coloca, em momento algum, uma saída a Bolsonaro. O texto é uma defesa a Bolsonaro, fazendo esta crítica pontual para pressionar o governo para posições mais alinhadas da burguesia. Que seria atacar mais duramente o baixo funcionalismo público para fazer uma gigantesca transferência de renda dos trabalhadores para os cofres dos bancos privados e da burguesia.

O que acontece é que a reforma de Bolsonaro é insuficiente nesse sentido. Esse roubo não seria um saque gigantesco, mas uma ladroagem de galinha. Na medida em que o funcionalismo público fosse adentrando ao Estado, o que a própria política do golpe já dificulta com suspensão e diminuição expressiva dos concursos públicos, que o roubo seria feito. Isto é, um roubo praticamente homeopático para burguesia. O que os capitalistas querem é um roubo monstruoso, que seria destruir os direitos dos funcionários públicos municipais, estaduais e federais que já estão trabalhando desde antes da reforma passar.

O que deixa claro que a reforma de Bolsonaro já é criminosa, mas o que a burguesia quer é um roubo ainda mais; um crime ainda de maiores consequências. Nesse sentido, a mensagem da burguesia é de que realmente ele está se tornando um ladrão de galinhas, e não um gangster como ela pretende.  E agora com a orientação posta sobre a mesa, é preciso uma mobilização de massas pelo fora Bolsonaro para garantir que a burguesia não destrua todos os direitos trabalhistas da população.

Relacionadas
Send this to a friend