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Crise se aprofunda

País “quebrado” terá 1º trimestre um “pouco difícil”

Um ano que continua a crise e ainda mais pobreza aos trabalhadores, é o que promete a política econômica e o imperialismo

Tempo de Leitura: 5 Minutos

A política imperialista manterá a fome e o desemprego – Foto: Reprodução

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O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, reafirmou que o governo golpista continua alinhado com as diretrizes de contenção de gastos e que vai se concentrar na aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com o objetivo de regulamentar o Teto dos Gastos e o Pacto Federativo. O fato de Bolsonaro ter vetado a continuidade do Auxílio Emergencial é uma demonstração de alinhamento do presidente golpista ao receituário de austeridade fiscal. Mas ele prevê que a economia no primeiro trimestre será “um pouco difícil”. (MoneyTimes, 8/1/21)

No mercado financeiro as análises dos bancos já começam a acenar para dificuldades ainda maiores, o banco Bradesco informou seus investidores que o atraso na vacinação e o agravamento da pandemia poderão alterar as perspectivas apontadas pelo governo. Ao mesmo tempo, usa esse cenário de dificuldades para cobrar ainda mais austeridade do governo e pressiona por mais privatizações. (MoneyTimes, 8/1/21)

As declarações do governo e as manifestações das empresas financeiras e bancárias têm mostrado um alinhamento muito forte, demonstrando que os setores mais fortes da burguesia nacional e internacional ainda apostam no governo Bolsonaro e avalizam suas medidas econômicas que estão afundando mais e mais o país e especialmente os trabalhadores. Isso contrasta com o alarido de alguns setores da burguesia, que se expressam basicamente por meio do posicionamento da grande imprensa burguesa e da mudança de posição de políticos e juristas da direita, que têm tentado buscar alternativas à possibilidade de rápida falência do governo Bolsonaro.

Para esses setores da direita, que se fazem representar por políticos que se transvestem como “civilizados”, o fracasso das manifestações da extrema-direta norte americana na invasão do Congresso e o rápido crescimento das mortes por covid no Brasil, que passaram a marca de 200 mil em 10 meses, é urgente a construção de uma alternativa política que acabe fazendo o mesmo que Bolsonaro, mas de forma mais “educada” de tal forma que conte também com a participação da esquerda parlamentar, como vimos na frente que se formou para a eleição de um presidente não tão bolsonarista para a Câmara dos Deputados.

Apesar de insinuar alguma contradição interna, as divergências entre a extrema-direita bolsonarista e os direitistas educados não submergiu às aparências quando o assunto é a economia. Ambos representando os interesses maiores da burguesia apostam em um programa do contenção de gastos, de privatizações, de eliminação dos direitos dos trabalhadores (que alguns ainda chamam de redução do “custo Brasil”), e de redução da participação do Estado nas atividades econômicas (desregumantação da economia).

As diferenças aparecem quando o governo ultrapassa todos os limites e atua como instrumento de um genocídio que ele mesmo tem anunciado há muitos meses, ao se comportar de forma criminosa ante as ações sanitárias de contenção da pandemia, e se mostra ativo no retardamento do início da vacinação, criando obstáculos à mesma e tentando enfraquecer a ação dos mecanismos de saúde pública em favor de empresas privadas. No plano político essas diferenças continuarão a ser alimentadas pelo crescimento das mortes, mesmo com o início da vacinação, já que seus efeitos serão lentos e somente serão sentidos após o mês de maio. (G1, 9/1/21)

Os dados de consumo e produção no mundo mostram que há uma certa dependência entre a recuperação econômica e o crescimento dos casos da pandemia. Isso porque novos lockdowns (paralisações e isolamento mais radical) têm afetado o consumo das empresas por matérias primas e componentes, fazendo com que as projeções de recuperação possam não se confirmar no primeiro semestre deste ano.

Essa reorganização da produção e do consumo ainda não podem ser vistos como elementos puramente negativos da crise capitalista. O crescimento das grandes fortunas, expressando o crescimento do lucro se alguns setores do capital, mesmo que na sua forma financeira, representa uma coisa que o bom senso capta facilmente de que os que mais se ferram na crise são os pobres e trabalhadores, mas também mostra que na dinâmica do capital, a redução da produção em meio a um processo de garantia de taxas de lucro por meio de transferências de renda e auxílios dados por governos pode significar um colchão amortecedor da crise em favor de setores do capital imperialista.

Os anúncios de que o novo governo dos EUA irá iniciar sua administração com um novo pacote trilhonário de estímulo às empresas, incluindo também algumas migalhas aos trabalhadores, como facilidades no seguro-desemprego e desaperto no pagamento de alugueis, fez as principais bolsas de valores do mundo se movimentarem com recordes de crescimento. Se o pacote vai mesmo alcançar o que os anúncios afirma, é outra história, mas uma coisa é certa, o novo governo tenderá a seguir o padrão europeu no apoio às grandes empresas e no amortecimento dos efeitos da crise sobre as empresas norte-americanas. Mesmo que isso não represente alteração no quadro real da produção, fará com que o mercado financeiro gire mais rápido e produzindo mais lucros monetários aos já muito ricos. (G1, 8/1/21)

No Brasil a economia seguirá ainda pelo caminho atual, o que pode ser visto não como contraditório ao receituário das economias centrais e imperialistas, mas como complementar ao que defendem lá, pois a privatização aqui certamente será comprada com os recursos dos pacotes que os governos estarão alocando às empresas capitalistas de seus países, e a redução dos direitos dos trabalhadores daqui é componente importante da manutenção de taxas de lucro das empresas de lá.

O receituário neoliberal aplicado nas economias atrasadas e subordinadas não significa recortes e divergências no interior da burguesia internacional, é parte da mesma lógica do capital, onde para uns (países imperialistas) a dívida é instrumento de opressão e dominação, e para outros (países atrasados) a mesma dívida é componente de essencial da lógica capitalista que precisa ser paga, mesmo à custa do sangue e da fome dos trabalhadores.

Esse receituário neoliberal que hoje se manifesta na forma de governar da extrema-direita bolsonarista, em nada difere do receituário aplicado a ferro e fogo no governo da direita “civilizada” do FHC nos anos finais do século XX.

No plano político, contudo, veremos nos primeiros momentos deste ano, assim que as eleições para o Senado e para a Câmara se definirem, se o Congresso nacional vai poder aceitar de bom grado ou não a eliminação do Auxílio Emergencial. É possível que, da mesma forma como ocorreu no ano passado, o Congresso Nacional se mostre como um elemento de contenção se o agravamento da situação de vida dos trabalhadores sinalizar para uma possível reação popular contra o governo. O desemprego recorde e o agravamento na situação de fome dos miseráveis, que atinge mais da metade da população brasileira, se manterá neste ano, podendo significar uma queda ainda mais sentida pela população assim que os efeitos do auxílio emergencial de dezembro cessarem.

De qualquer sorte, a manutenção da agenda neoliberal, com o corte de gastos, privatizações, redução drástica de investimentos e eliminação dos direitos dos trabalhadores, demonstra, de forma cabal, que a burguesia nacional não tem qualquer interesse ou mesmo capacidade de construir hoje em dia um projeto de desenvolvimento nacional que tenha como componente o crescimento industrial brasileiro e a melhoria das condições de vida da população. Mesmo com parcelas dessas burguesia sendo aparentemente prejudicadas por ele política de alinhamento aos interesses imperialista do capital financeiro, a maioria do capital nacional tem procurado um lugar à sombra dessa política. E nessa “sombra” encontraremos os que defender a tortura e os que a abominam, os flagrantemente fascistas e os “civilizados”.

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