Botando em risco seus filhos
Protesto de um setor médio da população, movido pela campanha da imprensa burguesa golpista, dominada por anseios de lucro dos banqueiros e grandes capitalistas.
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Carreata coxinha em Brasília ilustra a ironia. | Foto: Jacqueline Lisboa
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Carreata coxinha em Brasília ilustra a ironia. | Foto: Jacqueline Lisboa

Na Bahia, famílias e donos de escolas realizaram um protesto pela volta das aulas presenciais nas escolas particulares. Protesto de um setor médio da população, movido pela campanha da imprensa burguesa golpista, impulsionado pelos donos de escolas, que no fim das contas defendem o lucro dos banqueiros e grandes capitalistas.

Desconsiderando não apenas as próprias vidas frente à pandemia, e de todos com quem tem contato, mas especialmente a dos trabalhadores das escolas, que pela ditadura exercida nos locais de trabalho não têm escolha senão acatar os desmandos da chefia, exigiram a abertura das escolas. Isso em si evidencia a impossibilidade de uma educação minimamente democrática em escolas privadas, e o caráter fundamental da campanha pelo fim do ensino pago.

Não apenas isso, mas demonstra a pressão na sociedade capitalista por uma competição insana por uma dita formação para buscar a inserção no mercado de trabalho, que incide fortemente sobre o setor médio da sociedade, receoso de perder sua condição. Em nome dessa formação, e da pressão colocada pelos setores submissos à burguesia, como a imprensa, a Unicef, sociedades de médicos pediatras vendidos para os donos dos meios de produção e grandes acionistas, famílias são levadas a colocar em risco o próprio bem-estar imediato, a vida de seus filhos, em nome da suposta necessidade por educação, a qual poderia muito bem aguardar o fim da pandemia, e uma vacinação efetiva. Algo ilustrado além disso pela realização dos vestibulares e do Enem que ocorrem neste momento.

Nesse sentido, a política da esquerda deve ser bem colocada, clara. Evidenciar o caráter antidemocrático dos vestibulares, a farsa do combate à pandemia, que não se deu em hora alguma, o sucateamento do SUS, a corrida pelas vacinas, que tem diversos fatores associados a si, sendo nenhum deles a vida da população trabalhadora. A vida dos trabalhadores não pode ser um joguete nas mãos de alguns ricaços donos dos conglomerados da educação, nem dos chefes pequeno burgueses ou da burguesia. A política para a pandemia, e também para a educação, deve ser formulada pela própria classe trabalhadora, deliberada em suas organizações próprias de classe. Não há real apoio a essa proposta das famílias coxinhas e dos donos de escolas particulares, mas a imprensa burguesa faz uma cobertura como se houvesse amplo apoio popular a essa pauta, uma verdadeira falsificação da realidade.

Isso também mostra a necessidade da construção de uma imprensa operária e independente, que não reflita a opinião dos patrões. Em um momento revolucionário, inclusive, a mesma imprensa deve ser tomada pelos trabalhadores. Não pode ser aceito que apenas um punhado de banqueiros defina os debates na sociedade, falsifique como queira os acontecimentos, sem possibilidade real de contraponto. As grandes estruturas de imprensa foram consolidadas com recursos públicos, e são concessão pública, logo, não podem estar a encargo das vontades e lucros da burguesia, contra a própria vida da população brutalmente explorada pela mesma burguesia que fomenta sua morte com esse tipo de política genocida. Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Fim do ensino pago já! Controle operário sobre as concessões públicas de televisão e imprensa!

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