Um balanço ilusório
Ex-ministro e deputado federal Alexandre Padilha pinta de cor-de-rosa os 12 meses em que os golpistas aprofundaram a destruição da economia e das condições de vida do povo
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Deputado por SP, Padilha é um dos pré-candidatos a prefeito de São Paulo, pelo PT |

O sítio GGN publicou nota do ex-ministro da Saúde e deputado federal (PT-SP), Alexandre Padilha, intitulada “Algumas vitórias em 2019 contra um governo que exalta políticas antidemocráticas”, na qual o companheiro apresenta um breve balanço de 2019, segundo ele, “ano em que dias pareceram ser mais longos que o normal”.

O petista apresenta um balanço positivo do ano, afirmando que “tivemos um ano de muita denúncia e várias vitórias em defesa da saúde pública, da educação, da juventude e cultura”. No esforço de enaltecer seu próprio mandato enquanto deputado, Padilha apresenta um resultado que não corresponde, de modo algum, à realidade, do ano em que a imensa maioria do povo brasileiro colheu os piores resultados no que diz respeito ao retrocesso nas suas condições de vida das últimas décadas e no qual foram aprovadas medidas que comprometem não só o presente como também o futuro da imensa maioria da nação.

Segundo ele, teria ocorrido uma “resistência” e conseguido “derrubar algumas medidas anunciadas por um governo que exalta políticas antidemocráticas, ditadura militar, e desrespeita as mulheres, população indígena e negra e os trabalhadores e trabalhadoras”. Parece ter ficado longe um correto senso de proporção. Ainda que a crise e divisão no interior da própria burguesia, bem como a enorme e crescente rejeição popular ao governo tenha obrigado o mesmo a conter alguns dos seus ataques, é evidente que do ponto de vista de um balanço minimamente sério (e que corresponderia a um partido de esquerda e, claro, de oposição ao governo), as suas investidas causaram, obviamente, muito mais danos do que “vitórias”.

Padilha afirma que se conseguiu derrubar “a ideia de colocar as terras indígenas sob o comando do Ministério da Agricultura, do registro sindical ficar sob responsabilidade do Ministério da Justiça”, mas deixa de lado a realidade na qual, sob o governo Bolsonaro, se bate recorde de assassinatos de indígenas, de invasão de suas terras por jagunços e madeireiros, garimpeiros etc. estimulados pelo governo golpista e no qual se promoveu recorde de devastação ambiental, o que serviu de pretexto até mesmo para ameaças do imperialismo interessado em “internacionalizar” a Amazônia como forma de roubar do povo brasileiro as suas riquezas minerais. E da situação em que os sindicatos estiveram sob o mais intenso ataque de todos os tempos, desde a ditadura militar.

Anuncia que não se permitiu “o fim do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)”, mas deixa de lado que a fome e miséria cresceram de forma exponencial no País no atual governo, com o governo cortando verbas de áreas sociais, reduzindo o percentual de reajuste do salário mínimo, fazendo disparar o desemprego etc.

“Lutamos por mais recursos para a saúde dos municí­pios aprovando o orçamento para 2020 com aumento de R$ 5,9 bi a mais para área, contrariando a proposta original do governo que avaliava redução de R$ 200 mi para o próximo ano, muito abaixo do mínimo constitucional”, escreve, mas nada fala do verdadeiro caos instaurado na Saúde em todo o País, demissão de mais de 10 mil agentes de Saúde, recorde de epidemias e que tais orçamentos têm constantemente sofrido cortes na sua execução e outras formas de desvio incentivados e promovidos pelo governo.

“Batalhamos e vamos continuar resistindo para que as áreas mais vulneráveis do paí­s tenham mais médicos”, diz Padilha. No entanto, o ex-ministro da Saúde deixa de lado o fato de que o ano de 2019 foi marcado pela destruição do Mais Médicos, poucos meses depois que o próprio Bolsonaro, como presidente eleito por meio de um processo fraudulento ameaçou e promoveu um processo de ataques que obrigou o governo cubano a retirar cerca de 8 mil médicos do País.

Padilha relata também a luta “para que os direitos trabalhistas, previdenciários, das mulheres e da população LGBT sejam respeitados”. Isso no ano em que foi aprovada a famigerada “reforma” da Previdência que vai expropriar de dezenas de milhões de trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público federal ao longo dos próximos anos e quando governos estaduais, inclusive os da esquerda como do MA, BA, PI e CE, estão impondo esta mesma “reforma” contra os servidores estaduais.

Depois de apresentar supostas conquistas desse ano de derrotas do povo brasileiro, o ex-ministro anuncia que ”não é fácil ver a população brasileira sem acesso aos direitos básicos e arduamente conquistados, ver os jovens deixando de lado o sonho da formação profissional porque não conseguem mais se manter no curso universitário, ver a população perder o sonho da casa própria com a paralisação das obras do programa Minha Casa, Minha Vida” para anunciar, secundariamente, que “foi um ano de perdas”, como quem doura a armada pílula e para depois anunciar que em 2020 virão “mais vitórias”.

No mundo real, fora dos discurso e textos fantasiosos da esquerda burguesa e pequeno-burguesa, isso só será possível se a política de fantasiar a realidade e de levar adiante uma luta efetiva do povo contra o golpe, pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas for colocada em prática, deixando para trás a política de capitulação diante do governo que faz, inclusive, com que setores que foram vítimas do golpe  que derrubou o governo Dilma, que manteve Lula na cadeira de forma ilegal por quase 600 dias e que mantém cassado seus direitos políticos e que fez retroceder como nunca as já precárias condições de vida do povo brasileiro, for derrotado, não com discursos e com “conquistas” parlamentares que não alteram de fato a vida do povo, mas por meio da mobilização revolucionária que deixe para trás as ilusões semeadas pela direita e por setores da esquerda.

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