Revisionismo à frente ampla
Em meio ao vale-tudo para proscrever Lula, desenvolve-se uma interpretação curiosa da luta pela liberdade do ex-presidente, enaltecendo a luta de Boulos, cujo papel foi nulo
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Foto: Reprodução
Ocupação do imóvel atribuído à Lula não produziu nada de relevante à luta contra a prisão política | Foto: Reprodução

Recentemente, Luiza Erundina apareceu na imprensa burguesa referindo-se ao colega de partido, Guilherme Boulos, como alguém que “foi generoso com o Lula. Seu movimento foi o que mais esteve na frente de resistência e de denúncia ao que fizeram ao Lula, mais do que qualquer petista. Isso é verdade.” A declaração contrasta com a política geral do PSOL no período da luta pela libertação de Lula, que notabilizou-se pela famosa frase “Lula livre não unifica”, proferida por um dos principais expoentes do partido, o deputado Marcelo Freixo. Há que se deixar claro ainda que a percepção de Erundina não é verdade.

A grande contribuição de Boulos na campanha de libertação de Lula foi a ocupação do triplex atribuído a Lula, sem provas, pelos golpistas da Lava Jato. Na época, imagens foram divulgadas exibindo a situação deteriorada do imóvel por dentro, o que produziu algum efeito propagandístico momentâneo porém sem maiores consequências no contexto geral da luta para que o ex-presidente fosse libertado da prisão, nem do ponto de vista mais importante – a mobilização de massas nas ruas em atos públicos pela liberdade de Lula – e nem mesmo no aspecto da luta institucional.

Essa interpretação da história muito recente – estamos falando de um intervalo de tempo inferior a três anos – esbarra em fatos concretos, como a política geral do PSOL durante todo o período em que Lula esteve no cárcere expressa por Marcelo Freixo, a inexistência de ações reais, que ultrapassassem o campo da demagogia por parte de Boulos, que se notabilizou nas eleições presidenciais de 2018 por citar o presidente preso de maneira oportunista, sem discutir politicamente a situação de Lula de maneira mais contundente.

A política de interpretar livremente os eventos recentes da história nacional revelam a necessidade de tornar a chapa Boulos-Erundinda, candidaturas da frente ampla, mais simpática a um segmento menos politizado no campo da esquerda, que acompanhou as grandes lutas políticas travadas desde o golpe de 2016 apenas pelos meios de informação da burguesia, naturalmente, péssimas fontes de informação.

No verdadeira vale-tudo para excluir Lula da política nacional, a burguesia já apelou a falsificações grotescas, “pedaladas fiscais”, “triplex”, provas da inocência de Lula quanto aos processos materialmente verdadeiras mas ideologicamente falsas,… Todo tipo de aberração foi visto no último período. Transformar Boulos em “um dos principais combatentes pela liberdade do presidente” era questão de tempo.

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