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Eduardo Vasco

Eduardo Vasco

Jornalista especializado em política internacional. Colunista do Diário e do Jornal Causa Operária. Na Causa Operária TV, apresenta o Conexão América Latina às terças-feiras, o Correspondente Internacional às quintas e o podcast O Mundo em 1h, em parceria com a Rádio Causa Operária, às segundas.

Arditi del Popolo

Os que tiveram a coragem de enfrentar o fascismo

Eles abriram o caminho para vencer a guerra contra o fascismo, mesmo tendo perdido a batalha que travaram

Tempo de Leitura: 2 Minutos

Mussolini e corja fascista, derrotados pelos partisans – herdeiros dos AdP. Foto: Vincenzo Carrese –

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Por Eduardo Vasco

O Arditi del Popolo (algo como Os Valentes do Povo) foi uma milícia popular italiana formada em junho de 1921 por militantes de esquerda descontentes com a política de tolerância adotada pelo Partido Socialista Italiano e pela esquerda em geral diante da ascensão do fascismo.

Desde o final da I Guerra Mundial, a Itália vivia uma agitação operária muito forte, com milhares de fábricas ocupadas e greves por toda a parte, enquanto no interior do país os camponeses iniciavam movimentos de ocupação de latifúndios.

Como reação à iminência de uma revolução proletária, a burguesia incentivou o surgimento de grupos de choque que reprimissem violentamente os trabalhadores, criando assim o movimento fascista, cujo principal líder era Benito Mussolini.

O Arditi del Popolo, portanto, adotou a mesma arma que o inimigo: organizou setores da classe operária em armas para combater os fascistas de igual para igual, a fim de cortar pela raiz o mal que o fascismo representava.

O Arditi del Popolo chegou a ter 20 mil membros espalhados por toda a Itália e obteve importantes vitórias em confrontos com grupos fascistas, demonstrando assim que a classe operária organizada em armas poderia vencer seu pior inimigo.

No entanto, a milícia foi boicotada pelo PSI e até mesmo pelo Partido Comunista Italiano, perdendo assim a maioria de seus membros. Isso se somou à política desses partidos de desmobilizar o movimento operário nas ruas e nas fábricas, ao mesmo tempo em que a burguesia partia para a ofensiva reforçando os esquadrões fascistas com todo o aparato repressivo do Estado. Finalmente, os últimos combatentes do Arditi del Popolo se encontraram sozinhos, sem o apoio da esquerda, e a milícia desapareceu no mesmo ano em que o movimento fascista tomou o poder e implantou uma ditadura que prevaleceu até o final da II Guerra Mundial.

Porém, o legado da primeira milícia popular antifascista permanece vivo e, com o crescimento da extrema-direita no mundo inteiro atualmente, o lema do Arditi del Popolo deve inspirar uma nova geração de cidadãos que não estão dispostos a conviver com a barbárie representada pelo fascismo. “Dal nulla sorgemmo” (algo como “nós surgiremos de onde vocês menos esperarem”) – eis o recado para os fascistas.

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