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Os movimentos dos militares rumo ao poder

No trecho a seguir, Rui Costa Pimenta analisa o movimento dos militares rumo ao poder como a criação do Gabinete de Segurança Instituição, a ocupação militar no Rio de Janeiro e o comando da Segurança Pública do estado, entre outros.

“Eles estão atuando nas favelas, então, já se tem notícia de pessoas que morreram, pessoas que não têm nada a ver com o peixe; tem o fichamento da população pobre do Rio de Janeiro etc. ao que o general Etchegoyen respondeu que o pessoal não tem problema de ser fichado na imigração norte-americana, (ele deve ter bastante experiência porque ele é muito favorável aos Estados Unidos, deve ter viajado muito para lá), mas tem problema ser fichado na favela.

Entretanto, nós temos que entender o seguinte: na favela, o cidadão não é estrangeiro, então, ele não precisaria e não deveria sofrer das arbitrariedades e desmandos de um governo estrangeiro, mas o governo brasileiro se comporta, com relação a essa população, como se fosse um governo que nada tem a ver com o Brasil.

Nós vimos que depois do PDT ter votado a favor da intervenção militar, um partido que supostamente seria de esquerda, o Aldo Rebelo, ex-integrante do PCdoB, não só apoiou a intervenção militar como elogiou o fato de se ter um ministro militar. Não sei exatamente o que tem de bom porque todo mundo que passou pela ditadura militar sabia que, no mínimo, você deveria aspirar a que as instituições civis controlassem os militares. Claro que isso é uma utopia, mas defender que os militares controlam diretamente é ainda pior do que acreditar nessa utopia.

Então, nós temos todo esse quadro e esse é o problema central no momento e é, digamos assim, o miolo, a mola mestra do desenvolvimento da crise política nacional. Só assinalar que do ponto de vista metodológico, nós temos que prestar atenção no que está acontecendo no mundo real, por exemplo, os jornais estão cheios da tese de que os militares estão para garantir que o Temer ganhe a eleição, os militares isso, os militares aquilo, etc. e tal. Quando vocês leem o jornal e veem todas essas especulações, é importante lembrar que tudo isso é especulação, é uma coisa que a pessoa acha que um outro acha que ele ouviu falar de uma pessoa que acha isso e aquilo, mas a análise política tem que ser feita sobre a base dos fatos e os fatos são que os militares, primeiro participaram, se é que não foram eles mesmos que articularam o golpe contra o governo Dilma Rousseff, que eles participaram do golpe fica claro porque, imediatamente, depois do momento da formação do governo Michel Temer, Temer cria o Gabinete de Segurança Institucional que é um gabinete de inteligência, é um órgão de espionagem dos militares contra a população nacional. Vocês não vão esperar que o gabinete de inteligência do Sérgio Etchegoyen vai colocar o microfone lá no escritório do Trump, como os norte-americanos fizeram aqui com a Dilma. Isso não vai acontecer. Ele vai colocar o microfone no escritório de outros brasileiros.

Toda essa inteligência, toda essa informação, é informação sobre os brasileiros até porque o general Sérgio Etchegoyen já demonstrou, através de várias declarações que ele é pró-imperialista, de que ele defende uma política neoliberal. O fato desse gabinete ter sido criado imediatamente no momento do golpe mostra que os militares tiveram grande participação. Saiu a Dilma e eles já entraram com o gabinete. Eles apoiaram o golpe e tudo mais. Isso se nós não pensarmos bem se eles não tiveram um papel de relevo na própria articulação do golpe; segundo, um militar que se reformou nessa semana, que é o general Mourão, saiu falando que era consenso no alto comando de que se a situação exigisse, (se não prendessem o pessoal e etc., Pessoal quem? O Lula), os militares iriam intervir. Então, você esperaria o seguinte: bom, pelo menos, para demonstrar que não há uma unanimidade dos militares em passar por cima da constituição, vamos ver se o chefe do exército, comandante em chefe do exército renega essas declarações do Mourão. Não. Ele foi no programa da Rede Globo e  ele reafirmou que os militares podem intervir, inclusive, sem o pedido de alguma das instituições

Todos os militares que se pronunciaram, reafirmaram isso daí deixando patente, exceto para aquelas pessoas que não querem ver o que está acontecendo, que os militares têm um plano que pode ser um plano que está sendo colocado em prática imediatamente ou pode ser um plano que venha a ser colocado em prática diante de uma determinada situação de intervenção militar por fora de todas as instituições do país. Então, os militares ocupam Rio de Janeiro, tomam conta da Secretaria de Segurança Pública, é evidente, uma coisa muito importante, é que os militares não tomaram conta do governo do Rio de Janeiro para não chamar a atenção de mais, mas o fato é que quem governa no Rio de Janeiro é o interventor militar. O Pezão foi transformado em uma figura puramente de fachada, ele foi chamado, foi comunicado, esperneou no gabinete do Temer e acabou tendo que se conformar, ele não tinha poder nem disposição para fazer nada diferente.

Então, os militares ocupam o Rio de Janeiro e formalmente são um governo do Rio de Janeiro, o segundo estado mais importante do país, que tem a segunda maior concentração operária do país, etc. Na sequência, forma-se o ministério que passa o controle da Polícia Federal para os militares e os militares assumem o ministério da defesa depois de 20 anos.

Estes são os fatos: se nós não queremos ver a investida dos militares sobre o poder, é um problema de não querer ver porque está aí para ser vista. Eu não vi a explicação de ninguém de por que os militares assumiram a defesa porque a esquerda pequeno burguesa é assim: quando ela não consegue explicar, ela simplesmente ignora o fato. A política de avestruz tem muito disso de ignorar os fatos. Também ninguém comentou o fato de que o novo chefe da Polícia Federal é um homem de confiança dos militares, ou digamos assim, pouquíssima gente comentou esse fato. Passou, inclusive, despercebido. Então, nós temos toda essa situação e nós temos que ver a situação pelo que ela é.”

Esse trecho faz parte da Análise Política da Semana, programa de maior audiência do canal COTV. O programa acontece todos os sábados em São Paulo a partir das 11h30 na rua Serranos, 90 fica a cinco quadras da estação Saúde de metrô. Para aqueles que moram longe, podem assistir o programa pela internet no canal Causa Operária TV no Youtube.

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