Abaixa a bandeira
A tentativa de tirar impedir à força a esquerda de levar as suas bandeiras e a sua cor é um método bolsonarista para impor o “amarelo” da frente ampla
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Queimar bandeira de partidos de esquerda revela profundo direitismo de certos grupos | Foto: Arquivo/Causa Operária

O primeiro passo para se compreender um fenômeno social é saber diferenciar o que é a aparência daquilo que é a essência. Tomar fenômenos sociais, partidos, movimentos políticos pela forma como se apresentam é um erro tão elementar que poderia levar algum incauto a acreditar  o objetivo do bolsonarismo seria acabar com a corrupção no Brasil e o PSDB seria um partido social democrata (como as antigas sociais democracias européias).

Os partidos e grupos que defendem a frente ampla o fazem em nome da democracia (na sua aparência). A ideia apresentada é de que para derrotar Bolsonaro e a ameaça à democracia seria justificado fazer uma grande frente eleitoral que juntaria partidos da esquerda como PT, PcdoB e PSOL a partidos como PDT, PSB, PSDB, PMDB, DEM etc. E ainda por cima, em nome da defesa da democracia, seria justificado até a esquerda abrir espaço para apoiar uma candidatura de direita como Luciano Hulk ou o governador de São Paulo João Dória Jr. Nada mais longe da realidade. Os setores da direita que aderiram ao movimento da frente ampla são os mesmos que apoiaram do golpe de Estado contra a ex-presidenta Dilma Roussef. São os mesmos que apoiaram a campanha fascista contra o PT. São os mesmos que apoiaram a prisão ilegal e a exclusão antidemocrática de Lula do processo eleitoral em 2018. São também os mesmos que apoiaram publicamente ou envergonhadamente Bolsonaro contra o PT nas “eleições” de 2018. Ou seja, apresentar FHC, Luciano Hulk, João Dória, Rodrigo Maia ou até mesmo Michel Temer e Sérgio Moro como democratas é uma enorme falsificação. Na realidade, o que a Globo, a Folha de São Paulo, o Estado de SP, a Veja etc defendem com entusiasmo é a tentativa de salvar os rumos do golpe que eles apoiaram e colheram como resultado Jair Bolsonaro. Em outras palavras, querem evitar que Bolsonaro seja derrubado pela mobilização popular e ao mesmo tempo preparar a volta ao poder nas eleições de 2022. Mas para realizar tal manobra há uma “pedra no sapato” chamada de Lula. Lula e o PT são a única força política com presença garantida no segundo turno das eleições presidenciais desde a volta das eleições diretas. Ou seja, para realizar tal manobra seria necessário o apoio de Lula (o único que realmente possui apoio eleitoral) ou ao menos isolá-lo para tentar tirá-lo do páreo. Ou seja, a essência da frente ampla é colocar os mais autênticos golpistas e “progenitores” do fascismo brasileiro contemporâneo na presidência da república. Confiar a defesa daquilo que ainda existe de democracia no Brasil (se é que ainda existe algo) nas mãos desses senhores seria como “colocar raposas para proteger um galinheiro”.

Os métodos utilizados por aqueles que defendem a frente ampla também são bem distantes do que se esperava de “árdentes defensores da democracia”. De um lado temos a imprensa burguesa e golpista procurando isolar o PT e ao mesmo tempo jogando flores para aqueles que aderiram ao projeto defendido pela família Marinho e pela família Frias. Assim, aparecem no seu jornalismo como novas “lideranças da esquerda” justamente aqueles que defendem tal frente ampla e assinaram o manifesto chamado cinicamente de “Direitos Já” (ou seria melhor “Direita Já”) como Guilherme Boulos e Marcelo Freixo do PSOL, Fernando Haddad do PT, Ciro Gomes do PDT etc. Já o Lula, só aparece nesses jornais para divulgar algum novo processo judicial armado contra ele ou quando o ex-presidente fala algo que pode ser utilizado para atacá-lo. Além dessas situações, a maior liderança política do país simplesmente não existe.

O outro lado da moeda dos métodos da frente ampla é utilizar a sua ala “esquerda” para impedir à força que o outro setor da esquerda que não embarcou na frente ampla, tal como a ala lulista do PT e o PCO, tenham presença destacada e impulsionem os atos de rua contra a direita e pelo “Fora Bolsonaro”. Assim nasceu o “amarelismo” da frente ampla. O objetivo maior não é se parecer com a direita coxinha que deu golpe de Estado (apesar de que parecem). Mas impedir que a esquerda saia às ruas com seu vermelho e sua política que é repudiada pela direita da frente ampla.

Tal cenário explica o método verdadeiramente “bolsonarista” de setores do PSOL e do PCdoB que inventaram o nome “Somos democracia” como uma forma de controlar setores independentes das torcidas organizadas que saíram às ruas juntamente com o PCO na avenida paulista para enfrentar a direita fascista. Assim, Guilherme Boulos (que se colocou contra as mobilizações) e Danilo Pássaro (PSOL) se colocaram prontamente como lideranças do movimento para tirar o ato da avenida paulista num primeiro momento, ou seja, impedir o enfrentamento com a direita, e depois acordar um revezamento “democrático” com a direita fascista na avenida paulista onde cada lado teria direito a se manifestar a cada 15 dias.

Depois disso, fazem reuniões secretas e não chamam as organizações interessadas. Nessas reuniões decidem de maneira antidemocrática que a esquerda não pode para levar bandeira. As cores devem ser o verde, o amarelo e o azul. Depois disso, afirmando serem donos dos atos (como se as ruas fossem propriedade particular de alguém), tentam impedir o PCO de levar as suas bandeiras. Como o PCO não concorda e não aceita esse tipo de imposição antidemocrática de quem quer que seja, nos atos tentam intimidar falando que “se quiser levar bandeira tem que fazer uma manifestação separada”, “lá não se permite bandeira” etc. Um método tão fascista e bolsonarista como a extrema-direita fez nas manifestações de 2013 para impedir que os partidos de esquerda levantassem suas bandeiras nos atos. Como o PCO também não segue essa “ordem” autoritária”, eles partem para a covardia, chegando ao ponto de tentar atacar um militante do PCO na calada da noite. Ou seja, o método da ala esquerda da frente ampla é bolsonarista e nada democrático.

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