Cuba volta a ser caluniada
Principal agente do terrorismo no mundo chama seus inimigos de terroristas
Terrorismo de estado
Terrorismo de estado | commons.wikimedia.org
Terrorismo de estado
Terrorismo de estado | commons.wikimedia.org

Em nota à imprensa publicada no seu sítio INTERNET na última segunda-feira (11/01) o Departamento de Estado dos Estados Unidos designou Cuba como “Estado Patrocinador de Terrorismo” por “repetidamente apoiar atos de terrorismo internacional ao garantir abrigo a terroristas”. A decisão de mais endurecimento com relação a Cuba ocorre a poucos dias antes de se finalizar a administração Trump e pode ser interpretada como uma tentativa de criar um fato consumado para o governo que vai se iniciar no próximo dia 20. Cuba já estava incluída há muito tempo na lista de países patrocinadores de terrorismo do Departamento de Estado. Isto ocorrera em 1982 durante o governo de Ronald Reagan. Em 2015 dentro de uma pálida iniciativa de melhora de relações com Cuba do governo de Barack Obama, a ilha foi retirada da lista. Dias atrás o Secretário de Estado, Mike Pompeo, anunciou que também o grupo iemenita “Ansar Allah”, melhor conhecido como os “Houthis” seria considerado uma organização terrorista. O anúncio foi duramente criticado dentro do Congresso estadunidense e também por organizações de ajuda internacionais pois tornaria a já desesperadora situação humanitária no Iêmen ainda pior do que seu estado atual além de exacerbar a guerra civil e dificultar as negociações de paz. Nos últimos dias o governo Trump tem tomado diversas medidas comprometedoras na arena internacional que destoam com um governo que está vivendo seus últimos dias. De qualquer modo no grande quadro tais medidas guardam coerência com a agressividade que sempre caracterizou a política externa dos Estados Unidos.

Cuba tem sido uma das vítimas preferenciais de ataques estadunidenses. As primeiras sanções econômicas contra aquele país datam de 1960 decretadas pela administração republicana de Dwight D. Eisenhower em resposta às nacionalizações efetuadas pelo governo cubano. Desde então os ataques se sucedem na tentativa até agora malsucedida de estrangular a economia cubana. A consciência política do povo cubano e uma hábil diplomacia foram fatores decisivos para o enfrentamento da agressão imperialista.

No século 21 a palavra terrorismo passou a ser utilizada de maneira ampla para justificar as ações de guerra do imperialismo contra os seus desafetos. Após o atentado contra o “World Trade Center” em 2001 foi lançada a “guerra ao terror”. A palavra “terrorismo” carece de precisão pode ser manipulada à vontade e assim sendo não poderia constar nas leis penais. No entanto atualmente ela está incluída em numerosas leis nos mais diferentes países, inclusive no Brasil. Meros atos de protestos podem ser considerados como tal e muita gente tem sido jogada em masmorras sob essa acusação. Tomando-se uma das definições simples de terrorismo encontradas no dicionário, “intimidação feita pelo uso da violência buscando amedrontar um povo ou governo, normalmente, baseando-se em questões ideológicas ou políticas” percebe-se que muito mais que grupos ou indivíduos que saem de alguma caverna nas montanhas do terceiro mundo ou de algum apartamento nos guetos das grandes cidades do primeiro mundo para as edições extraordinárias da imprensa burguesa, os estados imperialistas com os Estados Unidos à frente são os grandes responsáveis por ações terroristas. Desde as meras sanções econômicas até ataques militares o resultado é miséria, muito sofrimento e mortes.

Terrorismo tem sido utilizado como o pretexto que assusta o suficiente para que o terrorismo de estado por si próprio ou através de intermediários entre em ação interna ou externamente. É uma guerra que não define claramente seus objetivos, não define quem é o inimigo nem onde se localiza o campo de batalha. Assim uma força muito mais poderosa e aterrorizante do que a dos pretensos “inimigos da liberdade e da paz” é posta em ação para garantir que os negócios das grandes empresas capitalistas continuem florescendo. Por outro lado, não é segredo que o principal alvo da “guerra ao terror”, al-Qaeda teve suas origens em 1979 quando a Agência Central de Inteligência (CIA) e o serviço secreto britânico (MI6) trabalhando em conjunto com o serviço de inteligência paquistanês e financiamento saudita treinaram grupos terroristas para desestabilizar o governo pró-soviético do Afeganistão e arrastar a União Soviética para uma Guerra desastrosa. Alguns membros desses grupos formaram a al-Qaeda. Com o tempo esses grupos formaram facções que se espalharam por outros países e deram origem a grupos como o Estado Islâmico. Esses grupos estavam presentes nas guerras que destroçaram a Iugoslávia, a Líbia e a Síria. Atentados ocorridos nos países centrais também tiveram a participação de membros desses grupos. A propósito o antigo líder do Partido Trabalhista, James Corbyn declarou que as intervenções britânicas no exterior promoviam o terrorismo doméstico. Desse modo é uma amarga ironia o estado que promove as várias modalidades de terrorismo no mundo, aponte o dedo acusando outros daquilo em que ela é campeã.

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