Medidas sem eficiência
A única coisa que a burguesia fez até agora foi demagogia com a questão da pandemia para fazer propaganda do estado falido

Por: Redação do Diário Causa Operária

A única coisa que os capitalistas têm feito desde o início da pandemia é demagogia e propaganda dos governos estaduais. Nenhuma solução real contra a doença que já matou mais de 252 mil pessoas no país. Pelo contrário, o que se vê na imprensa burguesa, junto da propaganda do estado é uma tentativa de culpar o povo, que é apresentado como ignorante que não sabe respeitar as regras de distanciamento, que não consegue ficar em casa que faz festas clandestinas e etc.

Porém, para fingir que estão fazendo alguma coisa, os governadores têm promovido ações completamente inócuas, como os toques de recolher em horários e dias de pouco movimento nas ruas.

Um exemplo concreto disso é o que ocorre no estado de São Paulo. João Doria (PSDB), governador do estado, criou um toque de recolher que se inicia às 23:00 e termina às 05:00 da manhã. Das duas uma: ou o governador de São Paulo apenas quer continuar fazendo a propaganda de governador científico, ou ele acredita realmente que uma medida como essas, que praticamente só impede que os sonâmbulos saiam de casa, irá realmente diminuir os casos do coronavírus no estado.

Já na Bahia, o governador do estado, Rui Costa (PT) determinou um lockdown que só funcionará durante os fins de semana. Novamente, no período em que os trabalhadores não têm que sair de suas é que o governador da Bahia pensa que deve determinar que ninguém saia de casa. A mesma coisa aconteceu em Santa Catarina, impedindo as pessoas de saírem de casa durante os finais de semana.

Para se ter uma ideia de como essas medidas são inócuas e só prejudicam a própria população, no primeiro final de semana em que o toque de recolher aconteceu na Bahia, cerca de 55 pessoas foram presas por saírem às ruas durante o período proibido pelo governo do estado.

Não à toa, as paralisações se dão justamente no horário em que os trabalhadores poderiam sair de casa para se divertir, ou ainda, se mobilizar contra as políticas direitistas de Jair Bolsonaro e a favor dos direitos políticos de Lula. No entanto, para gerar aglomerações no transporte público e em locais de trabalho, eles estão liberados.

Isso tudo só demonstra como a burguesia não quer e nem mesmo sabe o que fazer para conter a propagação do vírus pelo país. As únicas coisas feitas visam somente a promoção própria, ou ainda, a repressão contra a população

Se há necessidade de parar a circulação de pessoas, por quê não se para durante a semana? A reposta é simples, os capitalistas não querem. No fim de semana é o prejuízo é maior sobre o trabalhador que passou a semana inteira arriscando se contaminar no transporte e no serviço, mas no fim de semana, não poder ir à feira. Isso não faz sentido para a população, visa colocar a culpa no povo, é preciso distanciamento social, na realidade, não propaganda de governadores que nada fazem para combater a pandemia.

Desde o começo da pandemia, todas as tentativas da burguesia foram neste sentido. Nenhuma das supostas alternativas arranjadas pela burguesia surtiu efeito de verdade e diminuiu o contágio da epidemia. Para se ter uma ideia de como a burguesia não tem a mínima noção do que está fazendo durante a pandemia, na cidade de São Paulo o prefeito Bruno Covas (PSDB) chegou a fazer um rodízio extendido para a circulação dos carros, dizendo que isso diminuiria o número de pessoas nas ruas. A conclusão lógica da medida foi a superlotação do transporte público da cidade, aumentando ainda mais a circulação da doença.

A única saída real para os trabalhadores é uma mobilização para conseguir ter o controle da situação em suas mãos e reverter esse quadro. Além de um programa de lutas que, dentre outras coisas, abarque a luta pela estatização total do sistema de saúde, a paralisação de todos os setores que não sejam verdadeiramente essenciais para a sobrevivência dos trabalhadores, com um auxílio para todos aqueles que não estiverem trabalhando e com o fim das demissões, é necessário que os trabalhadores lutem também contra aquilo que gerou o caos na saúde pública e que acabou por ser o verdadeiro motivador de todas as mortes, o golpe de estado.

O golpe de estado deteriorou ainda mais a situação da saúde pública, congelando os investimento na área, realizando privatizações e, inclusive, tentado privatizar o próprio SUS, como Bolsonaro tentou fazer no final de 2020. A lei do teto dos gastos, por exemplo, bloqueou completamente os investimentos no setor por vinte anos, o que com toda a certeza impede qualquer tipo de desenvolvimento e possibilidade de combate ao vírus. Os trabalhadores precisam protestar e passar para as mãos do povo o combate à pandemia diante da ineficiência dos governadores, prefeitos e do presidente golpista Jair Bolsonaro.

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