Ainda sobre o caso Robinho
A campanha histérica em torno da prisão de indivíduos não tem nada a ver com os princípios que a esquerda defende
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José Dirceu algemado | Foto: Reprodução/DR

Nos últimos dias, viu-se uma nova onda de histeria pairar sobre a política nacional. Dessa vez, o caso em questão foi o do jogador de futebol Robinho, recém-contratado pelo Santos para mais uma temporada junto ao clube que o revelou. Como o jogador está enfrentando um processo por estupro, a extrema-direita, representada por setores como Damares Alves, arrastando, atrás de si, a esquerda pequeno-burguesa, deu início a uma campanha pela prisão de Robinho. Mas esse está longe de ser o único caso em que a esquerda pequeno-burguesa se uniu à extrema-direita em uma campanha em favor da repressão: há menos de uma década, a condenação de José Dirceu foi utilizada para unificar a Revista Veja e o PSOL em torno dos mesmos objetivos.

José Dirceu sempre foi um dos principais dirigentes do Partido dos Trabalhadores, primeiro partido de esquerda a governar o Brasil após a ditadura militar. Diante da sua influência, Dirceu chegou a ocupar o cargo de ministro da Casa Civil do governo Lula e era apontado como o sucessor natural à presidência da República. Grande parte da estratégia eleitoral do PT, desde sua fundação, passou pelas mãos de José Dirceu.

A condenação à prisão de uma figura desse porte, portanto, só poderia ser motivada por questões políticas. Principalmente em um País como o Brasil, em que a regra entre os políticos burgueses é a corrupção, e não uma exceção. Quando, em 2012, a burguesia preparou todo um circo para condenar o dirigente petista, a direita não só estava atacando um pilar importante do Partido dos Trabalhadores, como estava efetivamente, dando mais um passo para um golpe de Estado, que veio a se concretizar em 2016.

A aberração jurídica do processo que levou à condenação de José Dirceu não reside somente no fato de que o Judiciário fechou os olhos para toda a corrupção histórica dos governos de direita e decidiu atacar um quadro da esquerda apenas por conveniência. Como a direita não conseguiu constituir prova alguma contra o petista — considerando que em um Estado democrático de direito, apenas por meio de provas alguém pode ser condenado —, a burguesia tirou da manga uma série de expedientes antidemocráticos. O mais difundido deles foi a “teoria do domínio do fato”, segundo a qual Dirceu não poderia não ter conhecimento dos crimes que supostamente teriam acontecido.

Organizações e figuras da esquerda pequeno-burguesa não hesitaram em apoiar a campanha contra José Dirceu simplesmente porque isso era conveniente a seus próprios interesses. Como a esquerda pequeno-burguesa, pelo seu próprio caráter pequeno burguês, não se dispõe a defender um programa próprio em defesa dos trabalhadores, acaba ficando a reboque da política oficial do regime. Pois, para a esquerda pequeno-burguesa, que tem como política a manutenção de seus privilégios no regime político, o reconhecimento da burguesia é um aspecto fundamental.

O caso Robinho apresenta uma série de semelhanças com o caso de José Dirceu. Afinal, a burguesia procura, por meio de uma campanha moralista, justificar a destruição de uma série de direitos fundamentais. Se a campanha não for combatida, a presunção de inocência no Brasil terá sido completamente liquidada. Isto é, mesmo antes de julgada, uma pessoa já será considerada condenada. Trata-se de uma verdadeira barbaridade, típica da Idade Média.

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