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Entrevista de Luz Ángela Rojas

“Os jovens nas ruas não têm medo da repressão e nem da pandemia”

No último programa, a entrevista foi com a companheira Luz Ángela Rojas, que conta sobre a situação atual da política e as revoltas populares que se desenvolvem na Colômbia

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A companheira Luz Ángela Rojas, da Comissão Internacional do Congresso dos Povos – Foto: Reprodução

O COTV Entrevista da última segunda-feira (24) recebeu a ativista colombiana, Luz Ángela Rojas. No programa, ela falou sobre diversos temas relacionados à política em seu país. Com destaque especial à questão das manifestações que vêm ocorrendo lá há mais de um mês, além de outras questões, como o massacre dos ex-combatentes da FARC, o impacto da pandemia no povo colombiano e os ataques do presidente direitista Iván Duque à população.

A companheira Luz Angela Rojas é colombiana, antropóloga com mestrado em estudos latinoamericanos e é parte da Comissão Internacional do Congresso dos Povos. Apesar de viver no Brasil, ela tem frequente contato com os movimentos sociais da Colômbia que estão nas ruas e, por conta disso, tem conhecimento do que tem ocorrido lá nos últimos dias.

Luz Ángela contou, no programa, como se desenvolve o trabalho da Comissão da qual faz parte. Ela também relatou um pouco da conturbada história política da Colômbia, que vive sob regimes ditatoriais direitistas há cerca de 50 anos já. 

Além disso, ela também explicou como a pandemia atingiu a Colômbia de uma forma ainda mais intensa do que no Brasil, se formos levar em conta a proporção entre tamanho, população e casos e mortes por Covid-19. 

O tema central da entrevista foi a questão das manifestações que têm ocorrido no último período desde que o governo de Iván Duque baixou a Reforma Tributária. Com relação a isso, foi relatado que diversos setores dos trabalhadores colombianos estão em greve já faz um mês, a companheira também explicou como a polícia colombiana tem sido repressiva com os manifestantes, em ações dignas de ditaduras, que vão desde repressão aos manifestantes, mas também com assassinatos e até estupros de mulheres que estão nas ruas. A companheira nos explicou as principais reivindicações dos trabalhadores colombianos que estão nas ruas, destacando, inclusive, que o “Fora Duque” está entre elas. 

Segue abaixo a transcrição de alguns dos trechos mais importantes da entrevista:

Qual o tipo de trabalho que sua comissão desenvolve e também qual contato que você tem com a situação política na Colômbia, através desse trabalho?

Bom, eu sou parte do “congreso de los pueblos”, que é um movimento social da Colômbia. Ele se articula que tem mulheres, camponeses, jovens, cidade, operários, professores, indígenas, quilombos. São diferentes frentes que têm proposta de mandar o povo para uma vida digna. E uma das concepções que a gente tem é que o território vai muito além da concepção nacional, então, temos pessoas que moram fora da Colômbia, algumas por exílio político, já que a situação violenta no país, o conflito armado que tem no país, já dura mais de 50 anos, e outras que não estão no exílio, mas também fazem parte da Colômbia e faz uma militância fora do país com a perspectiva da articulação das lutas no mundo.

A solidariedade tem dupla via, não só ter solidariedade com a Colômbia, mas reconhecer que os impactos do modelo capitalistas se impacta em todo mundo, ainda mais no mundo globalizado. Nosso trabalho é criar e tecer os laços entre organizações, permitir reconhecer propostas políticas de esquerda alternativa, que procurem uma nova proposta de sociedade e articulá-las em uma diplomacia popular. Acreditamos que a diplomacia não é apenas feita pelos poderosos e grandes potências. E também temos algo que chamamos de “militância participativa”, eu sou solidária na medida que consigo compreender a luta do povo brasileiro, fazer uma troca de aprendizagens e fortalecer o processo.

Nos parece que o Iván Duque é uma espécie de “Bolsonaro colombiano” e vice-versa. Qual é o tratamento que o seu governo dá para a população, de um modo geral?

Sobre isso, eu moro aqui no Brasil e a gente sempre tenta ter uma articulação muito forte com os movimentos da Colômbia para ter essas reflexões que você fala. Eu acho que Bolsonaro e Iván Duque fazem parte de um processo de ascenso da direita na América Latina. Só que na Colômbia o ascenso da direita teve um recrudescimento anterior, desde o começo dos anos 2000, com um personagem chamado Alvaro Uribe Vélez, que seria a figura mais parecida com Bolsonaro.

Alvaro Uribe teve dois mandatos de governo, que implantou uma atitude fascista, de perseguição a lideranças sociais, de legitimação das “milícias”, que na Colômbia conhecemos como “paramilitarismo”. E agora Iván Duque é uma expressão dessa mesma linha de governo. Muitas pessoas o criticam por sua incapacidade de ter autonomia e sempre estar à sombra do que queria Alvaro Uribe Vélez. Nesse sentido, temos que ficar espertos porque tiramos a “cabeça” de Bolsonaro, mas o governo mantém a mesma linha de governo, com outra “cara”, mas com a mesma perspectiva. Nós temos que mudar radicalmente a proposta política e não só a cara do personagem.

Como foi que a pandemia atingiu o povo colombiano e como o governo reagiu à crise?

O governo lá na Colômbia não teve a capacidade de ter uma boa gestão da pandemia. Tem duas coisas sobre isso que eu gostaria de resgatar, a primeira é que nós temos um sistema de saúde já totalmente privatizado, a gente não tem o SUS, que vocês têm aqui no Brasil, que ainda tem muito para avançar, mas que deve ser defendida.

Houve também uma incapacidade de gestão da democracia, junto com a falta de políticas sociais, algo que já vinha desde muito tempo antes da pandemia. A crise sanitária aprofundou os problemas sociais. E a resposta do governo à pandemia, como o fechamento, o toque de recolher, ter que apresentar documento para sair na rua, foi uma resposta policial, de controle militar da vida da sociedade, então o ano passado, quem saía às ruas ou saía em dia que não podia sair apanhava da polícia, teve um cara que morreu porque apanhou da polícia por ter saído durante o horário de toque de recolher. 

As vacinas também demoraram a chegar. Deve-se ter uma noção que a Colômbia é muito menor do que o Brasil – cabem cerca de oito Colômbias dentro do Brasil – então, a taxa de contágios na Colômbia, se formos levar em conta a relação percentual de território e população, foi muito pior do que no Brasil. Isso sem falar na corrupção da compra das vacinas e as “furadas” de fila que a gente já conhece na vacinação, para as classes dominantes.

Então, nós estávamos no terceiro pico da pandemia quando começou a greve, e ela aprofundou o problema do desemprego, de saúde e toda essa ineficácia denunciou não só a crise do sistema capitalista, mas também do governo neoliberal, que privilegia o capital por cima da vida, como aqui. Às vezes se abria mão do toque de recolher porque era “dia do comércio” e depois voltava o isolamento social, com a polícia controlando os territórios, então se evidenciava uma contradição. 

O que levou as pessoas a saírem às ruas em massa, como tem acontecido no último mês, na Colômbia?

Então, tínhamos um comitê de paralisação desde 28 de abril, e que já tínhamos antecedentes do 21 de novembro de 2019, que ficaram “quietos”, mesmo naquele momento tendo havido as manifestações no Chile e no Equador, por conta da pandemia. Levou até agora para as reivindicações conseguirem tomar forma. São três as reivindicações.

Uma é contra a reforma tributária, que foi uma reforma que o governo cinicamente chama de “reforma solidária”, já que ela surge com a crise econômica da pandemia, porque precisou-se incrementar os produtos da cesta básica e também houve gastos com a saúde. Isso é bem importante porque o governo já recuou com essa reforma, o que nos faz lembrar que a rua pertence ao povo e a luta se faz na rua.

Outro ponto é a questão dos direitos humanos, são mais de mil lideranças sociais assassinadas pelo governo. A outra pauta tem relação com a presença dos EUA na Colômbia, que é a pulverização do glifosato, que procura acabar com as plantações de folhas de coca, o que prejudica os camponeses e não as milícias e os tráficos. Por conta da situação econômica, a população do campo tem optado pela plantação das folhas de coca – não de cocaína, e o governo os reprime, além de realizar a pulverização do glifosato, que é prejudicial à saúde.

Essas três pautas levaram as pessoas às ruas, e quando o governo reage com repressão, as pessoas ficaram ainda mais indignadas. O governo pensou que as pessoas têm medo. Mas há jovens nas ruas que não têm medo, não têm medo da repressão, nem da pandemia, porque a situação ali é muito ruim. Você pega a situação em Cali, por exemplo. Algumas pessoas falam que preferem estar nas ruas, recebendo o apoio da população, com as panelas comunitárias e outras coisas, do que voltarem à situação que estavam antes. Então se forma o que chamamos de “primeira linha”, que é a linha do confronto. E sobre essa primeira linha, os jovens falam “o melhor da primeira linha é termos a possibilidade de comer três vezes ao dia”. Então olha como estava a situação, mesmo apanhando da polícia, eles consideram que a situação é melhor agora, com as manifestações e a greve, por isso a greve se mantém. (…)

Estes são apenas alguns trechos da entrevista, em que esses assuntos e muitos outros foram tratados com maior profundidade. Caso queira acompanhá-la inteira, veja no link abaixo:

A rebelião popular na Colômbia, com Luz Ángela Rojas – COTV Entrevista nº 63

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