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Chacina no Jacarezinho

Os favelados têm o direito de se rebelar

O Estado não oferece qualquer solução para os dramas dos trabalhadores; pelo contrário, é um instrumento de repressão nas mãos de seus inimigos

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Moradores do Jacarezinho em protesto após chacina – Foto:: Mauro Pimentel/AFP

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Na última sexta-feira (7), a revolta do povo carioca contra a chacina no Jacarezinho deu lugar a mais uma manifestação contra a Polícia Militar e o regime golpista de conjunto. E não é para menos: os 24 moradores mortos em uma única operação ilegal da polícia, que durou sete horas, já entraram para a história como vítimas da segunda maior chacina já ocorrida no Rio de Janeiro.

Não há dúvidas de que a chacina no Rio de Janeiro é uma demonstração de barbárie total. O vice-presidente da República, o fascista Hamilton Mourão, fez pouco caso e disse que as vítimas eram todos “bandidos”, legitimando a operação. Qualquer pessoa que concorde minimamente com o general golpista é, portanto, cúmplice de um dos episódios mais desumanos já vistos nos últimos anos.

Embora seja uma barbaridade, a chacina não é, infelizmente, uma novidade. Ela apenas expressou, de maneira mais acabada, mais explícita e mais intensa aquilo que está acontecendo com o povo brasileiro em todas as periferias do País. A chacina do Jacarezinho é o mundo real, é a luta de classes nua e crua. É o absoluto desprezo da burguesia com os trabalhadores, desprezo que chega ao ponto do extermínio deliberado.

O mundo real, portanto, nada tem a ver com o quadro que é pintado pela esquerda pequeno-burguesa que só pensa em eleição. Não é um mundo em que Fernando Henrique Cardoso e João Doria são “democratas” e que a CPI da pandemia derrubará o governo Bolsonaro por uma questão de boa fé dos parlamentares. No mundo real, os capitalistas, que estão vendo a crise econômica mundial se aprofundar um dia após o outro, estão travando uma guerra contra a população para salvar os seus negócios.

Nesse mundo, os capitalistas não estão preocupados com a “democracia” ou a “ciência”, mas tão somente roubar o povo e utilizar qualquer meio que esteja à disposição para isso. Nesse mundo, os moradores das favelas estão sendo tratados como animais, sem saneamento básico, sem emprego, sem sequer hospital. Estão largados em meio a uma pandemia que já matou 415 mil pessoas e a uma crise econômica devastadora. Como se não bastasse tudo isso, os que não se conformam com esse massacre, ou que simplesmente aparecem “no lugar errado, na hora errada” são exterminados pela Polícia Militar.

Os 24 assassinados na favela do Jacarezinho, portanto, devem ser vistos como um símbolo do massacre diário do povo pobre de todo o País pela burguesia golpista. Isto é, pelo Judiciário, pelo STF, pela Polícia, pelo Legislativo, pelo Executivo e por todas as autoridades. O povo brasileiro está sendo vítima de uma conspiração de todas as instituições em favor dos interesses dos banqueiros: apenas a sua própria força será capaz de impedir que as chacinas se tornem ainda mais frequentes e volumosas.

É preciso, portanto, que os moradores de todas as periferias saiam às ruas contra a chacina diária promovida pelos capitalistas. É preciso arrancar do Estado um auxílio emergencial real, que corresponda a pelo menos um salário mínimo, de modo a prover as famílias que estão famintas e sofrendo com despejos e falta de vacina, falta de qualquer proteção sanitária e desempregadas. Ao mesmo tempo, é preciso lutar pela quebra das patentes e pela vacinação imediata de toda a população, que segue adoecendo de maneira absolutamente descontrolada.

A luta por essas reivindicações são a luta do povo trabalhador por sua sobrevivência. E, portanto, deve ser uma luta até as últimas consequências. Ninguém é obrigado a aguentar tamanho sofrimento calado. É preciso se manifestar, inclusive violentamente, porque ninguém é obrigado a aguentar uma vida assim. E para que a luta avance, para expulsar a única parte do Estado que se sente nas favelas, que é a polícia, é preciso ainda formar comitês de autodefesa e milícias populares, para que os moradores enfrentem radicalmente a repressão do Estado. Junto a isso, é necessário reivindicar o direito da população ao armamento, pois o Estado não deve ter o monopólio do uso da força para esmagar a população, e o fim da Polícia Militar.

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