Perseguição política
Uma vez mais revelado: tudo não passou de farsa jurídica para esconder a política golpista mais rasteira

Por: Redação do Diário Causa Operária

Juliano Lopes

Juliano Lopes

Juliano Lopes é advogado, integrante do Comitê Central Nacional do Partido da Causa Operária, e coordenador do Coletivo de Negros João Cândido.

“…somos capazes de perceber que as altas autoridades a cujo serviço estamos, antes de determinarem uma detenção como esta, se informam com muita precisão sobre os motivos dela e sobre a pessoa do detido. Aqui não há erro. Nossas autoridades, até onde as conheço, e só conheço seus níveis mais baixos, não buscam a culpa na população, mas, conforme consta na lei, são atraídas pela culpa e precisam nos enviar – a nós, guardas. Esta é a lei. Onde aí haveria erro?”
(Trecho do livro O Processo, de Franz Kafka)

Alguém que está lendo essa coluna, por algum motivo, já foi detido. É bem fácil. Este colunista ainda lançará um livreto, com alguns esculachos já recebidos. Você é abordado e, mesmo sem ter feito nada, já pensa que pode parar na cadeia, em fração de segundo, você pensa: tudo pode acontecer. Isso é a ditadura.

Aconteceu com Lula. Preso por mais de 500 dias, tendo ficado sem seus direitos políticos, sem o direito de ir e vir, encarcerado, a mando de um tranqueira, funcionário dos golpistas, o senhor Sérgio Moro. 

Lá pelas tantas, surge outro tranqueira, Edson Fachin, que, acordando de algum sonho muito louco, disse que não valeu nada do que Sérgio Moro fez. “Para tudo! Vou anular tudo, mas vou mandar para outro parceiro ver este B.O, não vou meter as caras”, pensou. Só não tem como anular mais de 500 dias de cadeia, alguém poderá ter escrito.

Na verdade, quem vai falar se valeu ou não toda a patifaria é outro juiz da ditadura de toga, agora, da Justiça Federal de Brasília (DF). Tudo pode valer, a prisão, a cassação dos direitos políticos, ou nada vai valer, e sabe Deus se o homem não corre o risco de perder tudo de novo.

Não existe debate jurídico, como alguns procuram apresentar. Embora juízes, suas ações, tudo que se deu com Lula e outros presos do sistema não tem nada a ver com as leis, mas com a convicção dos donos da liberdade alheia. Prende e solta. Prende e deixa preso.

O caso de Lula é um escândalo, um escárnio.

O que foi feito é um deboche contra todo o povo, até mesmo contra aqueles que são contra as posições políticas de Lula, pois, amanhã ou depois ninguém sabe exatamente quem estará no alvo da tropa de choque, cuja caneta é mais pesada que uma rajada de FAL.

Fato é que abriram a guarda. 

Mostraram, mais uma vez, o lixo que é o Poder Judiciário e a quem ele serve. Agora são passos adiante para seguir, lutar pela anulação de todos os processos a que Lula responde. Está claro: é tudo uma farsa jurídica para esconder a política golpista mais rasteira.

E precisa ir além. Quem passou procuração para os togados mandarem e desmandarem na liberdade do povo? Quem elegeu os integrantes das mais variadas cortes brasileiras? Ninguém. Um síndico de condomínio é investido no cargo de maneira mais democrática que esses juízes e ministros.

O caso Lula revela que é preciso lutar pelo fim dos juízes biônicos, das cortes superiores. É preciso rever todos os processos das mais de 900 mil pessoas presas no Brasil. É claro que se aconteceu o que aconteceu com Lula, com o resto é ainda pior. São processos e penas que precisam ser anulados, como resultado da luta do povo organizado. 

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