Menu da Rede

As "vantagens" da frente ampla

Os aliados de Boulos são os maiores responsáveis pelos despejos

Artigo escrito pelo psolista joga a responsabilidade pelos despejos nas costas do governo Bolsonaro e ignora completamente que é cúmplice das monstruosidades da direita

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Guilherme Boulos – Foto: Reprodução

Publicidade

Em seu novo artigo publicado pela Folha de S.Paulo, Guilherme Boulos, ex-candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, procura se apresentar como um grande defensor dos trabalhadores sem teto. Obviamente, a propaganda não corresponde obrigatoriamente à realidade, e quando a propaganda é de si próprio, a tendência é que seja a mais barata demagogia…. E parece ser esse o caso em questão.

Para mostrar a sua preocupação com os sem teto, Boulos apresenta um dado muito macabro: pelo menos 9 mil famílias foram desalojadas no Brasil desde o início da pandemia. Se cada uma dessas famílias for composta por cinco pessoas, seriam, deste modo, 45 mil brasileiros literalmente atirados às ruas em um momento de total colapso sanitário do País. Trata-se, de fato, de um crime monstruoso.

A questão é que, em abstrato, ninguém seria a favor de atirar 45 mil pessoas às piores condições de vida possíveis. Moralmente falando, todos hão de concordar que os outros 400 mil brasileiros que foram assassinados pelo coronavírus, bem como os milhões que estão passando fome, não mereciam estar nesta situação. No entanto, os ataques ao povo brasileiro não são gratuitos: são a expressão de um interesse material.

Denunciar que um crime é um crime não impede que ele aconteça. Mas é o que Boulos, apelidado pela mesma Folha de S.Paulo como o líder dos sem teto, faz: “no mês passado, as imagens chocantes da truculência da polícia do Distrito Federal no despejo da Ocupação CCBB escancararam o absurdo”, “o que está em jogo é uma questão humanitária”, “mais do que números frios, estamos falando de gente que pode ser atirada na rua a qualquer momento, sem nenhuma proteção” etc.

Passadas as frases de efeito e os dados chocantes, qual é, efetivamente, a política de Boulos para os despejos? Para debatermos isso, podemos antes recorrer a mais um floreio do psolista:

“Para as pessoas poderem seguir as recomendações e ficar em casa, elas precisam antes ter casa”.

Concordamos em gênero, número e grau. A ordem dos governos para que o povo fique em casa é um cinismo criminoso. Porque, finalmente, só quem pode de fato ficar em casa é uma parcela insignificante da população. É a própria burguesia e uma camada minoritária da classe média. O resto da população está sendo obrigada a trabalhar, a pegar ônibus lotados e, nos casos mais extremos, a dormir na sarjeta. O “fique em casa”, tanto propagandeado por João Doria (PSDB) e todos os governadores, serve apenas de cobertura para a política podre do Estado: que o povo morra, pois não tiraremos um centavo de nossos cofres.

Os setores da esquerda que fazem o mesmo tipo de propaganda para que o povo morra em casa são, portanto, cúmplices do genocídio que está sendo promovido pela burguesia. E Guilherme Boulos é um deles: até hoje, o psolista tem o “fique em casa” como sua principal palavra de ordem, a ponto de orientar a sua base para ficar em baixo da cama no dia primeiro de maio, quando a extrema-direita ocupava a Avenida Paulista. No que dependesse de Boulos e dos demais, os bolsonaristas sairiam como verdadeiros donos do dia internacional dos trabalhadores — isto só não aconteceu por causa do ato organizado pelo PCO e pelos comitês de luta.

O apoio de Boulos aos governadores que estão promovendo o assassinato generalizado dos trabalhadores não é de maneira indireta. Não só o psolista clama pelo “fique em casa”, como defende a aliança com esses verdadeiros bandidos políticos que são a direita golpista. Boulos assinou vários manifestos com Fernando Henrique Cardoso e o PSDB, chamou a atuação de João Doria durante a pandemia de “científica” e promoveu alianças com vários partidos burgueses, como o PSB, o PDT, o PV, a Rede, o Cidadania etc. Mais recentemente, Boulos se reuniu com o presidente bolsonarista do Republicanos, partido oficial da Igreja Universal.

Esse ponto, que Boulos procura esconder, é fundamental. Porque, apesar de Bolsonaro ser um fascista, que estimula os ataques contra os explorados, o problema do despejo está fortemente ligado às esferas estadual e municipal. E quem governa os estados e os municípios são justamente essas figuras com quem Boulos tanto se confraterniza: a direita nacional. São esses partidos que, mesmo diante da pandemia, jogam a polícia para cima dos sem teto e os expulsa do local onde conseguiram firmar alguma habitação. São, portanto, tão inimigos dos sem teto quanto Bolsonaro.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Populares na Rede
[wpp range="last24h" limit="3"]
NA COTV

70 ANOS DA REVOLUÇÃO CHINESA - COM RUI COSTA PIMENTA (CURSO COMPLETO)

316 Visualizações 4 horas Atrás

Watch Now

Send this to a friend