Os abutres da imprensa contra o futebol brasileiro

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A filosofia “abutre” que caracteriza tão bem a política dos candidatos da esquerda pequeno-burguesa e da pseudo esquerda, que contam com a perseguição política e a prisão de Lula, que poderia resultar na proscrição de sua candidatura, parece ser algo que extrapola a esfera eleitoral.

A derrota da Seleção brasileira na Copa do Mundo fez com que os elementos da classe média, de esquerda e de direita, se aproveitassem da tristeza do povo para tripudiar em cima do que eles consideram o cadáver do futebol brasileiro.

Acontece que, do mesmo jeito que os abutres das eleições se enganam em seus cálculos políticos, ao tomar como verdade a campanha da burguesia de que Lula estaria morto, os inimigos do futebol brasileiro também erram ao considerar morta a maior seleção do mundo. Acreditando na propaganda sistemática da imprensa pró imperialista, cujo principal objetivo é convencer o brasileiro de que o futebol europeu é o melhor do mundo, esses abutres pegam carona nessa propaganda para provar suas teses sobre o esporte bretão.

Mais à frente explicaremos que essa ideia de que o futebol brasileiro morreu ou algo parecido não é nada mais do que propaganda enganosa para confundir o povo e que inclusive a experiência dessa copa prova exatamente o contrário: o futebol brasileiro se distanciou dos outros em termos de superioridade.

Uma ideia que foi expressada por um artigo do site do Brasil 247, escrita por Gustavo Conde é a de que o futebol como elemento fundamental da cultura brasileira não seria nada mais do que um “mito”. Esse “mito”, segundo a tese do colunista, teria sido fundado em 1950 em decorrência do Maracanazzo, a partir de então a burguesia brasileira aproveitou a oportunidade para “instaurar uma narrativa de patriotismo domesticada”. E o colunista continua, “o brasileiro nasceu, cresceu e morreu achando que torcer pela seleção era um ato patriótico. O sentido de patriotismo migrou furiosamente de sua matriz original e revolucionária para um beco carnavalesco, mesquinho e a serviço de um conglomerado de mídia.” Essa coluna, intitulada “Quando perder é ganhar”, defende então a tese de que a derrota do Brasil na última sexta-feira, dia 6, teria o mérito de fazer o brasileiro “despertar dessa fantasia”.

Difícil saber com base o autor chega a essas conclusões. Na realidade, ele usa a derrota do Brasil para provar sua tese, embora não prove nada. Como falei mais acima, os jornalistas de classe média que vivem procurando maneiras de “provar” a inferioridade do futebol brasileiro estão sempre prontos diante de uma derrota da Seleção. Para isso, passam vergonha e ovacionam a Seleção de um País imperialista como a Bélgica: “Temos, claro, que agradecer a excelente seleção da Bélgica por esta dádiva gloriosa”.

A intenção aqui não é polemizar com todas as ideias do artigo, mas apenas usa-lo como exemplo do que os jornalistas de esquerda e de direita repetem sem se dar conta que estão apenas dando vazão a uma campanha produzida dos escritórios dos monopólios imperialistas.

Mesmo se deixarmos de lado a política por um momento e nos concentrássemos apenas no terreno do futebol, a derrota de um time não o faz inferior. O futebol é o que é justamente porque é comum um time muito forte ser derrotado por um bem mais fraco do que ele. Foi o que inclusive aconteceu no jogo contra a Bélgica. Um time medíocre, que teria dificuldades de se sustentar no campeonato Brasileiro da Série B (sem exageros), venceu uma Seleção Brasileira que dominou todo o jogo.

Existem muitas maneiras de dizer a mesma coisa. Existem muitas maneiras de dizer que o futebol brasileiro não é o melhor do mundo: há os que glorificam a superioridade europeia, há os que glorificam a “organização” europeia, há ainda os que atacam o esquema tático brasileiro e há os que tentam explicar que o futebol é um “mito”, uma “fantasia” criada pela burguesia. Há muitas outras variantes da mesma ideia e todas têm o mesmo fundamento que é o ataque ao futebol brasileiro e por consequência o elogio ao europeu.

Isso tudo até que na próxima Copa todas as teses e teorias caiam por terra. E novamente a Seleção Brasileira está lá, favorita, botando medo em todos os adversários, e quiçá campeã. O que esses jornalistas que não passam de curiosos e amadores do assunto não se dão conta é que estão reproduzindo a ideologia imperialista contra o Brasil.

O Brasil, que mesmo sendo um País oprimido, pobre e negro, é dono da Seleção que mais ganhou títulos mundiais, a única que participou de todas as Copas e a que ensinou o mundo uma maneira inovadora e criativa de jogar bola. O futebol brasileiro não é fantasia nem mito. Ele existe graças não aos intelectuais mas ao povo que joga bola.

Os verdadeiros “mitos”, esses sim criados pelo imperialismo, nós vimos derrubados na última década em todas as Copas do Mundo. Houve o mito francês, o mito italiano, o mito espanhol e o mito alemão. Todos foram campeões e caíram já na primeira fase da Copa seguinte à que conquistou. Veremos qual será o mito dessa Copa que sucumbirá na próxima Copa, enquanto o Brasil continuará fazendo o que sabe de melhor, sendo campeão ou não.

A história se repete, somos obrigados a ouvir as asneiras dos super entendidos do assunto que vão eleger como sua mais uma farsa produzida pelo imperialismo. Será a França, a Inglaterra ou própria Bélgica? Aguardemos sentados, pacientemente a farsa cair daqui a quatro anos.

Ao contrário do que acreditam os abutres, essa Copa do Mundo apenas provou que o futebol brasileiro está ainda mais superior. O esquema político montado em favor das seleções europeias, os descarados roubos de arbitragem contra o Brasil, mostram que o imperialismo tem cada vez mais dificuldade de superior, no campo, o time brasileiro. A decadência cultural é a expressão da decadência do próprio capitalismo e o futebol não está isento desse fato. O futebol brasileiro, no entanto, por sua criatividade e diversidade, é o único que resiste, é menos afetado do que o decadente futebol europeu, que é a própria expressão da crise do imperialismo.

Ao contrário do que se pensa, o nacionalismo ou patriotismo brasileiro no futebol não é artificial, mas é a expressão legítima, na esfera da cultura, do nacionalismo desse país atrasado que pode se desenvolver para um sentimento revolucionário, como já aconteceu inúmeras vezes na história.

Os abutres, portanto, fazem o papel dos inimigos dos povos de todo o mundo. Qualquer nacionalismo, mesmo que seja cultural, é um problema para o imperialismo. Para os grandes monopólios, é preciso convencer os povos oprimidos de que sua cultura é inferior, derrotar qualquer indício de orgulho nacional para que o roubo em escala global seja mais facilmente colocado em prática. É esse o fundamento do ataques contra o futebol brasileiro, é por isso que há um enorme esquema contra o Brasil na Copa e é com o imperialismo que setores da esquerda pequeno-burguesa se alia ao atacar o futebol, seja lá qual for o verniz vermelho que tentam passar sobre seus argumentos.