Organizar os professores para acabar com a caça às bruxas

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O projeto Escola Sem Partido apareceu com grande repercussão na luta política atual. Trata-se de uma vitória da extrema-direita contra a população. E de mais um ponto central da política de repressão e censura apoiada pelos direitistas.

Não se trata de algo novo, já que ao longo dos últimos anos, os direitistas têm apoiado a censura a obras de artes e existe toda uma perseguição política por meio do judiciário contra os opositores do regime golpista e contra as organizações de luta dos explorados. O que indica que toda essa movimentação é uma ofensiva geral dos bandos fascistas contra toda a população.

O objetivo da direita é de calar todo mundo. Começaram pelos professores e as escolas, onde a circulação de ideias e o princípio da liberdade de expressão são fundamentais. Ou pelo menos deveria ser assim. Sabe-se bem que a escola capitalista tem como doutrina, por questões óbvias, a ideologia de direita e capitalista.

Algo de certa forma normal, já que a maneira como é formulada toda a educação é assim. Como os assuntos são abordados no livros escolares, como são feitas as provas e assim por diante. Porém, sempre houve uma preocupação da burguesia em controlar a Educação, pois as salas de aula e o ambiente escolar são propícios para o debate, onde surge todo tipo de opinião sobre política e outros temas.

Sem falar nisso, muitos professores são de esquerda ou têm um pensamento progressista. Isso por conta da própria condição social do trabalho. E o trabalho deles os colocam diretamente em contato com a classe operária nas escolas públicas, e nas privadas promovem um debate que também não favorece a burguesia.

É por isso que querem censurar os professores. Tem que mantê-los sob as rédeas da direita, precisam ser colocados dentro dos limites criados pela burguesia e os generais. A Escola Sem Partido é mais uma das maneiras de os golpistas aumentarem seu controle sobre o regime político.

Por isso, estão estimulando uma campanha de assédio, vigilância e censura, que visa criar um clima de paranoia e uma atmosfera de medo. Ao estilo da Ditadura Militar. Inclusive, a situação, como todos sabem, pode se desenvolver ao ponto de realmente haver militares em salas de aula para “observar” o professor.

O que estão procurando fazer é intimidar a sociedade. Manter todo mundo calado para que não haja denúncias das brutalidades cometidas pelo regime golpista. E a extrema-direita estabelece isso pelo uso da força, pois no atual momento são minoria. E é justamente por isso que é preciso enfrentá-los.

Um grupo bem organizado de professores e estudantes venceria facilmente essa minoria de direitistas que se encontram nas escolas.  Mas de qualquer forma, o momento de enfrentar a extrema-direita é agora, no momento em que ainda estão se organizando.

Por isso, todos os professores, seus sindicatos, além dos estudantes devem se organizar em um grande comitê de solidariedade para se proteger da ameaça desse bando agressivo de bolsonaristas.

Dessa forma, uma grande rede de apoio, de denúncias e de enfrentamento com a direita será criada e será um passo a mais na história política dos professores, inclusive contribuindo de uma muito boa forma para o desenvolvimento da luta contra o golpe, de interesse da imensa maioria da sociedade, daqueles que produzem sua riqueza, defendem e necessitam do ensino público e gratuito em todos os níveis, livres do controle da direita reacionária.