Organizar a ocupação da Ford e a greve geral dos metalúrgicos contra o fechamento da fábrica

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A companhia norte-americana Ford anunciou nessa terça-feira (dia 19) que irá fechar a fábrica da empresa em São Bernardo do Campo, a mais antiga em operação da montadora no Brasil, e deixará de comercializar as linhas Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta assim que terminarem os estoques.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o fechamento da fábrica da Ford, que ocorreria ao longo de 2019, representa a demissão de 2,8 mil trabalhadores.

A justificativa apresentada pela direção da multinacional, de que a Ford deixaria de atuar no segmento de caminhões na América do Sul, evidencia o que é obvio em qualquer monopólio capitalista: não há qualquer preocupação com o emprego e o futuro de milhares de operários, e de suas famílias, que por anos foram explorados pela montadora.

Para os tubarões capitalistas, trata-se apenas de uma “reformulação global do negócio da companhia”. Acrescentam ainda que buscam “importante marco para o retorno à lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul”, de acordo com comunicado da empresa.

Isso deixa explícito que persegue apenas e tão somente o aumento do lucro, ao divulgar que a decisão faz parte de um esforço para voltar a lucrar na América do Sul, alegando que no ano passado a Ford apresentou prejuízo de US$ 678 milhões no continente.

A montadora alega ainda enfrentar dificuldades, mesmo anunciando que suas vendas crescerem pelo sétimo trimestre consecutivo e tendo registrado alta de 17% nas vendas ajustadas no Brasil, nos últimos três meses de 2018.

O anúncio terrorista da Ford, sem qualquer negociação prévia com os trabalhadores, segue os passos de outra montadora, a General Motors, que impôs aos trabalhadores de São José dos Campos (com ajuda da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos local, dirigido pelo PSTU-Conlutas) um famigerado acordo que rebaixa os salários e outros vencimentos de milhares de operários, além de atacar outros direitos, como o fim da estabilidade de trabalhadores com deficiência, entre outros. Uma situação que levanta a suspeita de que a empresa, junto com as demais montadoras, estejam chantageando os metalúrgicos para que aceitem um retrocesso sem igual nas condições de vida dos trabalhadores.

Diante desse ataque, os metalúrgicos do ABC, como já fizeram em outras oportunidades, estão chamados a darem uma resposta à Ford e a todas as montadoras, na defesa dos seus empregos e da sustentação de sua família, totalmente ameaçadas diante da situação criminosa que estas empresas tentam impor.

Ao contrário da política traidora, covarde e capituladora adotada pela direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, é preciso enfrentar o anúncio da Ford com uma poderosa mobilização, com a única arma que os patrões entendem: a greve dos metalúrgicos com a ocupação da fábrica de São Bernardo de Campo (e se preciso de outras unidades) para garantir os empregos ameaçados.

Se os patrões desejam fechar a fábrica e lançar os trabalhadores no desemprego, na miséria, que os operários assumam o controle da produção, garantam seus empregos e seus salários e a fábrica seja expropriada.

Os trabalhadores na Ford, em São Bernardo, já vinham sendo “convocados para plenária na quinta-feira, dia 21, às 17h30, no Sindicato“. Agora, é preciso, além dessa atividade, convocar uma ampla assembleia geral de todos os trabalhadores para impulsionar a mobilização e, de forma alguma, aceitar a política criminosa da empresa.

É preciso unir toda a categoria, porque as demissões na Ford, se consumadas, provocaram um retrocesso que afetará a toda a categoria e o conjunto dos trabalhadores da região, com mais demissões e rebaixamento geral dos salários.

Contra as demissões, ocupar as fábricas e garantir o emprego e salários dos operários.