Operação das forças de segurança deixa mortos no Rio; moradores não conseguem sair de casa na manhã desta segunda

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Desde a manhã da última segunda-feira (20), os militares iniciaram no Rio de Janeiro uma gigantesca operação na Penha, no Alemão e na Maré, três importantes bairros populares da cidade, além de vários cantos da Zona Norte carioca. A operação já deixou cinco pessoas mortas e mais dezenas de presos.

A imprensa burguesa vem fazendo a campanha de que seria uma intervenção contra o tráfico de drogas e faz média, falando da morte do primeiro oficial das forças armadas morto na operação, um cabo do exército. A alta campanha sobre a morte do cabo é uma tentativa da burguesia de diminuir a repressão exercida pelo exército no RJ, que já deixou centenas de mortos e afetou centenas de milhares de moradores que não conseguem nem sair de suas casas, sem serem assediados ou assassinados pelas forças armadas.

É uma campanha cínica, pois o que eles procuram apresentar como um confronto, é na verdade uma brutal repressão de órgãos extremamente bem armados contra toda uma população. É tão desproporcional que, após vários meses de intervenção militar no RJ, o primeiro oficial das Forças Armadas só veio morrer agora.

São mais 4 mil oficiais do Exército, diversos policiais militares e dezenas de policiais civis, treinados para matar e reprimir todo mundo. Os 5 cidadãos que morreram são apresentados pela própria imprensa burguesa como suspeitos, isto é, morreram por supostamente terem cometido um crime que não foi comprovado, e que mesmo se o fosse, seria por conta de um crime tão besta como tráfico de drogas, que é um comércio comum tornado ilegal pela burguesia justamente para reprimir a população mais pobre.

A situação no Rio de Janeiro está ficando incendiada. Literalmente, em reação às brutalidades cometidas pelas Forças Armadas, moradores do complexo do Alemão queimaram um ônibus da Linha Amarela. Além disso, várias vias foram interditadas pela operação. Os moradores não estão conseguindo sair de casa.

“Está muito complicado, está saindo muito tiro, nós, moradores, não sabemos como agir. Nós sabemos que nessa disputa de poder só quem se prejudica é o morador, quem não tem nada a ver. Ninguém conseguiu sair de casa, acredito que as aulas tenham sido suspensas, muita gente não conseguiu sair para trabalhar. Eu acho que começou umas 4h, e muita gente estava indo trabalhar, então você não consegue fazer nada, só ficar dentro de casa abaixado no chão”, afirmou um morador do complexo da Penha.

Esse é o clima de terror imposto pelos militares na cidade do Rio de Janeiro. É preciso denunciar a intervenção no Estado e a probabilidade crescente de um golpe militar como sendo o aprofundamento do golpe de Estado no País. Os militares estão cada vez mais saindo de suas tocas, ameaçando abertamente instituições, como o STF e o congresso, além de estarem revelando que irão intervir caso o resultado das eleições não seja favorável para o setor mais forte dos golpistas. Isto é, sobretudo, caso Lula ganhe ou se a crise se aprofundar tanto que esta seja a única alternativa do imperialismo.