O crime é ser popular
Operações truculentas contra MC’s evidenciam o fechamento do regime e a perseguição à manifestação popular, qualquer que seja

Por: Redação do Diário Causa Operária

Izadora Dias

Izadora Dias

Coordenadora do coletivo de negros João Cândido, militante do Partido da Causa Operária. Apresenta de segunda a sexta, o Reunião de Pauta na Causa Operária TV, às 9h e o programa Tição no mesmo canal às quinta-feiras às 19h.


Nesta semana, repetindo uma operação realizada no Rio de Janeiro, a polícia paulista fez uma mega operação contra funkeiros famosos em São Paulo. A operação contou com mais de 100 viaturas, com mandado de busca e apreensão contra inúmeros MCs, sem nenhum motivo claro, foi organizada uma grande ação para investigar os cantores por suposta ligação ao tráfico de drogas.

Em primeiro lugar é importante destacar a ação truculenta da operação, sem nunca nem terem sido intimados para depor, ou sem nem saber que havia algum processo aberto contra eles, os músicos tiveram as suas casas reviradas pela polícia. O MC Pedrinho chegou a divulgar fotos nas suas redes sociais mostrando a bagunça que os policiais deixaram na casa de sua família. Essa ação evidencia o carácter totalmente  antidemocrático da operação e evidencia o caráter persecutório e intimidador contras estes jovens.

Toda a operação tenta incriminar os músicos de envolvimento ao tráfico, as aglomerações durante a pandemia e outras desculpas, que são usadas para um único objetivo: reprimir a expressão popular nas comunidades.

Há quem diga que o funk deve ser reprimido, pois suas músicas não são de qualidade,isso  não só não é verdade, como também não é justificativa para reprimir qualquer expressão cultural que seja.  Para a burguesia, reprimir o funk é fundamental para reprimir a população das favelas e comunidades. A direita é inimiga de qualquer manifestação que seja vinda do povo. Se qualidade musical ruim fosse motivo para prender cantores, não faltaria cantores de sertanejo ou outros estilos musicais ligados à classe média para serem perseguidos.

Não é segredo também que nos bailes e festas da burguesia, não falta música ruim, orgias e uso de drogas, mas nunca esses ambientes foram vítimas da ação terrorista que vimos acontecer no final do ano de 2019, quando a polícia militar realizou o massacre de Paraisópolis em um baile funk, matando por estrangulamento mais de 10 jovens que estavam presentes na festa.

Vale lembar também que o funk, assim como o samba, o rap, é protagonizado pelo povo negro, mais um motivo para perseguir e impedir que seja usado também como forma de protesto e denuncia da realidades nas favelas. O MC Salvador da rima, por exemplo, canta em suas músicas sobre o abuso da violência policial, recentemente ele foi vítima de uma violenta abordagem policial e agora também é um dos investigados nessa nova empreitada da polícia.

Mas mesmos os outros cantores, que não fazem denúncias políticas em suas canções são perseguidos, pois é evidente que com o aprofundamento do regime golpista, qualquer mínima manifestação popular será reprimida.

Não pode mais cantar, dançar, festejar. Querem que reste para o povo apenas o dever de trabalhar, apenas o direito de ser explorado. 

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